sábado, dezembro 25, 2010

Soneto

Faith - The Experiment of Our Lord - (Emily Dickinson)

Fé, prova da existência de Deus?

Caíque Vieira

Um dia, perdido em meus pensamentos
Mirando o sobe e desce da maré
Ocorreu-me imaginar dois talentos:
O do artista e o do homem de fé.

De um deles manifesta-se destarte
a obra, prova inconteste da arte.
Na imortal Samotrácia constato
Com clareza, cabalmente este fato.

Seria razoável indagar
Se na fé do outro - raro talento
Do mais profundo de seu ser - não vai

Portentosa verdade a afirmar
- Maravilhosa! Convicto acrescento -
A prova da existência de Deus Pai?

Dedicado aos grandes místicos de todas as religiões.

Último pronunciamento oficial de Lula como presidente

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Aram Khachaturian - A Dança do Sabre

Khachaturian foi o primeiro, e até hoje único, compositor armênio de envergadura mundial. Isso se deve a seus dois balés românticos Gayaneh e Spartacus e a seus concertos sedutoramente melodiosos. Assim como diversos balés soviéticos, os seus evocam o romantismo exótico de Rimsky-Korsakov e Stravinsky. O ingrediente extra é o toque folclórico armênio que pode ser ouvido em quase todas as suas obras.


terça-feira, dezembro 21, 2010

IPEA faz a radiografia do Brasil

Saímos da ditadura sem consciência plena do tamanho da crise, do esgotamento do modelo dominante que trazia no seu bojo o fim da ditadura e a retomada da democracia. Pagamos um preço caro por acreditar que a democracia politica resolveria os problemas acumulados pelo Brasil, quando se tratava do esgotamento do longo ciclo expansivo iniciado 5 décadas antes e que tinha transformado radicalmente o país.

Desde então o Brasil viveu novos ciclos de transformações – regressivas e progressivas -, de forma concentrada, como nunca tínhamos vivido na nossa história. Em uma década se desmontou o papel regulador do Estado, se privatizou grande parte do patrimônio público, se fragmentaram as relações sociais, se promoveu o mercado como eixo da economia e da sociabilidade.

Terminamos agora uma década de recuperação desses retrocessos, em que o Estado recuperou sua capacidade de regulação, de indução do crescimento econômico e de garantia dos direitos sociais. O mercado interno de consumo popular passou a ter um papel essencial no desenvolvimento do país. O principal problema acumulado pelo Brasil – a desigualdade social – foi atacado e, pela primeira vez, a injustiça diminuiu e se passou a governar para todos.

Mas todas essas transformações aceleradas foram implementadas sem a consciência correspondente de onde andava o país, como está sua estrutura social, que país temos ao final de tantas transformações.

O IPEA, sob a direção de Marcio Pochmann, mudou a agenda de debates no Brasil, permitindo que fossemos nos reapropriando das condições reais em que vive o país. Uma pauta que tinha sido hegemonizada pelos parâmetros do Consenso de Washington, do pensamento único, do Estado mínimo, da centralidade do mercado – correspondentes às politicas do governo FHC – que tiveram uma extensa influencia na intelectualidade, multiplicada pelo monopólio privado dos meios de comunicação.

Em pouco tempo o IPEA renovou radicalmente os parâmetros de pensamento sobre o Brasil, os critérios de avaliação das politicas publicas, as projeções economias e sociais, recolocou os termos do debate sobre o país. Nunca tínhamos contado com um acervo tão amplo, competente e atualizado de materiais sobre o Brasil.

Acaba de sair um novo pacote de materiais, que constitui no mais amplo conjunto de analises com que podemos contar para conhecer ao Brasil realmente existente. Para que se possa socializar a informação sobre esses materiais fundamentais, segue uma lista dos títulos que o IPEA acaba de colocar à disposição de todos os querem conhecer o Brasil no final da primeira década do século XXI (que podem ser encontrados em www.ipea.gov.br):

- Desafios ao Desenvolvimento Brasileiro: contribuições do conselho de orientação do IPEA

- Trajetórias Recentes de Desenvolvimento: estudos de experiências internacionais selecionadas

- Inserção Internacional Brasileira Soberana

- Macroeconomia para o Desenvolvimento

- Estrutura produtiva e Tecnológica Avançada e Regionalmente Integrada

-Infraestrutura Econômica e Social

- Sustentabilidade Ambiental

- Proteção Social, Garantia de Direitos e Geração de Oportunidades

- Fortalecimento do Estado, das Instituições e da Democracia

- Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Papo do dia

WIKILEAKS REVELA BASTIDORES DO PRÉ-SAL: DEPOIS DE JOBIM, O INFORMANTE... SERRA, O ENTREGUISTA
"Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava...E nós mudaremos de volta...Voces vão e voltam..." (José Serra à representante da multinacional Chevron, Patricia Pradal, também dirigente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP),o sindicato das petroleiras internacionais no país, a quem o tucano dá sua garantia de que, vitorioso nas eleições presidenciais de 2010, reverteria a regulação soberana do pré-sal para entregar as jazidas aos mercados:' voces vão e volta...' Telegrama diplomático de dezembro de 2009, divulgado pelo WikiLeaks que teve o diálogo de Serra omitido pelo jornal O Globo, na edição online desta 2º feira; foi divulgado pela Folha que, todavia, não providenciou a investigação óbvia: quanto as petroleiras multinacionais doaram à campanha demotucana? A 'barriga' certamente não ocorreria em trama equivalente que tivesse como personagem um político de esquerda. Carta Maior, 13-12)

MORALES VAI AO PONTO
"O tema é estrutural, é o capitalismo, estamos debatendo só os efeitos, não as causas ...porque ou morre o capitalismo ou morre a Mãe Terra. Frente ao capitalismo, ao colonialismo, ao imperialismo, queremos propor o Neosocialismo. Uma nova doutrina pela vida, para viver bem, não viver melhor. Para compartilhar, não para competir...Antes a luta terminava na luta de classes, que é importante. Agora temos a responsabilidade não só de salvar o operário, o originário submetido à escravidão, senão todo o planeta".(Presidente Evo Morales, na COP 16; Brasil de Fato; 13-12)

quarta-feira, dezembro 08, 2010

As grandes personalidades da década no Brasil


Para o Blog Incas, o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim foram as grandes personalidades da primeira década do milênio. Com a nova política externa que podemos qualificar como ativa, altiva, desassombrada e solidária, nas precisas palavras de Celso Amorim, projetaram o Brasil no plano internacional. O mundo todo tem elogiado e premiado o corpo diplomático brasileiro de altíssimo nível, destacando o país como competente conciliador e imprescindível na solução dos grandes conflitos mundiais.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O terceiro turno foi o pré-sal

SE SERRA TIVESSE VENCIDO, A PRIMEIRA MEDIDA SERIA IMPEDIR A REGULAÇÃO CONCLUÍDA ESTA SEMANA

Marco regulatório vitorioso inclui: a) criação de uma nova estatal que vai controlar o comércio do óleo (Pré-Sal S.A); b) capitalização da Petrobrás, que se tornou a 2º maior empresa de energia do mundo e agora tem fôlego para exercer o controle de todas as reservas e participar com pelo menos 30% na exploração de cada poço; c) criação do Fundo Social associado à receita do petróleo, que destinará 50% do rendimento a um salto de qualidade na escola pública brasileira (80% disso reservado ao ensino básico e pré-escolar); finalmente, o mais importante: aprovação, nesta 5º feira, do regime de partilha, que garante a soberania brasileira nas maiores reservas descobertas no planeta nos últimos 30 anos. Com a conclusão do novo marco, Dilma poderá ter, já em 2011, cerca de R$ 27 bi de receita adicional, por conta do pagamento de assinatura na licitação do campo de Libra, o 1º leilão sob as novas regras. O novo recurso enfraquece propostas de arrocho para atingir meta de superávit fiscal em 2011. Petroleiras internacionais e seus aliados nativos resistiram até o último minuto ao marco soberano. Que ninguém duvide: o pré-sal foi o terceiro turno das eleições presidenciais de 2010. Se Serra tivesse vencido, o marco regulatório concluído esta semana seria destruído. Para os que achavam, e ainda acham, que não haveria diferença entre o tucano ou Dilma, eis aí um ponto a refletir. Para segmentos governistas que agora se empenham em adotar a plataforma dos adversários na área fiscal, é importante recordar: a sociedade votou na continuidade do crescimento com justiça social. O pré-sal é a síntese desse pacto renovado nas urnas. A ver.

