segunda-feira, agosto 31, 2009

EUA: com os pés na Colômbia e os olhos no Brasil


Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.
Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.
Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.
E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.
Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.
Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.
Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.
“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.
Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.
A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.
As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.
O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.

sexta-feira, agosto 28, 2009

O que se dirime em Bariloche

Luis Bilbao

Os presidentes das 12 nações sulamericanas vão reunir-se em poucas horas em Bariloche. Uma porção ínfima da cidadania conhece a transcendência do tema que será debatido nessa reunião de emergência.

Existem motivos para a ignorância. A história registrará a conduta desta conjuntura de políticos, analistas e meio de comunicação como um caso sobressalente de irresponsabilidade e alienação. Arrastados por interesses imediatos, o grosso deles ou tem mantido silêncio ou tem se prestado a grosseiras manobras diversionistas que ocultam a magnitude do problema: Estados Unidos avança pelo caminho da guerra na América Latina e o Caribe.

Já não é um mandatário brutal quem vive na Casa Branca. Já não governa nos Estados Unidos, o partido identificado publicamente com o complexo militar industrial. Porém, Washington ameaça sistemática, inexoravelmente, com a guerra em nossos países. Isso é a reativação da IV Frota da Marinha dos Estados Unidos nas águas do Caribe. Isso é o golpe de Estado em Honduras. Isso é a instalação de sete bases militares na Colômbia. De modo que fica claro: a dinâmica belicista na qual os Estados Unidos embarcaram o mundo nos últimos anos, com aceleração irracional desde finais de 2001, não tem como motor a tal ou qual presidente, mas a crise estrutural do sistema, que estourou em suas mãos um ano atrás. Fica claro que o capitalismo imperialista nos leva à guerra.

Isso será discutido em Bariloche. O resultado dependerá da posição que os governantes até agora indefinidos, ambíguos adotem. Os governos da Venezuela, da Bolívia e do Equador já exigiram sem rodeios que Unasul se pronuncie contra a instalação das bases na Colômbia. Os do Peru e, naturalmente, da Colômbia seguem o ditado de Washington. Os restantes navegam no estreito espaço da cumplicidade, da perplexidade e do temor. Exceto nos três primeiros países mencionados, a cidadania não tem sido informada por seus governantes; menos ainda convocada a analisar e debater tamanha encruzilhada histórica. Esse já é um dado demasiado eloqüente acerca de convicções e metodologias daqueles que ocupam os mais altos cargos. Dito seja de passo, a eleição de uma pequena cidade do extremo austral argentino, repete a tática de outras cúpulas que fogem de lugares povoados e de fácil acesso para impedir a participação cidadã. Cabe temer que as sessões de debate não sejam televisionadas sequer para os jornalistas acreditados. Se isso acontecer, o escamoteio será total. E o crime, perfeito.

Por isso, há especial relevância em uma proposta lançada como pedra de David pelo presidente boliviano Evo Morales: "por que não ir a um referendo na América do Sul?", propôs diante de uma concentração de habitantes de Coipasa, no sul andino boliviano. O argumento é simples: "que os povos digam sim ou não; que o povo decida e não que o império imponha sobre as bases militares".

Trata-se de uma reivindicação estritamente democrática, que ninguém comprometido com o republicanismo e com os propósitos da Unasul poderia negar: como em uma União de Nações poderia admitir-se que um governo ceda o território de seu país para a instalação de bases militares estrangeiras, menos ainda estadunidenses? Como opor-se a uma resolução democrática da cidadania envolvida?

Portanto, uma das incógnitas que ficará esclarecida em Bariloche é se os participantes dessa grande conquista histórica que é Unasul concebem efetivamente uma união sulamericana. A outra será sobre o compromisso de cada qual com a democracia onde esta importa.

Ficará dirimido também, positiva ou negativamente, um terceiro aspecto chave da conjuntura histórica: o alinhamento geopolítico e estratégico de cada governo. Os tempos da demagogia e da prestidigitação se esgotaram. Ninguém poderá falar de paz, crescimento, democracia, soberania e justiça se não soma sua voz à voz daqueles que condenam as bases na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e a descontrolada agressividade midiática do imperialismo com todo o seu dispositivo hemisférico; porém, além de condenar verbalmente, toma medidas efetivas para impedir esta carreira em direção ao abismo.

