terça-feira, junho 30, 2009

Fidel: golpistas de Honduras não têm salvação

Em artigo publicado na noite de domingo, o líder cubano Fidel Castro criticou a deposição do presidente de Honduras e defendeu que não se negocie com os golpistas. "Com esse alto comando golpista não se pode negociar, é necessário exigir a sua renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo do povo, pelo povo e para o povo em Honduras. Os golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível se o problema for encarado com firmeza", diz Fidel.

Honduras






Honduras

A vós que hasteais
da liberdade, a bandeira:
o golpe, jamais !

O ardil das elites

É o poder armado
salvar a democracia
com golpe de Estado.

Traidores

Vive a burguesia
a perpetrar contra o povo
golpe e felonia.

Governo do povo, para o povo e pelo povo.

Há demagogia?
Não, há verdade e certeza
de democracia.

Constituição

Máquina de guerra
do povo que a possui e
que a elite enterra

Elite

Como um abutre
é do que há de mais podre
que ela se nutre

Carlos Henrique de Pontes Vieira

segunda-feira, junho 29, 2009

Comunidade internacional condena golpistas

Governo brasileiro condenou de forma veemente ação militar que resultou na deposição do presidente eleito de Honduras, José Manuel Zelaya, e sua condução para fora do país. Organização dos Estados Americanos e União Européia também condenaram o golpe. Embaixador norte-americano em Honduras diz que o único presidente que os EUA reconhecem em Honduras é o presidente Manuel Zelaya. Hugo Chávez e Evo Morales defendem mobilização da comunidade internacional e de movimentos sociais contra golpe.

O governo brasileiro condenou hoje o golpe militar em Honduras. O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial informando que o Brasil condena de forma veemente o seqüestro do presidente Manuel Zelaya e sua deposição pelos militares. “O governo brasileiro condena de forma veemente a ação militar que resultou na retirada do presidente de Honduras, José Manuel Zelaya, do Palácio Presidencial em Tegucigalpa no dia de hoje e sua condução para fora do país”, afirma a nota. Para o governo brasileiro, ações militares como a de hoje em Honduras atentam contra a democracia e não condizem com o estágio de desenvolvimento político da América Latina. “Eventuais questões de ordem constitucional devem ser resolvidas de forma pacífica, pelo diálogo e no marco da institucionalidade democrática”, diz ainda o Itamaraty.
O governo brasileiro solidarizou-se com o povo hondurenho e pediu que o presidente Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também condenou o golpe e pediu que os hondurenhos se comprometam a resolver de forma pacífica suas diferenças. Em nota oficial, o secretário manifestou firme apoio às instituições democráticas e condenou a detenção do presidente constitucional do país. Além disso, pediu a restituição dos representantes democraticamente eleitos no país e o pleno respeito aos direitos humanos, incluindo garantias de segurança para o presidente Zelaya, os membros de sua família e do governo. A União Européia também manifestou-se condenando o golpe militar e pedindo a imediata libertação do presidente do país.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou neste domingo, por aclamação, uma resolução de sete pontos que condena "energicamente" o golpe militar. O Conselho Permanente da entidade aprovou a resolução que, entre outros elementos, condena o golpe militar, exige o retorno de Zelaya ao poder e programa uma sessão extraordinária da Assembleia Geral da OEA para terça-feira com o objetivo de estudar os próximos passos. Os governos da Bolívia e da Venezuela também rejeitaram energicamente o golpe militar. O presidente venezuelano Hugo Chávez, chamou o movimento de “golpe troglodita” e pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condene abertamente a deposição do presidente hondurenho. Evo Morales conclamou a comunidade internacional e os movimentos sociais a condenarem essa “aventura anti-democrática”.
O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou por sua vez que as disputas internas de Honduras devem ser resolvidas de forma pacífica. "Quaisquer tensões e disputas existentes devem ser resolvidas pacificamente e através do diálogo, livre de qualquer interferência externa", declarou Obama. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apelou para que todos os partidos em Honduras respeitem as Constituições e as leis desse país. Já o embaixador norte-americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, afirmou que "o único presidente que os EUA reconhecem em Honduras é o presidente Manuel Zelaya". Diplomatas norte-americanos já estariam trabalhando para assegurar a segurança do presidente deposto e de sua família, a restauração da ordem constitucional e a volta de Zelaya à presidência do país.

domingo, junho 28, 2009

Difícil arte de ser mulher



Frei Betto

Hours concours em Cannes, um dos filmes de maior sucesso no badalado festival francês foi "Ágora", direção de Alejandro Amenabar. A estrela é a inglesa Rachel Weiz, premiada com o Oscar 2006 de melhor atriz coadjuvante em "O jardineiro fiel", dirigido por Fernando Meirelles.

Em "Ágora" ela interpreta Hipácia, única mulher da Antiguidade a se destacar como cientista. Astrônoma, física, matemática e filósofa, Hipácia nasceu em 370, em Alexandria. Foi a última grande cientista de renome a trabalhar na lendária biblioteca daquela cidade egípcia. Na Academia de Atenas ocupou, aos 30 anos, a cadeira de Plotino. Escreveu tratados sobre Euclides e Ptolomeu, desenvolveu um mapa de corpos celestes e teria inventado novos modelos de astrolábio, planisfério e hidrômetro.

Neoplatônica, Hipácia defendia a liberdade de religião e de pensamento. Acreditava que o Universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos que, em plena decadência do Império Romano, lutavam por conquistar a hegemonia cultural.

Em 415, instigados por Cirilo, bispo de Alexandria, fanáticos arrastaram Hipácia a uma igreja, esfolaram-na com cacos de cerâmica e conchas e, após assassiná-la, atiraram o corpo a uma fogueira. Sua morte selou, por mil anos, a estagnação da matemática ocidental. Cirilo foi canonizado por Roma.

O filme de Amenabar é pertinente nesse momento em que o fanatismo religioso se revigora mundo afora. Contudo, toca também outro tema mais profundo: a opressão contra a mulher. Hoje, ela se manifesta por recursos tão sofisticados que chegam a convencer as próprias mulheres de que esse é o caminho certo da libertação feminina.

Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher. Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é violentamente modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.

Onde há oferta de produtos - TV, internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos, e o merchandising embutido em telenovelas - o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas etc. É o açougue virtual. Hipácia é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos, e agora dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.

Segundo a ironia da Ciranda da bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, "Procurando bem / todo mundo tem pereba / marca de bexiga ou vacina / e tem piriri, tem lombriga, tem ameba / só a bailarina que não tem". Se tiver, será execrada pelos padrões machistas por ser gorda, velha, sem atributos físicos que a tornem desejável.

Se abre a boca, deve falar de emoções, nunca de valores; de fantasias, e não de realidade; da vida privada e não da pública (política). E aceitar ser lisonjeiramente reduzida à irracionalidade analógica: "gata", "vaca", "avião", "melancia" etc.

Para evitar ser execrada, agora Hipácia deve controlar o peso à custa de enormes sacrifícios (quem dera destinasse aos famintos o que deixa de ingerir...), mudar o vestuário o mais frequentemente possível, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade (e pensar que este ramo da medicina foi criado para corrigir anomalias físicas e não para dedicar-se a caprichos estéticos).

Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão. E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).

Na guerra dos sexos, historicamente é o homem quem dita o lugar da mulher. Ele tem a posse dos bens (patrimônio); a ela cabe o cuidado da casa (matrimônio). E, é claro, ela é incluída entre os bens... Vide o tradicional costume de, no casamento, incluir o sobrenome do marido ao nome da mulher.

No Brasil colonial, dizia-se que à mulher do senhor de escravos era permitido sair de casa apenas três vezes: para ser batizada, casada e enterrada... Ainda hoje, a Hipácia interessada em matemática e filosofia é, no mínimo, uma ameaça aos homens que não querem compartir, e sim dominar. Eles são repletos de vontades e parcos de inteligência, ainda que cultos.

Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos? Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?

Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade.

Golpe de Estado em Honduras







Manuel Zelaya

Militares hondurenhos sequestram Zelaya
Tegucigalpa, 28 junho (ABN)

Os militares detiveram, este domingo, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que estaria sequestrado na base aérea, informou seu secretário privado, Enrique Reina, aos meios locais. “Militares levaram o presidente de sua casa para a força aérea. Estamos fazendo a denuncia internacional”, disse o secretário. Segundo uma testemunha entrevistada por Radiocadena Voces, quatro comandos de uns 200 soldados chegaram à residência do presidente às 6H (12H00 GMT), informou a AFP.

Os militares realizaram quatro disparos e depois sairam em três veículos rumo a base aérea.