domingo, novembro 28, 2010

quinta-feira, novembro 25, 2010

A coragem de enfrentar o Império


No início da década de 60, Nikita Kruschev tinha um problema: o que fazer com os mísseis americanos instalados na Turquia apontados para Moscou? O problema foi solucionado em parceria com Fidel Castro, instalando mísseis soviéticos em Cuba apontados para Washington. Foi desencadeada a crise que quase gerou a terceira guerra mundial, mas foi com esse poder de barganha que Kruschev impôs a John Kennedy a retirada dos mísseis americanos da Turquia e a promessa de que os Estados Unidos não invadiriam Cuba novamente.

terça-feira, novembro 23, 2010

Ñico Rojas - Compositor cubano

Martirio y Sexto Sentido interpretam Ñico Rojas

terça-feira, novembro 09, 2010

quinta-feira, novembro 04, 2010

Primeira entrevista de Dilma Rousseff

Primeira Entrevista de Dilma Rousseff concedida às jornalistas Ana Paula Padrão e Adriana Araújo da TV Record.

terça-feira, novembro 02, 2010

O pós-Lula é Dilma

Emir Sader

Os brasileiros decidiram que depois do Lula querem a continuação e o aprofundamento do seu governo. Preferiram a Dilma – a coordenadora e responsável central pelo desempenho ascendente dos últimos 5 anos do governo, que desemboca no recorde de 83% de apoio e 3% de rejeição – para sucedê-lo.

O dilema colocado pelas eleições brasileiras era a definição sobre se o governo Lula seria um parênteses na longa história de dominação das elites no país ou se se constitui numa ponte para sair definitivamente do modelo
herdado e construir um Brasil solidário, justo e soberano.

Triunfou esta via, pelo voto majoritário dos brasileiros, prioritariamente os dos beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo de Lula: os mais pobres, os que vivem nas regiões tradicionalmente mais pobres – o norte e o nordeste do Brasil.

Foi um voto claramente direcionado pela prioridade do social que caracterizou centralmente o governo Lula. No país mais desigual do continente mais desigual, a maior transformação que o Brasil viveu nestes oito anos foi a diminuição da desigualdade, da injustiça, como resultado das políticas sociais do governo. Nunca havia acontecido, seja em democracia ou em ditadura, em ciclos expansivos ou recessivos da economia. Aconteceu agora, de forma contundente, transferindo para o centro da pirâmide de grupos na distribuição de renda, a maioria dos brasileiros.

Esse foi o fator decisivo para que, mesmo tendo praticamente toda a imprensa, em bloco, militantemente, contra seu governo e sua candidata, Lula e Dilma saíram vencedores.

A oposição, derrotada na comparação dos dois governos, buscou um atalho para chegar por outra via aos setores da população: a questão do aborto, valendo-se dos preconceitos reinantes e da ação de religiosos.

Conseguiram um sucesso efêmero, que levou a eleição para o segundo turno, mas uma vez que a politica voltou ao centro da campanha, a comparação entre os dois governos e a condenação das privatizações levaram à vitória da Dilma.

Que representa não apenas a eleição da primeira mulher presidente da república, mas também de uma militante da resistência contra a ditadura, presa e torturada pelo regime militar. Que representa o primeiro presidente que consegue eleger seu sucessor.

Depois da reeleição de Evo Morales e de Pepe Mujica sucedendo a Tabaré Vazquez, o Brasil se soma ao grupo de países que reafirmam o caminho da integração regional e não do TLC com os EUA, da prioridade das politicas sociais em relação ao ajuste fiscal, com Dilma sucedendo a Lula.

O povo brasileiro decidiu, em meio a fortes pressões do monopólio privado da mídia e de forças obscurantistas, que o pós-Lula terá na presidência do Brasil aquela que Lula escolheu para sucedê-lo, para continuar e aprofundar as transformações que tem feito o Brasil ser um país mais justo, solidário e soberano.

sexta-feira, outubro 29, 2010

O voto no Serra

A inteligente ironia dos universitários

Cinco razões para votar na Dilma

Até Joelmir Beting sucumbiu aos fatos.

quarta-feira, outubro 27, 2010

sexta-feira, outubro 22, 2010

Visão Política: o ardil

Caíque Vieira - Advogado


Assisti nesta semana ao programa Visão Política que debatia a campanha eleitoral. Chamou minha atenção o contraditório ponto de vista de um dos debatedores.

Em um momento ele se mostrava preocupado com a configuração do Congresso com a maioria pró Dilma. Ele desprezava a escolha popular desta configuração e temia o risco de uma revolução bolivariana aqui no Brasil, dada a facilidade que ela teria em governar.

Em seguida ele defendeu o desvio da campanha para temas que o professor Giuseppe Cocco chamou de leilão das paixões tristes (machismo, sexismo, racismo), argumentando que esses temas são preocupações do povo e, sendo assim, merecem ser levados á campanha, como fez Serra, e debatidos. Quem os criticava era a elite que não gosta do povo.

Há nesses dois argumentos uma visível orientação pró-Serra que ele tentava esconder, mostrando neutralidade.

No primeiro ele defendia o ponto de vista de que a eleição do presidente que não se beneficiasse desta maioria seria a possibilidade da volta ao equilíbrio de forças no poder, não levando em consideração, além da legítima escolha do eleitorado, o fato de que este presidente levaria a cabo, como sempre acontece em tais circunstancias, o processo de negociatas para a formação de sua maioria, o famigerado “toma lá, dá cá”.

No segundo argumento, ele tentou inverter, ardilosamente, a favor de Serra - e de si próprio, como seu eleitor - que quem defendia os legítimos interesses do povo e de seus temas era ele, os outros dois eram representantes de uma elite que odiava o povo.

Ora, num argumento a escolha do povo é negligenciada, no outro é supervalorizada e ambos argumentos orientados para a alternativa da escolha do mesmo candidato. Não sei se os telespectadores conseguiram detectar esse ardil - o de confundir - bem próprio da direita.

terça-feira, outubro 19, 2010

Manifestação dos intelectuais pró-Dilma

Cenas familiares - 1950

Gilberto Gil apóia Dilma

Ato dos artista e intelectuais pró-Dilma


CHICO BUARQUE NO ATO PRÓ-DILMA:

"Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma. A forma de governar de Lula é diferente. Ele não fala fino com Washington, nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo. Nunca houve na História do país algo assim"

CENTENAS DE INTELECTUAIS LOTAM O TEATRO CASAGRANDE NO RIO. APOIO A DILMA SUPERA ATO PARA LULA EM 2002. TELÕES SÃO COLOCADOS NA CALÇADA PARA OS QUE NÃO CONSEGUIRAM ENTRAR

Marilena Chauí fez um dos discursos mais aplaudidos da noite; classificou os panfletos anti-Dilma como "obscenos". De Oscar Niemeyer a Leonardo Boff; de Chico Buarque a Elba Ramalho; de Emir Sader a Fernando Meirelles, a cultura brasileira em peso foi dizer sim à continuidade do governo Lula e não ao retrocesso obscurantista. Dilma em seu discurso agradeceu o apoio: “As músicas que ouvi e os livros que eu li estão aqui, com todos esses cantores e artistas". Ela defendeu o investimento em cultura e educação como elos indissociáveis de um verdadeiro processo de desenvolvimento: "Não existem formas de dar qualidade ao processo sem valorizar as pessoas. Para diminuir a desigualdade pela raiz é preciso gastar dinheiro com educação de qualidade, pagando professores de forma digna, não recebê-los com cassetetes”. A candidata agradeceu a Emir Sader, organizador do encontro, dizendo: 'Foi o ato mais lindo de toda a campanha'[saiba como participar: 'Inteligência brasileira se mobiliza contra Serra']


ATENTADO À LIBERDADE DE IMPRENSA:
CAMPANHA DE SERRA IMPÕE CENSURA À REVISTA DOS TRABALHADORES

TSE , obsequioso, manda recolher a edição da 'Revista do Brasil' sob alegação de apoio à candidatura Dilma. E o que diz a Folha? Aspas:... ligada à Central Única do Trabalhador (CUT), [a revista do Brasil] proibida de circular pela Justiça Eleitoral, por apresentar conteúdo favorável à campanha da presidenciável petista Dilma Rousseff, teve anúncios pagos pela estatal Petrobras e pelo Banco do Brasil..." A Veja não teve? Ah, a Folha, uma sentinela da isenção...

ENREDO PARA GARCIA MÁRQUEZ

Dom Bergonzini, bispo da extrema direita num país latinoamericano, encomenda 20 milhões de panfletos que simulam a chancela da Igreja católica para atacar e caluniar a candidata da esquerda nas eleições presidenciais. Um lote do material é descoberto na gráfica da irmã do coordenador da campanha adversária, encabeçada por um falso carola, um papa hostia de ocasião, apoiado pelos endinheirados e conservadores, cuja hipocrisia explode na figura da esposa, uma bailarina que fez aborto e acusa a adversária do marido de ser ' a favor de matar as criancinhas’. A imprensa sem escrúpulos resiste em perguntar: --De onde veio o dinheiro, Dom Bergonzini? Tampouco cogita indagar se o bispo e os donos da gráfica tem contato com outro personagem obscuro, um certo Paulo Preto --que o candidato da hipocrisia conservadora chama de 'Paulo afro-descendente'. Apontado como o caixa 2 da campanha da direita, Paulo desviou R$ 4 milhões, mas guarda segredos e fez ameaças, obrigando o líder a ir aos jornais e declará-lo um cidadão acima de qualquer suspeita.[Leia outras perguntas silenciadas]
(Carta Maior; 19-10)

segunda-feira, outubro 18, 2010

sábado, outubro 16, 2010

Segundo turno: luz versus trevas

A campanha de Serra mudou o símbolo do PSDB: o tucano foi tangido para longe e em seu lugar entra um corvo, desses de cemitério. O candidato foi buscar reforço abrindo as tampas das tumbas do obscurantismo.

Adalberto Monteiro - Jornalista e escritor. É presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

Serra patrocina o re-surgimento de abordagens e personagens já superadas pela democracia brasileira. A TFP (Tradição, Família e Propriedade) com a indumentária fedendo a mofo infesta blogs e avenidas. Guetos fundamentalistas panfletam suas bulas. O tema do aborto é criminosamente banalizado. A religiosidade do povo é manipulada para fins eleitoreiros.

“Trevas, volver” é a palavra de ordem da oposição neoliberal. Os inquisidores de Serra fazem rondas, empreendem implacável caçada aos hereges. Um deles pergunta para Dilma numa coletiva: “A senhora é homossexual?”. Serra, em riba de um caminhão, em Goiânia, ergue e beija um crucifixo. A senhora, esposa dele, diz que Dilma quer “matar criancinhas.” Sua campanha espalha a mentira e insufla a homofobia. Seu braço midiático cultiva a peste do preconceito. Estampam manchetes que somente os nordestinos e os pobres estão com Dilma. Acaso, não são brasileiros?

Mesmo realizando uma campanha desse naipe proclama que somente ele pode unir o Brasil. Muito ao contrário. O preconceito, o ódio, o obscurantismo - ingredientes da desagregação - jamais serão o cimento da união. A unidade nacional é um bem caro ao Brasil. Foi forjada num processo histórico prolongado e contraditório. É com base nessa unidade que, no presente, o governo do presidente Lula deu passos importantes para superar as desigualdades e deformações de nossa sociedade.

A campanha de Serra destila ácido corrosivo para minar a união do povo brasileiro. Católicos, evangélicos, espíritas, budistas, mulçumanos, judeus, praticantes das religiões afro-brasileiras, agnósticos, ateus, entre todos amplamente predomina a tolerância religiosa e todos valorizam o nosso Estado Laico compromissado com a liberdade religiosa. Liberdade religiosa lavrada pela Constituinte de 1946, por iniciativa do escritor Jorge Amado, então membro da bancada do Partido Comunista do Brasil.

Serra abriu as tumbas do obscurantismo e sabe que o reacionarismo que delas emergiu é incontrolável. Essas “criaturas”, caso ele vença, vão cobrar as duplicatas. Serra se autointitula “candidato do bem”, mas zelou um pacto com que há demais atrasado na sociedade brasileira. Tergiversa. Diz que não tem nada a ver com isso. Bota fogo na floresta e depois culpa a própria floresta. É um “pactuado” tal e qual Riobaldo de Grande Sertão, Veredas.

Obterá a vitória depois de ter vendido a alma?

As forças da luz, do desenvolvimento, do progresso social, da democracia, da liberdade, da tolerância, do sonho, do respeito ao outro deitaram raízes muito profundas no chão deste país continental. As gerações que nos precederam e nos formaram sofreram em demasia com o ódio, o autoritarismo, o preconceito que a campanha de Serra, hoje, acolhe e fermenta.

A luz vencerá as trevas. Mas, para isso, cada brasileiro, cada brasileira, verdadeiramente do bem, tem de sair às ruas com sua tocha acesa. E essa tocha é a bandeira de Dilma presidente.

Às ruas, ao bom combate cidadãos, cidadãs!

Ofensiva pró Dilma


PORTO ALEGRE SE LEVANTA:
TARSO GENRO MOBILIZA DOIS MIL MILITANTES

" Um tom de urgência, gravidade e intensa mobilização marcou praticamente todas as intervenções"
[leia reportagem de Marco A. Weissheimer nesta pág.]

Participantes saíram do encontro orientados para se incorporar aos núcleos de campanha organizados em diferentes pontos do Estado; um pré-roteiro com atividades previstas até 31 de outubro comandará a busca pelos votos nas ruas.

No Rio, na 2º feira, dia 18, no teatro Oi Casagrande, intelectuais liderados por Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepomuceno e Leonardo Boff entregam manifesto de apoio a Dilma Rousseff.

Em São Paulo, sábado, dia 16, às 10:30, caminhada pró-Dilma na Vila Madalena; concentração, rua Rodésia, 398.

E na 3º feira, dia 19, às 19 horas, a campanha pró-Dilma tem encontro marcado na PUC-SP, Monte Alegre ,1024. O ato está sendo organizado pelo jurista Celso Antônio Bandeira de Mello e pelo teólogo Mário Sérgio Cortella.
(Carta Maior; 15-10)

terça-feira, outubro 12, 2010

O voto verde

FALA MARILENA CHAUÍ:

"O mapa da votação mostra que José Serra foi vitorioso em todas as regiões da agroindústria. Portanto, foi vitorioso nas regiões que, no meu tempo, quando era jovem, chamávamos de latifúndio. Ele foi vitorioso no latifúndio e no latifúndio que ataca o meio ambiente e que impede a Reforma Agrária.

Não é pouco. Não é pouco que isso se refira à estrutura da terra criada desde a colonização, que isso seja ligado aos obstáculos contra a Reforma Agrária que se refira também ao ataque contra o meio ambiente.

Então, é preciso conversar com os ambientalistas, pelos quais tenho o maior respeito. Ao chegar na minha idade, a questão principal é o futuro das novas gerações. Eu penso nos jovens que estão aqui. Eu penso nos meus netos. É preciso lembrar aos ambientalistas que apoiar José Serra significa apoiar a agroindústria e, portanto, o ataque ao meio ambiente e à possibilidade de reformar a situação da terra no Brasil".

segunda-feira, outubro 11, 2010

A "modernidade" demotucana

FALA VLADIMIR SAFATLE:

"...Procurando uma tábua de salvação para uma candidatura que nunca decolara e que passou ao segundo turno exclusivamente por obra e graça de Marina Silva, José Serra resolveu inovar na política brasileira ao instrumentalizar os dogmas mais arcaicos deste que é o maior país católico do mundo.Assim, sua mulher foi despachada pelos quatro cantos para alertar a população contra o fato de Dilma Rousseff apoiar "matar criancinhas" (conforme noticiou um jornal que declarou apoio explícito a seu marido). As portas de seu comitê de campanha foram abertas para os voluntários da TFP, com seus folhetos contra a "ameaça vermelha" capaz de perverter a família brasileira através da legalização da prostituição e do casamento gay..."