Sua residência privada estava rodeada por dezenas de militares fortemente armados, confirmou um fotógrafo da AFP.

As retransmissões do canal 8 de televisão, governamental, sairão do ar. Momentos antes, o apresentador de noticias anunciou: “Parece que os militares vem até aquí”.

Segundos antes, chegou a pedir à população para se concentrar na praça da Liberdade.

Este domingo ia se levar a cabo uma pesquisa nas urnas, não vinculante, para realizar uma Reforma Constitucional.

sexta-feira, junho 26, 2009

Hai-Kai III







Carlos Henrique de Pontes Vieira

Michael Jackson

Artista completo
não era importante que
fosse branco ou preto
Erroll Garner (grande pianista de jazz)

Mágico da tecla
há longos anos o sigo
como humilde assecla
Disparate chileno

O algoz se apropria
da ideia de quem morreu
porque a defendia
Timoneiro

Em meio à procela
do apartheid, ecoa a voz
do líder Mandela.

Judeus e Palestinos

A dor esquecida
de seu próprio holocausto é
no outro imprimida.

Maior coerência

Do homem que é justo
é que se espera ser sábio,
não porque é vetusto.

Incompatibilidades

Ser pobre e culto
para a burguesa fútil
não condiz, é insulto.

Travesti

Tu, se o espancas,
temes desejar seu falo
mais que as suas ancas.

Eichmann (torturador nazista)

Bom pai e irmão
foi um covarde abjeto
e torpe malsão

Esconde-esconde

I

Rima e metáfora,
traquinas, de mim se escondem:
nada ou noves fora.

II

Olho para cima
tentando encontrá-las, ambas:
metáfora e rima.

III

Já é tarde e as duas
trapaceio depois que
fizeram das suas.

Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA)





Daniel, Evo, Chávez, Correa observam o desfile da Batalla de Carabobo

O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez Frías, sustentou esta quarta-feira que com a troca da denominação de Alternativa, por Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) e com os novos projetos surgidos durante a VI Cúpula, começa uma nova dinâmica para esse mecanismo de integração regional.
___________________________________________________
Hai-Kai para a Alba e os quatro líderes.
Alba

A brava Aliança
em combate corajoso
nova ordem lança.

Ortega

Revolucionários
são do teu breve ensaio
todos tributários.

Morales

Brilhante e sagaz
Tuxaua de um povo livre
Evo de La Paz.

Chàvez

Sua estrela brilha
orientando os novos rumos
que a América trilha.

Correa

É faixa que une
povo em virtuosa luta e
velhos chacais pune.
Homenagem de Carlos Henrique de Pontes Vieira

terça-feira, junho 23, 2009

Hai-Kai II







Carlos Henrique de Pontes Vieira


Chacais

Os capitalistas
de olho no voto se tornam
todos socialistas.

Memórias

De todas guardadas
aquelas mais caras são
as compartilhadas.

Afinidades

Quando se encontram,
em pacto amistoso a criança
e o cão se entreolham.

Sabotagem

De Nietzsche, a lição:
o fraco é quem mina o forte
e ganha adesão.

In

A Leila é quem D(in)iz:
a vida só faz sentido
se é pra ser feliz.

Comandante

Fidel Castro Ruz
de Cuba, força moral,
farol, fanal, luz

Impressão

Meu menino, franco,
pensou que o mundo antes
fosse em preto e branco

América

Latina, Ibérica
de Garcia Márquez, terra
surreal, feérica.

Flora Tristan

Brava flor de França
que tua força e tua luta
grassem confiança.

Marilyn

Os teus assassinos
não tiveram melhor sorte
nem outros destinos.

Esqueceram de mim ou o Fracasso do G-20





Frei Betto

Meu nome é miséria. Comprometo, hoje, a vida de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, sobretudo crianças desnutridas, vulneráveis à morte precoce.

Tinha esperança de que na reunião em Londres, no início de abril, o G-20, que reúne as 20 maiores economias do planeta, se lembrasse de mim. Hoje, devido à indiferença dos que governam o mundo, ameaço a maioria da população da África, cuja situação é agravada por cerca de 25 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV. Em menor proporção, estou presente também na Ásia e na América Latina.

No Brasil, sou encontrada a olhos vistos no Vale do Jequitinhonha (MG), na fronteira entre Alagoas e Pernambuco, no interior do Maranhão e do Pará, nas tribos indígenas e entre a população quilombola. E, de modo aberrante, nas favelas que circundam as grandes cidades.

Esperava que o G-20, frente à crise financeira mundial, fosse destinar recursos para reduzir a minha incidência global. Segundo as Metas do Milênio, da ONU, bastariam US$ 500 bilhões para erradicar a fome crônica que, hoje, castiga 950 milhões de pessoas.

Os governantes do G-20 sofrem de hiperopia, o contrário da miopia: enxergam muito mal de perto. Em vez de debaterem como livrar o mundo da minha presença, decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para "salvar o mercado", entenda-se, FMI, BID, Banco Mundial, grandes empresas e bancos - os responsáveis pela crise.

O capitalismo neoliberal deu um tiro no próprio pé. Agora apela aos cofres públicos para socorrer os "pobres" miliardários que costumam transformar a injeção de recursos em bônus astronômicos aos executivos de empresas sob risco de falência.

Que decepção o G-20! Pensei que daria fim aos paraísos fiscais. Em vez de fechar o bordel, decidiu divulgar o nome de seus frequentadores. Viva o império dos laranjas! Já deve ter gente abrindo empresas capazes de dividir a grana do narcotráfico e da corrupção em porções mais palatáveis.

Por que o G-20 não proibiu governos, empresas e pessoas físicas de terem ativos em paraísos fiscais ou de se associarem a instituições ali estabelecidas? A resposta é óbvia: encarregou a raposa de manter fechado o galinheiro...

Vários países europeus são verdadeiros Éden para as finanças escusas: Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, a City de Londres etc. Quem garante que esses feudos de riqueza ilícita (no mínimo, sonegadora de impostos em seus países de origem) vão mesmo quebrar o sigilo bancário de seus clientes, como quer o G-20?

E por que entregar toda essa fortuna de US$ 1,1 trilhão ao FMI, de triste memória? Todos sabemos tratar-se de uma instituição atrelada à Casa Branca e à política exterior usamericana; mete o nariz nas finanças dos países que lhe tomam dinheiro emprestado; impõe medidas econômicas que favorecem privatizações, aumento da desigualdade social, oligopolização de empresas e bancos etc.

Em suma: os contribuintes, ou seja, o povo, que mais paga impostos, está compulsoriamente convocado a canalizar fortunas para tentar aplacar a crise financeira dos donos do mundo. Estes temem que, sem crédito, os países emergentes deixem de comprar produtos manufaturados das nações ricas, aumentando o desemprego, e sigam o exemplo do Equador, que decretou moratória enquanto durar a crise.

Antes de pensar em contribuir com US$ 10 bilhões para a "vaquinha" do FMI, o Brasil deveria curar-se da hiperopia e olhar um pouco mais para mim: com esse recurso eu seria progressivamente erradicada e haveria aqui mais educação, menos violência urbana e, portanto, mais qualificação profissional e menos desemprego.

Em vigência o TLC entre Guatemala e Panamá







Nesta segunda (22) foi efetivado o Tratado de Livre Comércio (TLC) entre Guatemala e Panamá. O convênio foi firmado em fevereiro deste ano depois de quase dez anos de negociações. O Ministério da Economia guatemalteco chamou a imprensa para a cerimônia protocolar em sua sede, onde o titular da pasta, Rubén Morales, realizou o anúncio oficial.

O ministro destacou que o setor dos alimentos será o mais beneficiado, já que, segundo disse, "a indústria guatemalteca de alimentos é mais desenvolvida e possui um bom mercado no Panamá".

Também falou das melhores oportunidades em outras áreas industriais, como pinturas, construção e inversão.

Acrescentou que buscará estimular aos empresários guatemaltecos para que busquem oportunidades nos setores agrícolas e de grãos básicos.

Sustentou, ainda, que um dos setores que mais interessa aos empresários panamenhos é o dos serviços financeiros.

sexta-feira, junho 19, 2009

Reciprocidade ou Morte



Leonardo Boff

Desde que os seres humanos decidiram viver juntos, estabeleceram um contrato social não escrito pelo qual formularam normas, proibições e propósitos comuns que permitissem uma convivência minimamente pacífica.