(Vladimir Safatle é filósofo e professor da USP; Folha, 11-10)

sábado, outubro 09, 2010

Poema

O respeito ao direito alheio é a paz (Benito Juárez - Estadista mexicano de origem indígena)
O Caluniador
(Em solidariedade à D.R. )

Lança pedra e veneno
aquele que expressa ser
sequaz do bom Nazareno
é preciso ver pra crer:

o ódio e o riso obsceno
dentes à mostra a ranger
o coração vil e pequeno
é o que ele revela ter.


Qual fogo que só enegrece
sem queimar madeira verde,
tal o infame e o mal que tece:
desistir, ele vai ter de!


Caíque Vieira

quinta-feira, outubro 07, 2010

Comissão da CNBB defende Dilma e põe discurso de Serra em xeque

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestou-se, por meio de nota, "preocupada com o momento político na sua relação com a religião". "Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente", afirmou a entidade, no comunicado.

A manifestação teve endereço certo: o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que tem pregado o voto contrário à candidata Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando. Ele também quer levar o aborto para o centro do debate eleitoral, embora nenhum candidato tenha se proposto a mudar a legislação sobre práticas abortivas.

"Dos males, o menor", tem dito d. Luiz Gonzaga, ao defender o voto contrário a Dilma que, segundo ele, apoia o aborto. A candidata já negou várias vezes essa suposição, mas o bispo tem usado suas missas para acusar Dilma e o PT de terem incluído em seu programa de governo a defesa do aborto. Guarulhos, na Grande São Paulo, tem 1,3 milhão de habitantes.

Para o secretário-executivo da Comissão Justiça e Paz, Daniel Veitel, Dilma foi a única candidata que se declarou claramente a favor da vida. "O José Serra (presidenciável do PSDB) não tem uma posição clara", criticou. Veitel lembrou que a CNBB não impôs veto a ninguém nas eleições. Afirmou ainda que alguns grupos continuam induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem nisso.

"Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial", afirma a nota da comissão.

Gabriel Chalita fala sobre a sórdida campanha do Serra

sexta-feira, outubro 01, 2010

Tentativa de golpe no Equador enfrenta forte reação popular

As ações protagonizadas hoje pelos policiais não ficaram sem respostas. Logo após a tomada à força do regimento número 1 em Quito, organizações sociais equatorianas, assim como organismos internacionais e autoridades latino-americanas, declararam apoio ao mandatário e demonstraram preocupação com a democracia do país. Sob o lema "defendemos a democracia e apoiamos a gestão do Presidente da República Rafael Correa", milhares de equatorianos e equatorianas foram na manhã de hoje à Praça da Independência apoiar o chefe de Estado.

Karol Assunção

Aeroportos fechados, prédios ocupados por policiais militares, marchas nas ruas. O cenário hoje em Quito, Equador, chamou a atenção de toda a comunidade internacional para o que poderia acenar para um novo Golpe de Estado na América Latina. Governos como o de Hugo Chávez, da Venezuela, declararam que a manifestação policial iniciada hoje, teria, sim, por trás, a intenção de ferir a democracia da nação equatoriana.

O protesto começou hoje (30), quando um grupo de policiais - contrário a negação de Correa ao veto da Lei de Serviço Público - tomou à força o regimento número 1 de Quito. O presidente equatoriano, quem esteve no local para tentar estabelecer um diálogo com os manifestantes, encontrava-se no Hospital da Polícia Nacional, na capital do país, recuperando-se das agressões promovidas pelos policiais, os quais lançaram gases lacrimogêneos.

Para Correa, essas ações são parte de uma tentativa de golpe de Estado que estava sendo preparada há meses pela oposição. Mesmo com os ataques, o mandatário anunciou em Rádio Pública que continuará com suas posições. "Eu não vou retroceder, se querem, venham me buscar aqui, deem-me um tiro e que siga adiante a República, matarão a mim, como dizia Neruda, poderão cortar as flores, mas não impedir a chegada da primavera", afirmou.

As ações protagonizadas hoje pelos policiais não ficaram sem respostas. Logo após a tomada à força do regimento número 1 em Quito, organizações sociais equatorianas, assim como organismos internacionais e autoridades latino-americanas, declararam apoio ao mandatário e demonstraram preocupação com a democracia do país.

Sob o lema "defendemos a democracia e apoiamos a gestão do Presidente da República Rafael Correa", milhares de equatorianos e equatorianas foram na manhã de hoje à Praça da Independência apoiar o chefe de Estado. Além de Quito, movimentos e organizações sociais das províncias de Loja, Pichincha, Imbabura, Pastaza e Chimborazo estão promovendo ações em apoio ao presidente e denunciando a tentativa de golpe de Estado.

A comunidade internacional também está preocupada com a situação do país. A Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, convocou para a tarde de hoje uma reunião extraordinária do Conselho Permanente para discutir o caso do país sul-americano. Já a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) declarou estar ao lado de Correa, e convocou uma reunião de urgência para a noite de hoje em Buenos Aires.

Em comunicado, Néstor Kirchner, secretário-geral do organismo, destacou que os países sul-americanos não podem "tolerar, sob nenhum aspecto, que os governos eleitos democraticamente se vejam pressionados e ameaçados por setores que não querem perder privilégios".

Ademais, afirmou "firme compromisso e a mais absoluta solidariedade" ao mandatário do Equador "frente à tentativa de sublevação de setores corporativos das forças de segurança daquele país à ordem constitucional".

Do mesmo modo, o governo da Argentina respaldou o governo de Correa e demonstrou preocupação com o ato promovido por policiais equatorianos no dia de hoje. "A Chancelaria argentina expressa sua profunda preocupação pelos fatos protagonizados hoje (quinta-feira) pelo pessoal policial e militar das forças armadas equatorianas nas cidades de Guayaquil e Quito", ressalta.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Que raio de ditadura é essa e onde está a derrota de Chávez ?

Os meios de comunicação internacionais e nacionais, em sua vil campanha midiática, há tempos vem submetendo o governo Chávez a um implacável bombardeio de calúnias e mentiras, afirmando sem peias que Chávez reduziu a economia do país a frangalhos e que seu socialismo fez desabar sobre a economia uma crise com reflexos devastadores para o nível de emprego, a inflação e a incontrolável criminalidade.

Max Altman*
E que, para conter a ladeira abaixo, só restava ao ditador Chávez acirrar a ditadura bolivariana, investindo contra a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão.

Mas que ditadura é essa? Após meses de campanha, feriram-se, no dia 26 de setembro, as eleições parlamentares previstas no calendário, o 15º confronto eleitoral desde a ascensão de Hugo Chávez. Campanha aberta e livre a ponto de, às vésperas do pleito o tradicional, jornal El Nacional estampar, sem se deter, a manchete: “Murió el Mono y queda el mico” (Morreu o Mono e falta o ‘mico’). Uma alusão à morte em ação bélica do líder das Farc, Mono “Jojoy”.

Mono em espanhol é macaco e as elites venezuelanas costumam referir-se a Chávez como ‘mico’ que também se traduz por macaco. Elas, amiúde, dizem do presidente que ele é um ‘mico mandante’ um arremedo de como os liderados de Chávez a eles se referem como ‘mi comandante’. Expressão desenfreada de discriminação racial e incitação ao magnicídio.

De resto, toda a imprensa escrita, televisada e radiofônica privada agiu como partido de oposição, raivosamente, sem limites, sem constrangimentos, e a campanha dos candidatos dos múltiplos partidos de oposição foram regadas com fartos recursos provenientes de fundos públicos e privados dos Estados Unidos.

E o que se viu nas ruas de Caracas e em todo o país? Um pleito democrático, tranqüilo, limpo, transparente, rápido e seguro, com presença maciça de eleitores – 66,45%, índice recorde e muito superior às eleições parlamentares anteriores - para pôr abaixo todas as acusações de fraude que os setores golpistas e conservadores alegavam para as suas derrotas.

O CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que é o braço do Poder Eleitoral , constitucionalmente autônomo como o são o Poder Executivo, Judiciário, Legislativo, organizou essas esperadas eleições, que observadores internacionais aprovaram integralmente.

O eleitor chega ao centro de votação já com a presença do Plano República, soldados do exército encarregados da ordem pública, do transporte de todo o material eleitoral antes e após o pleito e da organização das filas que se formam. Munido de sua cédula de identidade, apresenta-a a um dos mesários que cuidam das máquinas que captam impressões digitais, apõe seu polegar direito e, na tela, aparece a reprodução de sua identidade.

O mesário compara os dados e lhe informa por escrito em que mesa deverá votar. Apresenta-se na sala ao mesário que confere seu nome e dados no caderno de votação onde apõe sua assinatura e impressão digital. Dirige-se, então, ao presidente da mesa que lhe pergunta se sabe como votar e se necessita de explicação.

O eleitor dirige-se à mesa onde estão as máquinas eletrônicas protegidas por um biombo de papelão. O presidente aperta um botão e libera o voto. O eleitor vota secretamente e, ao concluir seu voto, pressiona um botão de finalização. A máquina emite um comprovante físico. O votante confere o seu voto nesta papeleta, dobra-a e a introduz numa urna.

Em seguida, dirige-se a outro mesário e oferece seu dedo mindinho para limpar e mergulhar na tinta indelével, uma reafirmação visível de que não poderá votar uma segunda vez, visto que a máquina da impressão digital já impedia essa possibilidade. Finda a votação, a máquina emite a ata numa tira de papel. E ali mesmo é feita a auditoria, comparando-se a ata eletrônica com a urna onde foram depositados os comprovantes. Todos os dados são imediatamente enviados por rede à central de totalização do CNE.

A oposição a Chávez alegava antes, e reafirma agora, que Chávez preparou uma cama de gato ao aprovar nova demarcação das circunscrições eleitorais. Novamente uma grossa mentira para tentar desqualificá-lo. Fundamentalmente porque é o Poder Eleitoral, e só ele, quem define as regras do jogo.

E essas regras, ou seja, o sistema eleitoral, respeitaram o art. 186 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela que reza: “A Assembleia Nacional estará integrada por deputados eleitos em cada entidade federal, por votação universal, direta, personalizada e secreta com representação proporcional segundo uma base proporcional de 1,1 por cento da população total do país. Cada entidade federal elegerá, ademais, três deputados.”

São 165 as cadeiras da Assembléia Nacional assim distribuídas: 72 assentos correspondentes aos 3 deputados por cada um dos 24 estados; 90 assentos distribuídos na rigorosa proporção da base populacional de cada estado; 3 assentos à representação indígena.

São 87 as circunscrições eleitorais distribuídas nos vários estados. Cinqüenta e dois deputados são eleitos proporcionalmente em lista partidária. (voto por lista). Há estados de maior população que elegem 3 por lista e os demais, 2. Cento e dez deputados são eleitos nominalmente dentro de suas respectivas circunscrições (voto distrital). Portanto, todos os conceitos eleitorais universalmente aceitos estão aí contemplados.

O resultado final mostrou o seguinte: PSUV de Chávez, 98 cadeiras; Partidos de oposição, 64; Pátria Para Todos (PPT), 3. Os deputados indígenas já estão aí incluídos. A oposição alardeia cinicamente a manipulação das regras eleitorais gritando que, tendo recebido perto de 48% dos votos, deveria receber semelhante representação parlamentar

Vejam o que ocorreu, por exemplo, no estado de Zulia, tradicionalmente opositor e que contribuiu com o maior número de deputados, 15. O PSUV de Chávez obteve 44,42% dos votos e elegeu apenas 3 deputados (20%). Os partidos de oposição tiveram 54,82% dos votos e ficaram com 12 vagas (80%). Algo ainda mais evidente ocorreu no estado de Anzoátegui. Isto a mídia esconde.

Os jornalões estampam em títulos gritantes: “Derrota de Chávez”, “Chávez sofre um estrondoso revés político”. Conquistar 98 num parlamento de 165 cadeiras é vitória expressiva em qualquer lugar do mundo. É verdade que Chávez e o PSUV imprimiram à campanha um caráter plebiscitário, almejando a conquista de 110 assentos, maioria qualificada, que lhes permitiria avanços mais céleres no processo revolucionário, inclusive reformas constitucionais.

Levaram pouco em conta que, em eleições parlamentares, outros fatores, que não os políticos, podem ter peso decisivo. Não tendo alcançado a meta, deverão rever suas táticas e estratégia. E se é certo que será mais difícil avançar com a futura composição parlamentar, é praticamente impossível qualquer recuo nos avanços já conquistados pela revolução bolivariana.

Nos dois anos que separam das eleições presidenciais de 2012, o governo Chávez deverá se preocupar em resolver ou atenuar alguns dos graves problemas que afligem o povo venezuelano: melhoria drástica da eficiência administrativa do governo central e dos governos estaduais e municipais; retomada do crescimento econômico e conseqüente volta à redução do desemprego; fortalecimento e aprimoramento de todos os programas sociais em curso; combate implacável à delinqüência; medidas enérgicas para reduzir a inflação; postura intransigente a atos de corrupção, desvios e facilidades.

A boa resposta governamental a essas preocupações da população atrairá parcelas que se sentem incomodadas e negam apoio na hora de votar. Ao lado disso, é essencial repensar o jogo político, defender e consolidar as conquistas, enfrentar com firmeza as tentativas internas ou externas de desestabilização, aprofundar a consciência ideológica e o grau de organização de suas bases, mas também construir alianças, trazendo para o campo revolucionário fatias da sociedade que se afastaram e atrair parte dos setores profissionais, da intelectualidade da área artística e da juventude. Serão dois anos difíceis em que será preciso livrar o bom e inteligente combate.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Serra, naftalina e guerra fria

Carta Maior, 27-09-2010

Venezuela vai às urnas em clima de absoluta democracia. Observadores internacionais atestam a lisura do pleito. População comparece em massa aos locais de votação. Não há confrontos, não há incidentes políticos sérios. Chávez obtem maioria simples no Congresso; a oposição cresce; haverá mais negociação para se aprovar mudanças estratégicas na economia e na sociedade. É isso a 'ditadura chavista' ? Um dia de voto e liberdade desmente centenas de páginas da mídia demotucana; capas e mais capas de VEJA derretem como picolé ao sol do Caribe. Sobretudo, porém, o pleito de ontem revela a esférica lente do anacronismo político com a qual Serra olha E interpreta a América Latina, a ponto de ter feito campanha contra o ingresso da Venezuela no Mercosul por discordar da liderança de Chávez. A oposição venezuelana, uma das mais extremadas da região, mostrou-se menos obtusa que o candidato do conservadorismo brasileiro; foi às urnas e renasceu como interlocutor político. Entre outras razões, é por isso que Serra sai da eleição menor do que entrou. Na questão externa, sai como um porta-voz dos editoriais do Estadão, encharcado de naftalina e guerra fria.

domingo, setembro 26, 2010

Por que a direita não aceita Lula nos palanques da Dilma?

Editorial do Vermelho
Na crônica das eleições presidenciais posteriores a 1945, a classe dominante brasileira defronta-se com uma situação que, para ela, é inusitada: Lula pode, em sua sucessão, repetir o feito de Getúlio Vargas em 1945, e eleger seu candidato – no caso, candidata. Esta talvez seja uma das explicações para a perplexidade e ira da oposição conservadora contra a participação do presidente Lula nos palanques da campanha eleitoral, defendendo a eleição de Dilma Rousseff.

Em 1945, Getúlio Vargas assumiu posições democráticas e nacionalistas, aproximou-se dos trabalhadores e foi deposto por um conluio entre chefes militares de direita e a embaixada americana no Rio de Janeiro. Mas seu apoio ao marechal Dutra, na eleição presidencial daquele ano foi decisivo, ajudando-o a acumular os 3,3 milhões de votos, mais do que a soma de todos os outros candidatos, que tiveram 2,6 milhões. O candidato da UDN, o brigadeiro Eduardo Gomes, ficou com 2 milhões, numa derrota inesperada para a direita liberal que tentou contestar a vitória alegando pela mídia patronal que a intervenção de Getúlio foi demagógica. Qualquer semelhança com o que acontece hoje, 65 anos depois, não é mera coincidência...