Depois surgiram os pensadores que lhe deram um estatuto formal como Locke, Kant e Rousseau. Todos esses contratos históricos têm um defeito: supõem indivíduos nus e acósmicos, sem qualquer ligação com a natureza e a Terra. Os contratos sociais ignoram e silenciam totalmente o contrato natural. Mais ainda, a partir dos pais fundadores da modernidade, Descartes e Bacon, implantou-se a ilusão de que o ser humano está acima e fora da natureza com o propósito de domínio e posse da Terra. Este projeto continua a se realizar mediante a guerra de conquista seguida pela apropriação de todos os recursos e serviços naturais. Atrás sempre fica um rastro de devastação da natureza e de desumanização brutal. Antes se fazia guerra e apropriação de regiões ou povos. Hoje conquistaram-se todos os espaços e se conduz uma guerra total e sem tréguas contra a Terra, seus bens e serviços, explorado-os até a sua exaustão. Ela não tem mais descanso, refúgio ou espaço de recuo.

A agressão é global e a reação da Terra-Gaia está sendo também global. A resposta é o complexo de crises, reunidas no devastador aquecimento global. É a vingança de Gaia.

Não temos outra saída senão reintroduzir consciente e rapidamente o que havíamos deixado para trás: o contrato natural articulado com o contrato social. Trata-se de superar nosso arrogante antropocentrismo e colocar todas as coisas em seu lugar e nós junto delas como parte de um todo.

Que é o contrato natural? É o reconhecimento do ser humano de que ele está inserido na natureza, de quem tudo recebe, que deve comportar-se como filho e filha da Mãe Terra, restituindo-lhe cuidado e proteção para que ela continue a fazer o que desde sempre faz: dar-nos vida e os meios da vida. O contrato natural, como todos os contratos, supõe a reciprocidade. A natureza nos dá tudo o que precisamos e nós, em contrapartida, a respeitamos e reconhecemos seu direito de existir e lhe preservamos a integridade e a vitalidade.

Ao contrato exclusivamente social, devemos agregar agora o contrato natural de reciprocidade e simbiose. Renunciamos a dominar e a possuir e nos irmanamos com todas as coisas. Não as usamos simplesmente, mas, ao usá-las quando precisamos, as contemplamos, admiramos sua beleza e organicidade e cuidamos delas. A natureza é o nosso hospedeiro generoso e nós seus hóspedes agradecidos. Ao invés de uma trégua nesta guerra sem fim, estabelecemos uma paz perene com a natureza e a Terra.

A crise econômica de 1929 sequer punha em questão a natureza e a Terra. O pressuposto ilusório era de que elas estão sempre ai, disponíveis e com recursos infinitos. Hoje a situação mudou. Já não podemos dar por descontada a Terra com seus bens e serviços. Estes mostraram-se finitos e a capacidade de sua reposição já foi ultrapassada em 40%.

Quando esse fator é trazido ao debate na busca de soluções para a crise atual? Somos dominados por economistas, em sua grande maioria, verdadeiros idiotas especializados - Fachidioten - que não vêem senão números, mercados e moedas esquecendo que comem, bebem, respiram e pisam solos contaminados. Quer dizer, que só podem fazer o que fazem porque estão assentados na natureza que lhes possibilita fazer tudo o que fazem, especialmente, dar razões ao egoísmo e às barbaridades que a atual economia faz prejudicando milhões e milhões de pessoas e que vai minando a base que a sustenta.

Ou restabelecemos a reciprocidade entre natureza e ser humano e rearticulamos o contrato social com o natural ou então aceitamos o risco de sermos expulsos e eliminados por Gaia. Confio no aprendizado a partir do sofrimento e do uso do pouco bom senso que ainda nos resta.

Chàvez convidou Obama a se unir ao socialismo








Hugo Chàvez Frias


Caracas, 18 Jun. ABN. Esta quinta-feira o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez Frías, conclamou seu homólogo estadunidense Barack Obama a se unir à verdadeira mudança da economia mundial, que é o socialismo.

O convite foi feito durante a transmissão do segundo Alô, Presidente Teórico, a propósito da conversa que manteve com a comunidade do Cacique Tiuna em Caracas, sobre a propriedade e os novos conceitos de produção e socialismo.

O Mandatário nacional fez referência a uma das estratégias implementadas pela administração Obama para controlar a taxa de juros dos cartões de crédito, com a finalidade de proteger o povo dos Estados Unidos do declive econômico mundial, “reconheço as boas intenções de Obama, mas te digo de uma vez por todas: venha ao socialismo. Obama, une-te ao socialismo para ver se transformamos o mundo de verdade”.

"Graças a que Venezuela chegou o socialismo, se tomaram medidas oportunas, a economia e a banca nacionais estão saudáveis, em comparação com as de outras partes do mundo", asseverou Chávez.

"Em tal sentido é que reitero a Obama que o capitalismo é a perdição do mundo”.

quinta-feira, junho 18, 2009

Brasileiros no mundo


Vídeo do Ministério das Relações Exteriores sobre emigrantes brasileiros, que se estima em 3 milhões, em várias partes do mundo. Para conferir, clicar no site :
http://www.youtube.com/watch?v=Q5R_3RMZdkY&feature=channel_page

quarta-feira, junho 17, 2009

Moneda común para Petrocaribe










El presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, colocó en la mesa de debate la sugerencia de crear una moneda común para Petrocaribe, durante la clausura de la cuarta cumbre de este organismo de integración regional.

“Tal como en el Alba (Alternativa Bolivariana para los pueblos de nuestra América), se acordó el Sucre (sistema único de compensación regional) para facilitar el intercambio. Nosotros podemos crear una (moneda) para Petrocaribe a la cual podemos denominar El Petro”, precisó este viernes el Mandatario Nacional en San Cristóbal y Nieves, lugar caribeño donde se desarrolló dicha cumbre.

A juicio del jefe de Estado venezolano, se trata de crear un mecanismo que permita “liberarnos de la tiranía del dólar y facilitar el intercambio entre nuestros pueblos”.

Asimismo, instó a la comisión encargada de la creación del Fondo de Petrocaribe, el cual contará con 50 millones de dólares, a que inicien las investigaciones económicas y financieras necesarias para determinar la viabilidad de la conformación de la moneda común.

Otro tema a evaluar es el fortalecimiento de la integración a través de intercambio comercial, más allá de energético, para la conformación de cadenas productivas.

“Debemos trabajar en un mapa donde se destaquen las potencialidades de cada país y planificar el encadenamiento productivo, rompiendo los límites y las fronteras entre nuestros países. No veo otra alternativa para lograr nuestra soberanía que hacerlo”, puntualizó el Presidente venezolano

terça-feira, junho 16, 2009

Ave Maria latino-americana




Frei Betto

Ave Maria
grávida das aspirações de nossos pobres,
o Senhor é convosco
bendita sois vós entre os oprimidos,
benditos os frutos de libertação do vosso ventre.

Santa Maria
mãe lationo-americana rogai por nós
para que confiemos no Espírito de Deus,
agora que o nosso povo assume a luta por justiça
e na hora de realizá-la em liberdade para um tempo de paz.
Amém!

segunda-feira, junho 15, 2009

Socialismo, contradições e perspectivas




Frei Betto

O socialismo é estruturalmente mais justo que o capitalismo. Porém, em suas experiências reais não soube equacionar a questão da liberdade individual e corporativa. Cercado por nações e pressões capitalistas, o socialismo soviético cometeu o erro de abandonar o projeto originário de democracia proletária, baseado nos sovietes, para perpetuar a maldita herança da estrutura imperial czarista da Rússia, agora eufemisticamente denominada "centralismo democrático".

Em países como a China é negada à nação a liberdade concedida ao capital. Ali o socialismo assumiu o caráter esdrúxulo de "capitalismo de Estado", com todos os agravantes, como desigualdade social e bolsões de miséria e pobreza, superexploração do trabalho etc.

Não surpreende, pois, que o socialismo real tenha ruído na União Soviética, após 70 anos de vigência. O excessivo controle estatal criou situações paradoxais, como o pioneirismo dos russos na conquista do espaço. No entanto, não conseguiram oferecer à população bens de consumo elementares de qualidade, mercado varejista eficiente e uma pedagogia de formação dos propalados "homem e mulher novos".

O socialismo caiu no engodo do capitalismo ao projetar o futuro da sociedade em termos de produção, distribuição e consumo. O objetivo dos dois sistemas se igualou, mudando apenas os meios: o primeiro, por força do estatismo; o segundo, a apropriação privada dos bens e do lucro.

O socialismo só se justifica, como sistema e proposta, na medida em que tem por objetivo, não o bom funcionamento da economia, e sim das relações humanas: a solidariedade, a cooperação, o respeito à dignidade do outro, o fim de discriminações e preconceitos, enfim, a prevalência dos bens infinitos sobre os bens finitos.