Mas Dutra fez um governo reacionário, com uma política econômica liberal nociva para a nação e para os trabalhadores. Assim, em 1950, Getúlio voltou a ser eleito. Foi a senha para uma intensa campanha da direita contra o novo presidente, que culminou com seu suicídio em 24 de agosto de 1954. Mas o sonho dos golpistas de controlarem a presidência foi desfeito pelo verdadeiro levante popular animado pela divulgação da Carta Testamento de Vargas. E, na eleição que escolheu o novo mandatário, em 1955, a direita foi outra vez derrotada com a escolha de Juscelino Kubitschek, que a UDN via como herdeiro de Getúlio.

Uma nova chance conservadora veio em 1960, com a escolha de Jânio Quadros para o mais alto cargo da nação, sob o lema da moralidade e da luta contra a corrupção. Mas o novo presidente permaneceu pouco mais de seis meses no cargo, e renunciou no dia 25 de agosto de 1961. Foi substituído por João Goulart, outro herdeiro de Getúlio odiado pela direita e pela embaixada dos EUA. Ele foi deposto pelo golpe de Estado de 1º de abril de 1964, que deu início à longa série de generais presidentes que acabou com a democracia no Brasil e impôs governantes escolhidos a dedo pela cúpula das Forças Armadas.

O Brasil só voltou a ter eleições diretas para presidente em 1989. Elas foram convocadas pelo presidente José Sarney dentro do cronograma da institucionalização democrática sob a égide da Constituição de 1988. Mas no final do governo a popularidade de Sarney era tão baixa que ele não teve a menor condição de influir na escolha de seu sucessor.

Aquela eleição assistiu ao primeiro embate que teve Lula como candidato. Ele perdeu para Fernando Collor de Mello, que se apresentou como campeão da moral, do estado mínimo e das privatizações. Mas Collor foi afastado, acusado de corrupção, sendo sucedido pelo vice, Itamar Franco.

Não se pode dizer propriamente que Itamar tenha conseguido eleger seu sucessor. Embora tenha terminado o governo com boa aprovação popular, a inflação era alta e o Plano Real, que conseguiu dominá-la, foi lançado no início da campanha eleitoral de 1994 (o real começou a circular no dia 1º de julho), e a eleição de Fernando Henrique Cardoso navegou na onda otimista criada pela nova moeda.

O otimismo logo se esvaiu; a política neoliberal de FHC privatizou estatais, desmontou o Estado, não teve competência para enfrentar crises econômicas internacionais, estagnou a economia, aumentou o desempregou e empobreceu o país. Ela demoliu a popularidade inicial do presidente, que chegou ao fim com meros 26% de aprovação popular. E não elegeu seu sucessor: em 2002 a vontade popular levou Lula à presidência que, hoje, com mais de 80% de aprovação popular, tem chances reais de ajudar a fazer de Dilma Rousseff a nova presidente do Brasil.

Neste mais de meio século que nos separa de 1945 o conflito programático na disputa pela Presidência da República sempre envolveu o confronto de dois programas. Um, o da direita neoliberal, que favorece o grande capital financeiro, a ligação com o imperialismo norte-americano e as restrições à democracia e à participação popular. Contra ele, as forças políticas mais avançadas e democráticas opuseram a busca do desenvolvimento autônomo da nação, o fortalecimento da indústria, a robustez do mercado interno, a valorização do trabalho e da renda dos brasileiros e o fortalecimento da participação popular.

Marcados pela impopularidade, os governos da direita foram incapazes de fazer seus sucessores (exceto durante a ditadura militar de 1964...). E, historicamente a direita sempre pregou o golpe contra presidentes que, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e, agora, Lula, defenderam projetos nacionais em desacordo com seus interesses conservadores. Foi um longo período de instabilidade e crise permanente em que, antes de Lula, apenas Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso foram presidentes civis eleitos que terminaram seus mandatos dentro dos prazos constitucionais.

A direita tem uma adesão mística à imagem de presidentes neutros em relação à luta eleitoral, com comportamento majestático e que não entram no confronto político aberto e claro, como se fossem monarcas com prazos de governo fixados em lei. É uma imagem que não corresponde ao seu próprio comportamento truculento, e de seus porta-vozes midiáticos, que se voltam contra governantes que não seguem sua cartilha antidemocrática e pretensamente apolítica. Mas isso, tudo indica, está ficando para trás no cenário brasileiro.

Chàvez convida venezuelanos a votarem

Quem conclama para que o povo vote é ditador ?

Humor político

Quem tem medo da democracia?

Emir Sader

O momento mais trágico da história brasileira – o do golpe de 1964 e da instauração do pior regime político que o Brasil já teve, a ditadura militar – foi o momento da verdade da democracia. O momento revelou quem estava a favor e quem estava contra a democracia. E quem pregava e apoiava a ditadura. Foi um divisor definitivo de águas. O resto são palavras que o vento leva. A posição diante da ditadura e da democracia, na hora em que não havia outra alternativa, em que a democracia estava em risco grave – como se viu depois - foi decisiva para definir que é democrata e quem é ditatorial no Brasil.

Toda a velha imprensa, que segue ai – FSP, Globo, Estadão, Veja – pregou e apoiou o golpe militar, compactuou com a destruição da democracia no Brasil e enriqueceu com isso. Compactuou inclusive com a destruição da Última Hora, o único jornal que sempre resistiu à ditadura. O mesmo aconteceu com a maior parte da elite política da época - uma parte da qual ainda anda por aí, quase todos dando continuidade ao mesmo papel de inimigos da democracia, mesmo se disfarçados de democratas.

A história contemporânea é continuação daquela circunstância e da ditadura que ela instaurou. Se o amplo apoio ao governo Lula provêm, no essencial, em ter, pela primeira vez, diminuído a desigualdade, a injustiça e a exclusão social no Brasil, isto se deve, em grande parte, à monstruosa desigualdade que o modelo implantado pela ditadura – fundado na liberdade total ao capital e no arrocho dos salários, acompanhado da intervenção em todos os sindicatos – promoveu.

Da mesma forma que a polarização atual da política brasileira se centra de novo em torno da alternativa democracia/ditadura. Como naquela época, ambos os lados dizem falar em nome da democracia. Como naquela época, toda aquela imprensa e parte da elite política tradicional, falam da democracia – que eles mesmos ajudaram a massacrar ao pregar e apoiar a instauração da ditadura no Brasil –, mas representam a antidemocracia, representam os interesses tradicionais das elites, que resistem à imensa democratização por que passa o Brasil.

O golpe de 1964 foi realizado para evitar a continuidade de um processo de ampla democratização por que passava o Brasil. A política econômica do governo Jango, a extensão da sindicalização – aos funcionários públicos, aos trabalhadores rurais -, as lutas populares por mais direitos, o começo de reforma agrária, incorporavam crescentes setores populares a direitos essências. Mas isso não era funcional aos interesses das elites dirigentes, comprometidas com interesses econômicos voltados para o consumo das camadas mais ricas da sociedade – a indústria automobilística era o eixo da economia – e para a exportação, em detrimento do mercado interno de consumo popular.

O golpe e a ditadura militar fizeram um mal profundo para o Brasil, mas favoreceram o capitalismo fundado nas grandes corporações nacionais e internacionais, que lucraram como nunca – entre elas os próprios grupos econômicos da mídia. A gritaria de que a democracia estava em perigo, em 1964, serviu para acobertar a ditadura e o regime mais antipopular que já tivemos.

Agora o quadro se repete, já não mais como tragédia, mas como farsa. Vivemos de novo um processo de ampla e profunda democratização da sociedade brasileira. Dezenas de milhões de brasileiros, que nunca haviam tido acesso aos bens mínimos à sobrevivência, adquirem o direito de tê-los, para viver com um mínimo de dignidade. O mercado interno de consumo popular passou a ser elemento integrante essencial do modelo econômico.

A sociedade brasileira, que era a mais desigual da América Latina - que, por sua vez, é o continente mais desigual do mundo -, pela primeira vez, começou a ser menos desigual, menos injusta. Isso incomoda às elites conservadoras brasileiras. Já não podem dispor do Estado brasileiro – e das empresas estatais – como sempre dispuseram. Os donos de jornais, rádios e TVs, já não têm um presidente da república que almoce e jante com eles, com todas as promiscuidades decorrentes daí.

Sentem que o poder se lhes escapa das mãos. Que um presidente – nordestino e operário de origem – conquistou um prestigio e um apoio popular, apesar deles. Tem medo do povo. Quando se dão conta da democratização que começou a acontecer, logo retomam os seus fantasmas da guerra fria e gritam que a democracia está em perigo, quando o que está em perigo são os seus privilégios.

São os mesmos que confundiam seus privilégios com democracia – porque assimilavam democracia com regime que protegia seus interesses -, que agora tem medo da democracia, porque sentem que perdem privilégios. Privilégios de serem os únicos formadores de opinião publica, de serem os que filtravam quem podia ocupar a presidência republica e os outros cargos públicos importantes. Privilégios de terem acesso exclusivo a viajar, a comprar certos bens, a ir ao teatro. Privilégios de decidir as políticas governamentais, de eleger e destituir presidentes.

O que está em perigo são os privilégios das minorias. O que está em desenvolvimento no Brasil é o mais amplo processo de democratização que o país já conheceu. Um processo que apenas começa, que tem que quebrar o monopólio do dinheiro (poder do capital financeiro), da terra (poder dos latifundiários) e o poder da palavra (poder da mídia monopolista), entre outros, para que nos tornemos realmente um país justo, solidário e soberano.

Quem tem medo da democracia? As elites que sempre detiveram privilégios, que agora começam a perdê-los. O povo, os que têm consciência social, democrática, não tem nada a temer. Tem um mundo – o outro mundo possível – a ganhar.

segunda-feira, setembro 20, 2010

sexta-feira, setembro 17, 2010

quinta-feira, setembro 16, 2010

segunda-feira, setembro 13, 2010

A mídia e o escândalo Lula

Emir Sader

Quem olhasse para o Brasil através da imprensa, não conseguiria entender a popularidade do Lula. Foi o que constatou o ex-presidente português Mario Soares, que a essa dicotomia soma a projeção internacional extraordinária do Lula e do Brasil no governo atual e não conseguia entender como a imprensa brasileira não reflete, nem essa imagem internacional, nem o formidável e inédito apoio interno do Lula.
Acontece que Lula não se subordinou ao que as elites tradicionais acreditavam reservar para ele: que fosse eternamente um opositor denuncista, sem capacidade de agregar, de fazer alianças, se construir uma força hegemônica no país. Ficaria ali, isolado, rejeitado, até mesmo como prova da existência de uma oposição – incapaz de deixar de sê-lo.
Quando Lula contornou isso, constituiu um arco de alianças majoritário e triunfou, lhe reservavam o fracasso: ataque especulativo, fuga de capitais, onda de reivindicações, descontrole inflacionário, que levasse a população a suplicar pela volta dos tucanos-pefelistas, enterrando definitivamente a esquerda no Brasil por vinte anos.
Lula contornou esse problema. Aí o medo era de que permanecesse muito tempo, se consolidasse. Reservaram-lhe então o papel de “presidente corrupto”, vitima de campanhas orquestradas pela mídia privada – como em 1964 -, a partir de movimentos como o “Cansei”. Ou o derrubariam por impeachment ou supunham que ele pudesse capitular, não se candidatando de novo, ou que fosse, sangrado pela oposição, ser derrotado nas eleições de 2006. Tinham lhe reservado o destino do presidente solitário no poder, isolado do povo, rejeitado pelos “formadores de opinião”, vitima de mais um desses movimentos que escolhem cores para exibir repudio a governos antidemocráticos e antipopulares.
Lula superou esses obstáculos, conquistou popularidade que nenhum governante tinha conseguido, o povo o apóia. Mas nenhum espaço da mídia expressa esse sentimento popular – o mais difundido no país. O povo não ouve discursos do Lula na televisão, nem no rádio, nem os pode ler nos jornais. Lula não pode falar ao povo, sem a intermediação da mídia privada, que escolhe o que deseja fazer chegar à população. Nunca publica um discurso integral do presidente da republica mais popular que o Brasil já teve. Ao contrário, se opõem frenética e sistematicamente a ele, conquistando e expressando os 3% da população que o rejeita, contra os 82% que o apóiam.
Talvez nada reflita melhor a distância e a contraposição entre os dois países que convivem, um ao lado do outro. Revela como, apesar da moderação do seu governo, sua imagem, sua trajetória, o que ele representa para o povo brasileiro, é algo inassimilável para as elites tradicionais. Essa mesma elite que tinha uma imensa e variada equipe de apologetas de Collor e de FHC, não tolera o fracasso deles e o sucesso nacional e internacional, político e de massas, de um imigrante nordestino, que perdeu um dedo na máquina, como torneiro mecânico, dirigente sindical e um Partido dos Trabalhadores, que não aceitou a capitulação ou a derrota.
Lula é o melhor fenômeno para entender o que é o Brasil hoje, em todas as posições da estrutura social, em todas as dimensões da nossa história. Quase se pode dizer: diga-me o que você acha do Lula e eu te direi quem és.

domingo, setembro 12, 2010

Salvador Allende

Há 37 anos, no dia 11 de setembro de 1973, Allende era assassinado pelas Forças Armadas chilenas em um brutal golpe de Estado patrocinado pela elite chilena em conluio com os Estados Unidos. Hoje as forças populares progressistas lembram o fato e exortam o povo à luta para prosseguir os avanços iniciados por seu governo e retomados pelos atuais governos da América Latina.

Faltam tres semanas

Carta Maior - 12/09
Serra já tentou todas as máscaras; de neo-lulista a sucessor de Alvaro Uribe no comando da direita lationamericana. Fez-se passar por vítima e depois caluniou com sofreguidão. Não parou de cair nas pesquisas mas, sobretudo, algo que os isentos comentaristas fingem não ver, a forma arestosa como faz política, encharcada de falsidade quase colegial, inspira cada vez mais repulsa, mesmo entre seus pares. Serra tem 32% de rejeição, contra 27% de apoio nos levantamentos do complacente instituto de pesquisas da família Frias, cuja aderencia à campanha demotucana não é mais objeto de discussão. Serra vai receber a extrema unção política dia 3 de outubro ou em seguida, no 2º turno. O conservadorismo nativo sabe que ele é um fósforo queimado. Jamais será cogitado novamente como um líder aglutinador. A exemplo de certos colunistas e veículos, porta-vozes da direita e da extrema-direita nativa, Serra sabe que perdeu o bonde da história e quer vingança. Eles já teriam disparado a bala de prata se ela existisse. Não conseguiram uma. Resta-lhes o método da saturação. Expelir diariamente acusações, calúnias, falsas denúncias, insinuações, preconceitos, mentiras. Requentar velhos temas, criar uma nuvem de ilações descabidas. Recriar, enfim, o artifício udenista de um mar de lama em torno do governo, do PT, de Lula e Dilma na esperança de que, ao menos, sua derrota seja também uma derrota da democracia.Quem sabe capaz de reproduzir no país uma classe média de vocação golpista, a exemplo do que a direita conseguiu na Venezuela. Serra, os petizes da Veja, os aliados espalhados na mídia demotucana em geral, não tem o talento de um Carlos Lacerda. Nem a coragem dos golpistas que íam às ruas apregoar abertamente a derrubada de governos. O que eles possuem de mais perigoso no momento é a consciência de que não tem mais nada a perder. Derrotados, pior que isso, desmoralizados como incompetentes entre seus próprios pares, atingiram aquele ponto em que são capazes de qualquer coisa. Faltam tres semanas para as eleições. A barragem de fogo vai se intensificar. Contra o jogral da mídia pró-Serra, o Presidente Lula terá que usar todo o peso de sua liderança popular para consumar a vitória das forças democráticas contra uma direita disposta a se transformar em carniça para incomodar até depois de morta.

sábado, setembro 11, 2010

Declarações de Fidel Castro

Fidel Castro afirma que suas declarações foram mal interpretadas por jornalistas dos EE.UU.


sexta-feira, setembro 10, 2010

Fernando Pessoa (1888-1935)












Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Serra sabia da devassa desde 2009

Eles usam black tie

Walter Sorrentino

Lá vai o féretro da Política. Ela, pálida de morte, vai contrariadíssima, cheia de vergonha e indignação. Jamais imaginou ser declarada inimiga e conduzida na padiola com que querem enterrá-la os próceres da oposição. Menos ainda que difundissem que teria perecido em meio a crônicas policiais de segunda categoria. Imaginava ser um adversário de escol e, assim, ter melhor morte, se fosse para morrer. Mas ao contrário. Não morreria justo agora em que as maiores parcelas do povo irrompem no proscênio da política brasileira.