Nesse cenário, Cuba é uma exceção e um sinal de esperança. Trata-se de uma quádrupla ilha: geográfica, política (é o único país socialista da história do Ocidente), econômica (devido ao bloqueio imposto criminalmente pelo governo dos EUA) e órfã (com o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, em 1989, perdeu o apoio da extinta União Soviética).

O regime cubano é destaque no que concerne à justiça social. Prova disso é o fato de ocupar o 51º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) estabelecido pela ONU (o Brasil é o 70º) e não apresentar bolsões de miséria (embora haja pobreza) nem abrigar uma casta de ricos e privilegiados. Se há quem se lance no mar na esperança de uma vida melhor nos EUA, isso se deve às exigências, nada atrativas, de se viver num sistema de partilha. Viver em Cuba é como habitar um mosteiro: a comunidade tem precedência sobre a individualidade. E se exige considerável altruísmo.

Quanto à liberdade individual, jamais foi negada aos cidadãos, exceto quando representou ameaça à segurança da Revolução ou significou empreendimentos econômicos sem o devido controle estatal. É inegável que o regime cubano teve, ao longo de cinco décadas (a Revolução completou 50 anos, em 1º de janeiro deste ano), suas fases de sectarismo, tributárias de sua aproximação com a União Soviética.

Porém, jamais as denominações religiosas foram proibidas, os templos fechados, os sacerdotes e pastores perseguidos por razões de fé. A visita do papa João Paulo II à Ilha, em 1998, e sua apreciação positiva sobre as conquistas da Revolução, mormente nas áreas de saúde e educação, o comprovam.

No entanto, o sistema cubano dá sinais de que poderá equacionar melhor a questão de socialismo e liberdade através de mecanismos mais democráticos de participação popular no governo, de interação entre Estado e organizações de massa, maior rotatividade no poder, para que as críticas ao regime possam chegar às instâncias superiores sem serem confundidas com manifestações contrarrevolucionárias.

Sobretudo na área econômica, Cuba terá de repensar seu modelo, facilitando à população acesso à produção e consumo de bens que englobam desde o pão da padaria da esquina às parcerias de empresas de economia mista com investimentos estrangeiros.

No socialismo não se trata de falar em "liberdade de" e sim em "liberdade para", de modo que esse direito inalienável do ser humano não ceda aos vícios capitalistas que permitem que a liberdade de um se amplie em detrimento da liberdade de outros. O princípio "a cada um, segundo suas necessidades; de cada um, segundo suas possibilidades" deve nortear a construção de um futuro socialista em que o projeto comunitário seja, de fato, a condição de realização e felicidade pessoal e familiar.

Honduras: Nova Constituição






Organizações se articulam para debater sobre uma Nova Constituição

O Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh) realiza de hoje (12) até 14, o Encontro Nacional pela Refundação de Honduras. O encontro ocorre nas instalações do Instituto Departamental do Ocidente Costado do Estádio Local da Esperança

Um dos objetivos do evento é compartilhar com os participantes as diversas experiências de assembleias constituintes recentes e exitosas que aconteceram na América Latina. Para isso, participaram como convidados representantes de Bolívia, El Salvador e Equador para trocar experiências relativas aos processos que caminharam até uma Nova Constituição para os países e povos.

Segundo o comunicado do Conselho, o evento iniciará "um processo de consulta, reflexão e análise com representantes de amplos setores da sociedade hondurenha em torno da constituição e alcance de uma Assembleia Nacional Constituinte Popular e Democrática e do sonho que pode ser a Refundação do País".

Ademais de recolher dos representantes de amplos e diversos setores da sociedade hondurenha, as iniciativas, ideias e inquietudes encaminhadas a construir uma proposta do que pode ser uma Assembleia Nacional Constituinte Popular e Democrática, inclui, equitativa, participativa, informada, transparente e diversa.

sexta-feira, junho 12, 2009

Hai-Kai I







Carlos Henrique de Pontes Vieira

O outro

Olhe-o longamente
E a sua humanidade
Verá de repente!

Pedofilia

Como vive a criança,
Alma e coração frágeis,
Quebrada a confiança?

Inebriante

A insustentável
Leveza do ser após
O beijo inefável

Holocaustos

Por nos esquecer,
Peco ao perguntar se Deus
Sofre de Alzheimer?

Musa

Em minha Opinião
Nara era muito mais
Pássaro que Leão.

Patrão

O brioso cristão
Vive a passar a mão
No inocente irmão.

Casamento

Melhor se os casais
Não escutassem os seus
Ruídos matinais.

Eterna juventude

A Evita me dita
Da juventude, o segredo:
Cedo a desdita.

Circo
Da quase hipnose
O expectador explode em
Riso ou apoteose

O artista...
Tem necessidade
De arte para expressar a
Sua perplexidade.

quinta-feira, junho 11, 2009

CEPAL: PIB da A.L. e do Caribe cairá 1,7% em 2009

A forte diminuição da demanda, tanto interna como externa, no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009, impactou a economia dos países da América Latina e do Caribe. Por isso, a Cepal estima que o PIB da região cairá 1,7% em 2009.

Diferentemente de crises anteriores, os países estão menos endividados e possuem mais reservas internacionais, ao passo que os sistemas financeiros regionais apresentam um grau de exposição externo relativamente baixo. Por isso, nesta oportunidade não são problemas financeiros os que têm afetado a região mais rapidamente e com maior profundidade.

Pelo contrário, os impactos mais fortes provêm do canal real. Particularmente, na última parte de 2008 e nos primeiros meses deste ano se observam uma significativa diminuição dos fluxos de comércio internacional, uma deterioração dos termos de intercâmbio e uma diminuição das remessas, elementos que haviam impulsionado o crescimento regional nos últimos anos.

Somou-se a isso a elevada incerteza sobre o desenvolvimento da crise e a deterioração nas expectativas sobre a recuperação das economias. Posteriormente foram agregados os efeitos que a propagação do vírus "Influenza" humana terá na atividade econômica de alguns países, especialmente no desempenho de setores como o turismo, já afetado pela diminuição esperada no fluxo de turistas provenientes de países desenvolvidos.

A Cepal estima que a recuperação das economias na região poderia começar no segundo semestre de 2009, ainda partindo de níveis muito inferiores aos registrados no primeiro semestre de 2008.

No próximo dia 15 de julho, a Cepal lançará seu Estudo econômico da América Latina e do Caribe 2008-2009, no qual se publicará uma análise detalhada sobre a evolução econômica em nível regional e por países.

quarta-feira, junho 10, 2009

O caminho além da OEA

Nidia Díaz (Savaldorenha)

A resolução da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) que anulou sem condicionamentos a sanção de expulsão de Cuba neste organismo, imposta pelo governo dos EUA há 47 anos na reunião de consulta de chanceleres de Punta del Este, no Uruguai, foi não só uma vitória da firme resistência do povo cubano durante quase meio século, mas também evidenciou a abrangência e fortaleza das mudanças acontecidas na América Latina e no Caribe, transformando o mapa político deste outrora "quintal" do imperialismo norte-americano, ao passo que demonstrou a decadência e perda irremediável da influência política e das possibilidades de pressão e chantagem que até o momento caracterizaram as relações de Washington com os países da área.

Os resultados da Assembleia da OEA em San Pedro Sula, Honduras, e da maneira que se desenvolveram os acontecimentos que levaram à histórica resolução, patentearam, por outro lado, que a presença dos Estados Unidos em qualquer organismo que reúna as nações latinoamericanas e caribenhas é um obstáculo e elemento de coerção e ameaças com o propósito de ganhar o apoio e a justificação para seus interesses egoístas.

Por tal motivo, confirma-se, mais uma vez e com maior força - e em San Pedro Sula teve sua máxima expressão - a necessidade de que os países da América Latina e do Caribe tenham seu próprio âmbito de deliberação, integração e defesa de seus interesses comuns, pois os governos de turno, sem dúvida, continuarão apoiando a OEA e contribuindo com 60% do orçamento; pois eles necessitam continuar utilizando a OEA como instrumento de dominação.

A brilhante intervenção do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, na sessão de encerramento, pode considerar-se peça antológica, que recolheu, com linguagem direta e clara, a decisão atual dos povos latino-americanos e caribenhos a favor de uma verdadeira soberania e de conquistar realmente uma segunda independência. Zelaya se referiu à própria carta fundacional da OEA para esclarecer o direito inalienável de cada nação de estabelecer o regime político que livremente adotar, sem intervenções de nenhum tipo, com o qual evidenciou a falácia daqueles que pretendem impor um único tipo de democracia e um único tipo de sociedade aos nossos povos; prestou uma homenagem de respeito e admiração ao povo de Cuba, à Revolução cubana e ao seu líder, Fidel Castro, pelo exemplo de resistência e dignidade dado à América Latina e ao mundo em geral, sem o qual não tivesse sido possível este desenlace.