Aliás, o povo protagonista da política demorou mais que ser retratado nos palcos da dramaturgia nacional, inaugurado pelo magistral Guarnieri em Eles não usam black tié, lá se vão 50 anos. Na política, a inovação histórica tem apenas 8 anos. Sempre se imaginou que, quando isso ocorresse, haveria grandes tormentos para a parcela mais bem aquinhoada da sociedade. Mas não. O país seguiu bem, melhorou, reencontrou o caminho do desenvolvimento após duas décadas perdidas na estagnação.

Os que usam o black tie, ou os que se julgam os únicos a poder usá-lo, esses sim ficaram atormentados. Agem como sempre: prepotentes, donos da verdade (publicada), em manchetes que só plutocratas teriam coragem de usar. Como por exemplo Jereissati, o senador, dizer da situação brasileira: “Vai acabar todo mundo no Bolsa-Família e ninguém produz mais nada”. É o que um escravocrata pensava da abolição no fim do século 19 – mas nem teria coragem de dizê-lo em público. Jereissati é corajoso, como se vê, tanto quanto a oposição golpista e inconseqüente da Venezuela.

Os tucanos perdidos estavam como oposição, assim continuaram na campanha. Perderam o debate político na sociedade. Carente de outro rumo, puseram em ação uma versão requentada de udenismo primário, aquele que levou Getúlio ao suicídio, ou o que, em outros tempos , produziu a ditadura de 1964 – lembrem-se, também em nome da democracia. Hoje são as bandeiras farsescas da mexicanização, estado policial, subperonismo, autoritarismo popular, perigo para a democracia. A oposição midiático-tucana (hoje seria exagero falar em “demo”-tucana…) chegou a extremos de cinismo, insensatez, falta de escrúpulos. Manchetes de “escândalos” se sucedem todo dia, dias a fio, tão artificiais quanto previsíveis, nos jornalões da Globo e de São Paulo (só isso). Expedientes obscuros, inescrupulosos e mal afamados. É tutto la stessa cosa. É como uma marcha-fúnebre da Política.

Só o povo não é o mesmo. Ele foi quem definiu a tendência desta eleição, com grande antecedência: forneceu o vetor pela continuidade. Deu seu voto de confiança no rumo aberto no país por Lula, a ser continuado por Dilma. Espera que esse caminho produza todos os frutos potenciais. Em termos de nações, isso é coisa para pelo menos 20 anos, para consolidar e aprofundar a mudança de rumo nascida do governo Lula.

A oposição errou estrategicamente. A mãe dos erros é sua visão de país. Ou melhor, a cegueira para o que aconteceu de fato nos últimos anos para 192 milhões de brasileiros, particularmente os 56 milhões que ascenderam socialmente de maneira marcante. O tucanos estagnaram, ficaram presos ao falso brilho de latão reluzente que significou sua passagem pelo poder nos anos 1990, com Fernando Henrique, e à perspectiva de um projeto de inserção subordinada do país à globalização neoliberal, sócio menor do consórcio norte-americano.

Haveria como ser mais digno na derrota, mas vá lá. O pior pode estar por vir para eles. Terão que se reinventar. A perspectiva de derrota é má conselheira e adverte-se dias difíceis – a vingança entre eles será maligna. Enquanto isso, a Política, longe de ser enterrada, se instituirá em plenitude, na disputa, na sociedade e no governo, de rumos do projeto para o país. Aliás, mais necessária e bem servida agora que nunca, pois o povo conquistou cidadania mais plena numa democracia mais extensa e profunda.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Fala de Lula contra Serra

O Processo da Independência

Mauro Santayana

As nações podem ter forte identidade de origem ou construí-la no andamento da História, como ocorreu aos Estados Unidos e ao Brasil. O processo da independência é inseparável da afirmação da identidade – e, nos dois casos, o processo é recente, em termos históricos. Tivemos que iniciar – eles e nós – a construção nacional a partir de ruptura com uma pátria velha, que não nos servia, e aceitar outros genes para formar nossos povos.

Estamos, no fim da primeira década do milênio, no mundo inteiro, mas, particularmente no Brasil e nos Estados Unidos, vivendo etapa interessante de afirmação de identidade nacional. O presidente Obama retorna, de algum modo, ao keynesianismo de Roosevelt, com seu projeto de grandes obras de infraestrutura, a fim de criar empregos. Keynes é um dos insistentes profetas de nosso tempo: escorraçado, como Marx, continua vagando no campo das ideias. A História sempre recorre a si mesma, quando o presente cambaleia.

Desde a fundação, a República norte-americana oscila entre os dois projetos de impor sua identidade (ou seu poder) ao mundo: o do exemplo democrático e o da força bélica. O Brasil nunca teve a veleidade de impor-se ao mundo. Limitou-se a exercer o poder militar nas cercanias, a fim de proteger as fronteiras, adquiridas com a habilidade diplomática mais do que com a força.

Isso ocorreu com nossas intervenções, nem sempre exitosas, na Bacia do Prata, no caso da Província Cisplatina, na aliança com Urquiza contra Rosas e, depois, aliados a Mitre contra o Paraguai. Em todos esses episódios era difícil negar aos brasileiros o direito da intervenção militar.

O programa de Obama tem alguma coisa semelhante ao de Lula. Quando a liberdade do capitalismo o perverte, e a desigualdade se torna insuportável, é preciso que a autoridade do Estado se exerça, para salvar a economia. Foi o que ocorreu com o new deal, e está ocorrendo nos atos de Obama, mediante a intervenção regulatória no sistema financeiro e a reforma do sistema de saúde, já aprovadas pelo Congresso, e o recente plano de recuperação do sistema viário norte-americano que, em algumas regiões, parece mais precário do que o nosso.

Essas semelhanças políticas – que incluem a origem dos dois chefes de Estado – não podem, no entanto, permitir que baixemos a guarda. Ainda agora, sem que as autoridades brasileiras fossem informadas, quatro pesquisadoras norte-americanas, acompanhadas de quase 20 estudantes da mesma nacionalidade, estavam colhendo amostras da diversificada e rica água do Pantanal. Em junho do ano passado, outros pesquisadores ianques também foram presos – acompanhados de brasileiros – quando colhiam sedimentos minerais e orgânicos do leito da Baía Vermelha, na mesma região.

O nacionalismo expansionista é criminoso, mas a defesa das fronteiras nacionais é imperativa, inseparável da identidade moral de nosso povo. Infelizmente, o país está aberto a esses violadores de seus segredos naturais. Temos sido roubados de nossos recursos com o saque do pau-brasil, das sementes das seringueiras, do ouro, do ferro, do manganês e de minerais raros e da nossa fantástica biodiversidade.

Dentro dessas perspectivas, às quais se acrescentam as da ampliação do mar territorial brasileiro, já reivindicada junto à ONU, e a exploração de seus recursos, a necessidade impõe mobilizar toda a sociedade e suas Forças Armadas, a fim de preservar a identidade nacional e, com ela, nosso patrimônio físico e moral. A independência é processo permanente de resistência.

quarta-feira, setembro 08, 2010

A Sagração da Primavera - Igor Stravinsky

Ambientado numa Rússia primeva, descreve um ritual em que uma jovem dança até a morte para obter a graça do deus da primavera. O balé é uma obra de êxtase selvagem, animada por ritmos poderosos e primitivos.