Embora o governo dos EUA e a mídia afim tentassem negá-lo, a resolução sobre Cuba adotada nesta Assembleia, paradoxalmente, traz à baila as contradições manifestas entre a própria Carta da OEA - documento fundamental e básico dessa organização - e outras declarações e acordos que, em anos seguintes, foram adotadas em seus fóruns, sob pressão ianque e com a cumplicidade de governos fantoches e ditaduras militares como a conhecida Carta Democrática Interamericana de 2001, cujo conteúdo excludente e impositivo nega os mesmos direitos que o documento fundacional diz reconhecer.

A recém-eleita administração Obama recebeu uma lição inesquecível do que é capaz a unidade, a firmeza e a dignidade das nações latino-americanas e caribenhas, quando nelas lideram governos decididos a representarem e defenderem os mais genuínos interesses dos povos, entre os quais merecem especial menção os que atualmente fazem parte da Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) que tiveram um papel destacado nesta Assembleia e em todo o processo que levou a estes resultados.

Depois de quase cinco décadas, e contrariamente ao que foram as intenções do regime imperial e sua política de bloqueio, agressão, sabotagem e terrorismo ao longo deste período, foi precisamente a Revolução Cubana que propiciou com este acordo reivindicador de San Pedro Sula, a confirmação de que uma nova etapa abre caminho para os povos latino-americanos e caribenhos e que Washington não está em condições de impedi-lo em meio a sua aguda crise moral, econômica e social.

Premonitórias foram as palavras contidas na Segunda Declaração de Havana, que em data tão longínqua como 4 de fevereiro de 1952, o povo de Cuba aprovou na Praça da Revolução, como resposta à infame sanção da OEA em Punta del Este.

A Revolução Cubana chega a este momento firme e erguida, sem fazer concessões e apegada à defesa de seus princípios e direitos, diante de todas as agressões e adversidades, continuando o curso histórico que legaram os próceres de uma nação que sempre enfrentou os mais poderosos interesses que pretenderam destruí-la.

O grande mérito desta justa reivindicação é - como expressou o presidente Zelaya - do heróico povo cubano e seu guia Fidel Castro, que tem liderado esta luta com decisão e audácia, com inteligência e sabedoria, além disso, de todos os que em qualquer canto da América empreendem a Segunda Independência, que hoje assoma e nos convoca a continuar defendendo-a.

Com certeza, o caminho aberto em San Pedro Sula vai além da OEA.

terça-feira, junho 09, 2009

Lugo elogia lazos con Cuba






Lugo elogia lazos con Cuba al concluir visita. Se reunió con el líder cubano Fidel Castro

El Presidente paraguayo, Fernando Lugo, elogió el estado de los lazos con Cuba poco antes de concluir ayer su primera visita oficial a este país en su alta investidura. Este es el momento de relaciones más abiertas, profundas y solidarias, expresó Lugo a los periodistas en el habanero aeropuerto José Martí antes de viajar a Asunción.

Culminó así una estancia de dos días, en la que se reunió con el líder cubano Fidel Castro, con quien conversó sobre los programas de cooperación entre ambos países durante aproximadamente dos horas, y sostuvo un cálido encuentro con el General de Ejército Raúl Castro Ruz, Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros.

Nos encontramos satisfechos, especialmente en las líneas de cooperación en salud y educación, con el método cubano de alfabetización Yo, sí puedo, afirmó.

Vimos una Cuba diferente, crecida y recuperada en sus edificios históricos, señaló el ex obispo católico, quien recorrió la víspera el centro histórico de La Habana, Patrimonio Cultural de la Humanidad desde 1982.

Puntualizó que las conversaciones de los integrantes de su delegación con las autoridades locales fueron muy buenas, al tiempo que destacó el apoyo de La Habana para la formación universitaria de más de 800 paraguayos, especialmente en Medicina.

El dignatario indicó que le llamó la atención esa Cuba fraterna, que sabe dar lo que tiene, a pesar de sus dificultades, lo cual es un signo de madurez política. El canciller Bruno Rodríguez Parrilla acudió a la Terminal aérea a darle la despedida al mandatario paraguayo.

segunda-feira, junho 08, 2009

Europa à direita, América Latina à esquerda




Emir Sader

Foram os europeus que inventaram a expressão “esquerda”, foram eles que nos exportaram seus grandes teóricos, foram sempre eles as referências para as esquerdas de outras regiões do mundo, durante mais de um século e meio. Agora a Europa se torna um bastião da direita, a esquerda européia vive seu momento de maior debilidade desde que o termo foi inventado, enquanto a esquerda se fortalece na América Latina.

Partidos tradicionais de esquerda desfigurados, com tantos deles tendo aplicado rigorosamente políticas neoliberais – como os casos da Espanha, da França, da Inglaterra, da Alemanha, entre tantos outros. Sindicatos muito debilitados, devido às políticas de “flexibilização laboral”, ao desemprego, à exploração chovinista contra os trabalhadores imigrantes. Esquerda radical isolada, dividida. Cenário ideológico dominado pela direita e até mesmo pela extrema direita.

Um continente que vive bem, mais distante do que nunca do que vive a periferia, que não quer mudar, que culpa suas vítimas pelos seus problemas – imigração, “terrorismo”. Um continente que preferiu consolidar sua aliança subordinada com os EUA, do que aliar-se à periferia na luta por um mundo melhor.

Votam à direita, com hegemonia conservadora, porque são os grandes vencedores da globalização neoliberal, enquanto a América Latina vota à esquerda, porque somos vítimas dessa globalização. Enquanto eles rejeitam a esquerda, a América Latina reivindica e trata de reinventá-la. Enquanto eles rejeitam o marxismo, o pensamento critico latinoamericano busca aplicá-lo criativamente. Enquanto eles reforçam o capitalismo de forma conservadora e autoritária, com políticas duras contra a imigração, países latinoamericanos – como a Bolívia e o Equador – reivindicam a seus imigrantes e elegem representantes seus para suas constituintes e seu sistema política de Estados refundados. Enquanto eles projetam lideres direitistas e autoritários como Sarkozy, Berlusconi, Merkel e se representam neles, a América Latina exibe a imagem dos 5 presidentes latinoamericanos de mão dadas ao alto no Fórum Social Mundial – Evo Morales, Rafael Correa, Lula, Hugo Chavez, Fernando Lugo -, todos outsiders da política tradicional, que começam a construir o “outro mundo possível”.

A Europa se transformou em um bastião do conservadorismo no mundo, substituindo a tradicional postura solidária da esquerda no pós-guerra, pelo egoísmo consumista de agora. Promoveu sua integração para se posicionar melhor no mercado mundial, para virar mais ainda um continente fortaleza, fechado sobre si mesmo.

Enquanto a América Latina promove processos de integração solidária, que permitem terminar com o analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, devolver à visão a quase dois milhões de latinoamericanos, formas as primeiras gerações de médicos pobres – através da Alba. Forma um banco da região – o Banco do Sul -, para financiar nossos próprios projetos. Constitui o Conselho Sulamericano de Defesa, para resolver os conflitos internos dentro da própria região e fortalecer a segurança da região frente às ameaças externas.

A eleição e posse recentes de Mauricio Funes, em El Salvador, apenas confirma essa tendência latinoamericano de buscar na esquerda – moderada ou radical – a solução para seus problemas e a vida de superação do neoliberalismo, forjado e exportado do centro do capitalismo para nossos países e assumido por governos aliados do centro do capitalismo. Enquanto a América Latina privilegia a unidade do Sul do mundo, contra o neocolonialismo e a dominação imperial do centro.

A Europa se torna uma espécie de museu, congelada, buscando estar de costas para o novo mundo que procuramos construir. Nós, America Latina, um laboratório de experiências de construção desse novo mundo.

Dados para conhecer melhor a Venezuela







*IDH= Indice de Desenvolvimento Humano
*IDH= esperança de vida+ nivel educativo+ renda per capita
-aumento do IDH desde 1998: 27,7%
-aumento do gasto social desde 1998: 1.641%
-gasto social/PIB: 1998- 11,2%; 2007: 20,2%
-extrema pobreza: 1999:20,1%; 2007: 9,5%
-desemprego: 1999: 16,6%; 2007: 7%
*PAE= Programa de Alimentação Escolar
-beneficiados pelo PAE: 1998: 252 mil; 2008:1.217.000;
-aposentados com pensão: 1999: 387 mil; 2008: 1.217.000;
-medicos de atenção primaria: 1998: 1.628; 2007: 19.571
*MBA= Missão Bairro Adentro
-vidas salvas pela MBA: 2003: 8733; 2008: 91.663
*PIB= Produto Interno Bruto:
-2004: 18,3%;2005: 10,3%;2006: 10,3%;
-2007: 8,4%; 2008: 8%
-apoio ao presidente Hugo Chávez: 68,8%;
-apoio ao governo: 54%
-não confiam nos noticiarios da televisão: 66%;
-não confiam na imprensa: 58%;
-não confiam nas ONGs: 72%.

domingo, junho 07, 2009

Soneto para a Senhora de Éfeso












Caique, Gilda, Alice, Inez, José Joaquim, Mércia, Heloisa e Deoclécio em frente à Casa de Nossa Senhora em Éfeso

Dedicado à Alice Frota de Almeida

Quantos anos tinha a jovem Senhora
De tão tenra idade ao dar a luz
A quem das luzes é príncipe agora
Cujos sofreres não fizeram jus?

Na tua morada simples em Éfeso
Onde contemplo o mistério e rezo
Comove-me a história de dor
De quem não fez mais que doar amor.

Sentado, absorto, me extasia
O singelo que tem sua força e peso:
Diante de tão pequena abadia,

Impressionado e cheio de alegria
Fico quando sinto firme e aceso
O bem daquela que é flor de poesia.

Carlos Henrique de Pontes Vieira

Soneto para um deus vil







Carlos Henrique de Pontes Vieira

Dedicado a Carlos Marx e Frederico Engels
Monstro de cem patas que enfim encarna
O anjo maligno, o satanás
Onde vai, contagia como sarna
E um rastro de miséria sempre traz

Nada do que existe lhe escapa
Como um Midas pervertido o que toca
Avilta, degenera e solapa
A todos que sem exceção derroca

Só que o mal é exímio sedutor
Poucos percebem suas artimanhas
E o capital, deus vil e impostor,

Implacável segue encantador
Corroendo da sociedade as entranhas
Que reage adorando-o com fervor.

sexta-feira, junho 05, 2009

Vargas Llosa sigue dudando de la inteligencia del pueblo latinoamericano

Caracas, 28 May. ABN.- Sigue equivocándose, no sabe pensar, tiene una cultura política frágil y transitoria, y para colmo sus decisiones electorales reflejan su “profundo subdesarrollo”. Así es el pueblo Latinoamericano para el 'ilustre' escritor Mario Vargas Llosa, quien con su biblia del neoliberalismo y sus prédicas de libre mercado llegó a Venezuela para “evangelizar” con su verbo iluminador las cortas mentes de la oposición venezolana, durante un encuentro calificado por la prensa internacional como un “Congreso antichavista”. Vargas Llosa, padre (sí, el hijo también vino) sugirió que los gobiernos progresistas de América Latina habían llegado al poder no por convicción sino gracias a la ignorancia de los votantes. “Yo creo que en muchos de esos desaciertos electorales lo que se expresa es un profundo subdesarrollo latinoamericano y la frustración y el desencanto de unas mayorías defraudadas”. Y es que para el escribidor de la Tía Julia, en el caso venezolano hasta la oposición es atolondrada. Porque la culpa de que el pueblo haya apoyado en repetidas oportunidades el socialismo del Presidente Hugo Chávez Frías es de una oposición que no sabe cómo explicarle al pueblo las bondades del capitalismo, modelo económico responsable de la crisis financiera mundial que ha generado sólo en Estados Unidos más de 6 millones de desempleados. No contento con eso, el defensor de las “libertades democráticas” dudó que la democracia necesitara estar cimentada en la voluntad popular o en las instituciones, sino en las “ideas” que defiende su menguado cónclave pro capitalista. Y tan convencido está de la superioridad de su criterio que se sintió con la propiedad suficiente para cuestionar la decisión que las mayorías en Venezuela. “Si un pueblo vota de una manera que nosotros consideramos equivocada ¿qué es lo que está fallando'”. Tan desdeñado sigue siendo este continente para Vargas Llosa que quizás por eso haya renunciado a su nacionalidad peruana para ser llamado 'escritor español'.

¿Cuba en la OEA?












Atilio Borón

Luego de 47 años la 39ª Asamblea General de la OEA selló ayer un acuerdo para derogar por unanimidad la exclusión de Cuba aprobada en 1962. La resolución no impone condiciones a Cuba, aunque establece mecanismos que deberían ponerse en marcha en (el improbable) caso de que La Habana expresara su deseo de retornar a la OEA. La noticia da pie a diversas consideraciones.

Primero, la resolución es un síntoma de los grandes cambios que han tenido lugar en el panorama sociopolítico de América Latina y el Caribe en los últimos años y cuyo signo distintivo es la persistente erosión de la hegemonía norteamericana en la región. La derogación de aquella ignominiosa resolución impuesta por la administración Kennedy revela la magnitud de las transformaciones en curso y que la Casa Blanca acepta a regañadientes.

De este modo se repara –si bien tardía y parcialmente- una decisión de inmoralidad manifiesta y que ha pesado como un intolerable baldón sobre la OEA y sobre los gobiernos que con sus votos, o su abstención, facilitaron los planes del imperialismo norteamericano. Este, al no poder derrotar militarmente a la Revolución Cubana en Playa Girón optó por erigir un “cordón sanitario” para evitar que sus influjos emancipadores se contagiaran a los demás países del área. Intento que, por cierto, fracasó rotundamente.

Segundo, el debilitamiento de su hegemonía no significa que Estados Unidos renuncie a apoderarse, por otros medios, de los recursos y las riquezas de nuestros países o a tratar de controlar a nuestros gobiernos apelando a otros expedientes. Sería un error imperdonable pensar que debido a este declive de su capacidad de dirección política -e intelectual y moral a la vez- el imperialismo depondrá sus armas y comenzará a relacionarse con nuestros países en un pie de igualdad. Todo lo contrario: ante el declinar de su hegemonía su respuesta fue nada menos que la activación de la Cuarta Flota, con el propósito de lograr por la fuerza lo que en el pasado obtenía por la sumisión o complicidad de los gobiernos de la región. Y Obama no ha emitido la menor señal de que piensa cambiar esa política.
Tercero: Cuba, así como los demás países de Nuestra América, nada tienen que hacer en la OEA. Tal como lo hemos señalado en innumerables oportunidades, esta institución reflejó un momento especial en la evolución del sistema interamericano: el de la absoluta primacía de Estados Unidos. Esa etapa ya ha sido superada, y no tiene vuelta atrás. La maduración de la conciencia política de los pueblos de la región hizo que aún gobiernos muy afines a la Casa Blanca no tengan otra opción que enfrentarse a Estados Unidos en la condena al bloqueo de Cuba y, en San Pedro Sula, a derogar la decisión de 1962. Ante esta situación, la OEA está condenada por su larga historia como dócil instrumento del imperialismo: legitimó invasiones, asesinatos políticos, magnicidios, (algunos, como el de Orlando Letelier, perpetrados en Washington), golpes de estado y campañas de desestabilización contra gobiernos democráticos. Fue ciega, sorda y muda ante las atrocidades del “terrorismo de estado” auspiciado por Estados Unidos y ante políticas criminales como el Plan Cóndor. Cuando en Mayo del 2008 estalló la crisis en Bolivia el conflicto fue rápidamente solucionado por los países de América Latina sin que la OEA jugara papel alguno. No hizo falta. No hace más falta.

Cuarto: lo que sí hace falta es fortalecer y coherentizar sin más dilaciones los diversos proyectos de integración de los países de América Latina y el Caribe, como el ALBA o la UNASUR, iniciativas distintas pero que expresan la realidad contemporánea de la región. La OEA, en cambio, es una institución insanablemente anacrónica y por eso mismo inservible: representa un mundo que ya no existe sino en los delirios de los nostálgicos de la Guerra Fría y por eso no puede hacer ninguna contribución para enfrentar los desafíos de nuestro tiempo. Después de haber derogado la resolución de 1962 le haría un gran servicio a la humanidad si decidiera disolverse.

Alba se fortalece com o ingresso do Equador

Dois fatos contribuíram para o fortalecimento da Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) esta semana: a informação de que o presidente Rafael Correa incluirá o Equador na iniciativa e a vitória na Organização dos Estados Americanos (OEA) com a resolução que permite Cuba retornar ao organismo após 47 anos de sua expulsão.

No comunicado de ontem (3) da imprensa Oficial da Venezuela, o presidente Hugo Chávez celebrou: "Hoje o presidente [Rafael] Correa ratificou o ingresso do Equador à Alba e já temos data para uma reunião que está sendo coordenada, falei com Evo Morales nesta manhã e ele me disse que não tinha problema, também chamei Fidel e falamos de uma reunião extraordinária, que estamos preparando para dar as boas-vindas ao governo e ao povo do Equador na Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América". O anúncio oficial, no entanto, está prevista para 24 de junho, no Campo de Carabobo.

Sobre a derrogação da resolução de 1962, que excluía Cuba do Sistema Interamericano da Organização dos Estados Americanos, o presidente venezuelano atribuiu à atuação dos países que compõem a Alba a vitória que representou a justiça à ilha após 47 anos.

"A proposta [da derrogação] saiu da Alba, apoiada pelo governo de Honduras. É preciso recordar que há poucos dias houve uma reunião de chanceleres da Alba em Caracas. Aqui estivemos discutindo, Nicolás Maduro, coordenando com a chanceler hondurenha Patricia Rodas, com os chanceleres da Alba mais Equador, estivemos afinando posições em uma só linha, a linha se manteve e a linha obteve a vitória", adicionou.

Fazem parte da Alba: Cuba, Honduras, Nicarágua, Dominica, Bolívia, Venezuela e, agora, Equador.

quinta-feira, junho 04, 2009

Cuba reafirma não ter intenção de voltar à OEA

O governo cubano avaliou como vitoriosa a revogação da resolução que excluía Cuba do Sistema Internacional desde 1962, sob decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas afirmou que ainda não pretende participar das decisões da organização.

Ontem (3), a 39ª Assembleia Geral da OEA aprovou, por consenso, a revogação do decreto de 47 anos que não permitia Cuba de fazer parte do Sistema Interamericano e, com isso, fazer parte da organização.

"Essa determinação não muda nosso critério sobre a entidade e não modifica em nada a postura de Cuba de se tornar membro do grupo", afirmou o presidente do parlamento de Cuba, Ricardo Alarcón, à Prensa Latina.

"Há muitas coisas que devem mudar e que, por suposto, não possuem nada a ver com a resolução de 1962", considerou Alarcón. O parlamentar ainda tratou a resolução de 1962 como "uma medida que era anacrônica e distante da realidade".

Enquanto os países latino-americanos e caribenhos celebram a medida da OEA, parlamentares estadunidenses criticaram a revogação do embargo a Cuba. Integrantes do Partido Republicano dos EUA estão exigindo a eliminação do financiamento à OEA após a aprovação da resolução favorável a Cuba.

Para os republicanos, a medida é um exemplo de "absoluta incompetência diplomática" do governo do democrata Barack Obama. Alguns parlamentares de situação também criticaram a medida. Segundo a Infobae, o democrata de Nova Jersey Bob Menéndez qualificou o acordo como "débil" e "absurdamente vago". Menéndez declarou que o Congresso irá discutir em que medida está "disposto a apoiar à OEA como instituição".

Por outro lado, a imprensa oficial de Honduras divulgou que o presidente do país e anfitrião da Assembleia da OEA, Manuel Zelaya, considerou que o povo cubano foi "absolvido pela história" e que se fez uma "sábia retificação" ao derrogar o acordo de 1962.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou o acordo que, segundo ele, é resultado das mudanças políticas registradas na região. "Já não somos o quintal dos Estados Unidos, já não somos colônia", disse Chávez.

quarta-feira, junho 03, 2009

OEA revoga decreto que expulsava Cuba

Com pressão de entidades civis e governos latino-americanos, os países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) revogaram hoje (3) o decreto que não permitia Cuba fazer parte do Sistema Interamericano e, com isso, fazer parte da organização, e ter direitos legais sobre diferentes tópicos, inclusive o econômico. A derrogação do decreto, firmado há 47 anos pela organização, foi aprovada por consenso durante a 39ª Assembleia Geral da OEA, realizada desde segunda (1º) até hoje (3), em São Pedro de Sula, Honduras.

Ontem, durante a Assembleia, os chanceleres da OEA haviam decidido criar um grupo de trabalho para avaliar o fim do decreto de expulsão do país caribenho. A proposta foi dada pelo representante brasileiro e apoiada pela presidente da Assembleia, a chanceler hondurenha Patricia Rodas.

A ilha seguia excluída do Sistema Internacional desde a resolução de 1962 de Ponta do Leste (Uruguai). Na época, os Estados Unidos acusou Cuba de receber armas da China e união Soviética, conhecidos como o bloco de países comunistas.

Desde que começou o encontro com os representantes de Estados foram muitos os pedidos e pressões pela derrogação da medida, considerada "um erro histórico contra Cuba". Mandatários e representantes da Venezuela, Equador e Honduras foram os mais enfáticos pelo fim do bloqueio à ilha.

Na segunda, movimentos sociais da América Central emitiram um documento reafirmando a política "ingerencista" dos Estados Unidos para com a ilha e criticaram, justamente, a função que a OEA tem exercido desde sua fundação, como um instrumento a serviço do governo estadunidense.

Diante da ratificação da resolução da 39ª Assembleia, o governos cubano deverá decidir se aceita o não voltar ao grupo de países-membros da OEA. Em seu último comunicado público, o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, reafirmou que sua nação não tem interesse em fazer parte da organização.

Em texto, a Assembleia, definiu dois pontos. O primeiro: "que a Resolução VI adotada no dia 31 de janeiro de 1962 na Oitava reunião de Consulta de Ministro de Relações Exteriores, mediante a qual se excluiu o Governo Cubano de sua participação no Sistema Interamericano, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos".

E o segundo: "Que a participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado por solicitação do Governo de Cuba e de conformidade com as práticas, propósitos e princípios da OEA".

terça-feira, junho 02, 2009

Los aplausos y los silencios








Fidel Castro Ruz

“Cuando hoy veía por televisión la toma de posesión de Mauricio Funes y éste habló de restablecer relaciones con Cuba, un ensordecedor aplauso y gritos de júbilo estallaron en aquella sala, como no se escucharon en ningún otro momento de su discurso”.

Ayer, 31 de mayo, un despacho de la AFP informó que: "Cuba aceptó reabrir las negociaciones con Estados Unidos sobre migración y el envío directo de correo, una nueva señal del deshielo que tiene lugar en vísperas de una Cumbre de la Organización de Estados Americanos (OEA) en la que el caso cubano dominará las conversaciones.

"El jefe de la Sección de Intereses de Cuba en Washington, Jorge Bolaños, transmitió el sábado que Cuba ‘espera reiniciar conversaciones sobre migración y el servicio de correo directo’, dijo el domingo un alto funcionario del Departamento de Estado que se mantuvo en el anonimato.

"Desde El Salvador, donde asiste a un cónclave ministerial sobre comercio regional, la Secretaria de Estado, Hillary Clinton, dijo que Washington estaba complacido de reanudar las conversaciones con La Habana sobre esos temas."

De inmediato un exabrupto nada diplomático:

"‘Habrá un diálogo abierto tan pronto como haya cambios sobre derechos humanos y movimientos hacia la democracia’ en Cuba", expresa la agencia EFE.

¿Cuál es la "democracia" y los "derechos humanos" que Estados Unidos defiende? ¿Era realmente necesario lanzar esa humillante y prepotente advertencia?

Cuando hoy veía por televisión la toma de posesión de Mauricio Funes y éste habló de restablecer relaciones con Cuba, un ensordecedor aplauso y gritos de júbilo estallaron en aquella sala, como no se escucharon en ningún otro momento de su discurso. Allí entre los invitados estaba Hillary. Previamente el orador, que muchas veces se apartaba de los papeles, había cometido el error de saludar a la Clinton, que ocupa el cargo de Secretaria de Estado, antes incluso que a Lula da Silva, Presidente del gigante suramericano, allí presente entre un grupo de Presidentes de nuestra área.

El orador, sin concluir todavía el prolongado aplauso a Cuba —que tal vez lastimaría a la señora Clinton—, tomó la palabra y mencionó de nuevo a Estados Unidos, con la mejor intención del mundo. Sin embargo, muy pocos en aquella gran sala aplaudieron a ese país.

Un momento culminante y muy aplaudido del discurso de Mauricio se produjo antes, cuando mencionó al ilustre arzobispo Oscar Arnulfo Romero, cuya tumba había visitado esa mañana. Aquel defensor de los pobres había sido asesinado impunemente, cuando oficiaba una misa, por la sangrienta tiranía del partido ARENA impuesta por el imperialismo en El Salvador. En aquella sala estaban también los legisladores y altos funcionarios que representaban al partido que lo asesinó; entre ellos, varios de los pocos que aplaudieron a Estados Unidos.

En determinadas circunstancias, no solo las palabras hablan por sí mismas, sino también los aplausos y los silencios.

Junio 1º de 2009

A esquerda chega ao governo em El Salvador


Funes e a Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional conseguiram quebrar o forte aparato governamental e a sistemática campanha anticomunista, depois de várias tentativas e abrem um período novo na história do país.As solenidades, a que assistirão 17 mandatários, se faz com o nome: Um encontro com a história, para marcar o momento histórico que vive o país. Grande quantidade de gente do povo passou o domingo inteiro concentrados nos principais eixos da cidade, recepcionando com as bandeiras vermelhas da FMLN, as delegações estrangeiras. De manhã Funes tomará posse formal e à tarde a FMLN faz grande comício e festa popular no estádio de futebol da cidade, com capacidade normal de 45 mil pessoas, mais os espaços do gramado, que serão ocupados pelas delegações convidadas.O governo foi formado com participação do FMLN em postos essenciais – entre eles o Ministério de Governação, um espécie de ministério da Justiça, o de Educação, ocupado por Salvador Sanchez, o ex-comandante Leonel, eleito vice-presidente, assim como dois ex-prefeitos de São Salvador e o importante Ministério da Defesa. Funes terá minoria no Parlamento, onde a oposição reelegeu o presidente da Câmara, mas poderá contar com imenso apoio popular para desbloquear temas importantes. Por agora o Congresso já aprovou o projeto de lei de estabelecimento da gratuidade no ensino, que não existia anteriormente.Com o governo da FMLN se alastra um clima de diversidade ideológica e política na América Central, à qual se somam os governos de Honduras e da Nicarágua, ambos aderidos à Alba, situação que a região nunca tinha conhecido. Aguarda-se os discurso da manhã e da tarde de Funes, para saber que tom dará a seu governo.Por ser o menor pais do continente, El Salvador é chamado de pequeno polegar. Foi, durante muito tempo, a economia mais dinâmica da região, uma das poucas – junto com Costa Rica – que tinha conseguido um certo nível de desenvolvimento industrial, mesmo se seu comércio exterior – como o de todos os países centroamericanos – se centra na exportação de produtos primários, em geral agrícolas, de pouco valor no mercado internacional, uma das principais razões do atraso relativo desses paises no conjunto da América Latina.A passagem ao ciclo longo recessivo da economia internacional afetou duramente a El Salvador e a toda a América Central, contraindo suas exportações e fazendo mergulhar a região na sua pior crise econômica e social, comparável àquela dos anos 30.Nessa década surgiram os dois mais importantes lideres populares da Ameríca Central – Sandino, na Nicaragua, e Farabundo Marti, em El Salvador,ambos liderando setores camponeses e lutando contra as reiteradas intervenções militares norte-americanas. A luta dos sandinistas foi retomada nos anos 50 e desembocou, em 1979, na vitoria da insurreição que derrubou a longa ditadura dos Somoza.O triunfo teve conseqüências imediatas nos países vizinhos. A Guatemela, que havia tido um ciclo de guerrilhas rurais nos anos 60, retomou com força essa luta, assentada dessa vez na unificação das várias frentes guerrilheiras, à que se somou o Partido Comunista. El Salvador tinha alguns grupos clandestinos e o PC, mas foi com a vitória sandinista que se iniciou a luta armada, igualmente unificando os núcleos que se organizavam separadamente para a luta armada, à que também se somou o PC
Por Emir Sader

segunda-feira, junho 01, 2009

A direita brada diante do espectro bolivariano



Atílio Boron* - 1 de junho de 2009
Nos últimos anos, a relação argentino-venezuelana tem registrado um significativo crescimento no terreno da economia, bem como um importante avanço em matéria política. É por isso que a cada vez mais reacionária direita Argentina bradou ante as nacionalizações dispostas pelo governo bolivariano em cumprimento a um plano largamente anunciado, ratificado eleitoralmente e coerente com o processo de transformação em curso na Venezuela.

A reação histérica da direita leva a várias observações. Em primeiro lugar, como contestar o direito inquestionável do governo venezuelano - na verdade, de qualquer governo -, de dispor da expropriação de empresas consideradas estratégicas para um projeto de desenvolvimento nacional e cujo desempenho não pode ser libertado da ditadura do capital e seu insaciável desejo de lucro? Contrariamente ao que pensam os homens de Neanderthal, que compartilham sua caverna com Mario Vargas Llosa e seus asseclas, a nacionalização das empresas não foi uma invenção do populismo latino-americano, mas dos governos social-democratas e trabalhistas do período entreguerras e, sobretudo, do período aberto após o final da Segunda Guerra Mundial, e teve resultados extraordinários. Com efeito, os resultados destas políticas de nacionalização sobreviveram em muitos países europeus até hoje. Por que prescindir de semelhante ferramenta? Em segundo lugar, a formidável expansão da intervenção estatal nos mercados pode assumir diferentes formas. Nacionalizações são uma delas; outras são as políticas de resgate empresarial dispostas por governos tão "revolicionários" e "esquerdistas" como os de Barack Obama e Gordon Brown, que destinaram cifras perto de US$ 1 bilhão para salvar bancos, financeiras e empresas industriais, introduzindo um certo grau de controle público em suas operações. Os porta-vozes da direita - sempre tão obcecado por preservar o funcionamento dos mercados de qualquer ingerência estranha, como a que pode exercer um Estado democrático - recorreram em massa a Caracas para criticar Chávez por suas nacionalizações e para denunciar publicamente a sua curiosa ditadura - curiosa porque ele ganhou em 14 das 15 eleições realizadas desde 1998 e também porque permite que os ultramontanos debulhem sua pregação destituinte sem quaisquer restrições, inclusive sendo convidados a discutirem com outros intelectuais em nada menos que no Alô Presidente. Mas rechaçaram o convite porque os ideólogos da direita são bons para pontificar ante os meios de comunicação do establishment, mas se acovardam invariavelmente na hora de discutir com os intelectuais de esquerda. Na sua incurável incongruência, estes zelosos guardiões da liberdade são "socialistas" na hora de socializar os prejuízos das empresas, enquanto agem com estreito individualismo, quando se trata de embolsar lucros. Este duplo modelo da direita não é novo: denuncia com tom apocalíptico ameaças à liberdade e aos direitos humanos em países como Venezuela, Bolívia e Equador, mas nem as tortura encomendadas pela Casa Branca, nem os vôos secretos para trasladar prisioneiros ou as atrocidades de Guantânamo ou Abu Ghraib sucitam nela a menor preocupação. O mínimo que se pode concluir é que a direita é moral e intelectualmente desonesta. Em terceiro lugar, o furor antichavista, exacerbado ao ritmo da atual campanha eleitoral, não conseguiu esconder que a Venezuela e a Argentina são duas economias altamente complementares, o que facilita a sua crescente integração. Não é assim entre nosso país e o Brasil, por exemplo, que está deslocando dos mercados internacionais a insipiente presença dos nossos produtos agrícolas. Por isso, o intercâmbio comercial com a Venezuela tem crescido significativamente e é do maior interesse da Argentina fortalecer esta relação e, também, exigir de Brasília que, de uma vez por todas, permita a plena incorporação da Venezuela ao Mercosul. Com isso, se encerraria um triângulo de ouro, integrando três países com perfis macroeconómicos altamente complementares em matéria alimentícia, industrial e energética, o que não só robusteceria a cada um deles, como também a toda a região, em momentos em que se revigora a crise capitalista.Com um acréscimo: a incorporação da Venezuela bolivariana dotaria o Mercosul de uma visão geopolítica vital que está ausente em um processo de integração ainda dominado pela lógica e os valores do neoliberalismo. Tudo isso, evidentemente, é uma má notícia para o imperialismo, cujo último desejo é uma América Latina economicamente fortalecida. Daí o grande esforço da direita para manter a Venezuela fora do Mercosul. Por último, não pode ser ignorado que, em todos os casos que ocorreram nacionalizações, Caracas esteve sempre disposta a retribuir com a indenização para as empresas afetadas. As empresas que, como antes a Sidor, violavam leis trabalhistas e não cumpriam compromissos assumidos com o governo, o que acrescenta novos elementos para justificar a sua expropriação. Apesar do coro desafinado que unificou vozes tão discordantes como a UIA, o dirigente da CGT (que assombrou o mundo, declarando que as nationalizações não eram o que havia ensinado Perón, gestor gestor das mais importantes jamais realizadas na história argentina) e os meios de comunicação de massa - verdadeiro intelectual orgânico que articula o fragmentado, incoerente e desunido espaço da direira argentina -, o promissor caminho aberto pela crescente vinculação entre a Argentina e a Venezuela não será encerrado pela gritaria de ontem.

*Atílio A. Boron é Doutor em Ciências Políticas, Professor de Teoria Política(UBA - Universidade de Buenos Aires).