Os e as presidentes da Unasul devem assumir uma responsabilidade que não admite dilação nem subterfúgios. Porém, as exigências não param por aí: partidos, sindicatos, organizações sociais de todo gênero e dimensão, jornalistas, intelectuais, estudantes, trabalhadores temos a obrigação de observar com lupa o que aconteça em Bariloche; transmiti-lo a centenas de milhares de compatriotas; acompanhar aos governos que saiam em defesa de seus povos e, desde as raízes da sociedade, com a participação de todos, levar a cabo a grande tarefa de união sulamericana, com a ausência dos governos que fraquejem nessa hora crucial.

Bilbao estará presente na Cúpula de Bariloche e nas manifestações programadas para condenar as bases estadunidenses na Colômbia.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Produtividade no setor público supera a do setor privado


O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006. “Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, diz o presidente do instituto, Marcio Pochmann (foto). “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”, acrescenta.
A administração pública é mais produtiva do que o setor privado. Essa foi uma das conclusões a que chegou o estudo Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006.

“Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ao divulgar o estudo. “No último ano do estudo [2006], por exemplo, a administração pública teve uma produtividade 46,6% maior [do que a do setor privado]. O ano em que essa diferença foi menor foi 1997, quando a pública registrou produtividade 35,4% superior à da privada”.

O estudo diz que entre 1995 e 2006 a produtividade na administração pública cresceu 14,7%, enquanto no setor privado esse crescimento foi de 13,5%. “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”.

Segundo o Ipea, a administração pública é responsável por 11,6% do total de ocupados no Brasil. No entanto, representa 15,5% do valor agregado da produção nacional. “A produção na administração pública aumentou 43,3% entre 1995 e 2006, crescimento que ficou mais evidente a partir de 2004. No mesmo período, os empregos públicos aumentaram apenas 25%. Isso mostra que a produtividade aumentou mais do que a ocupação”, argumentou o presidente do Ipea. "Esse estudo representa a configuração de uma quebra de paradigma, porque acabou desconstruindo o mito de que o setor público é ineficiente”, defendeu Pochmann.

Entre os motivos que justificariam o aumento da eficiência produtiva da administração pública, Pochmann destacou as recentes inovações, principalmente ligadas às áreas tecnológicas que envolvem Informática; os processos mais eficientes de licitação; e a certificação digital, bem como a renovação do serviço público, por meio de concursos.

O presidente do Ipea lembrou ainda que as administrações estaduais que adotaram medidas de choque de gestão, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não constam entre aquelas com melhor desempenho na produtividade. "Ou tiveram ganho muito baixo, ou ficaram abaixo da média de 1995 a 2006", afirmou, ressalvando que essa comparação não era objetivo do estudo, mas foi uma das conclusões observadas.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Chomsky e Chávez



Presidente venezuelano, Hugo Chávez, recebeu Noam Chomsky no Palácio de Miraflores

Noam Chomsky é professor de linguística e filosofia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), é também um ativista político incansável em suas manifestações contra o capitalismo americano.

terça-feira, agosto 25, 2009

Materna





Dedicado à Ana Laura de Almeida
(1912-2009)

Qual teria sido o sonho
Da moça de família antiga
Que o vasto coração risonho
A todos com amor abriga?

Ser mãe teria sonhado um dia?
Dessa matéria era seu ser
Embora fosse apenas tia
Foi mãe pelo puro prazer.

De alma simples e o riso fácil
Foi por todos muito amada
Com seu temperamento grácil
Que cumpriu a missão sagrada.

Caíque Pontes Vieira

Qual será o futuro de nossos netos ?


Leonardo Boff

Olhando meus netos brincando no jardim, saltitando como cabritos, rolando no chão e subindo e descendo árvores surgem-me dois sentimentos. Um de inveja: já não posso fazer nada disso com as quatro próteses que tenho nos membros inferiores. E outra de preocupação: que mundo irão enfrentar dentro de alguns anos? Os prognósticos dos especialistas mais sérios são ameaçadores. Há uma data fatídica ou mágica sempre aventada por eles: o ano 2025. Quase todos afirmam: se nada fizermos ou não fizermos o suficiente já agora, a catástrofe ecológico-humanitária será inevitável. A recuperação lenta que se nota em muitos países da atual crise econômico-financeira, não significa ainda uma saída dela. Apenas que a queda livre se encerrou. Volta o desenvolvimento/crescimento mas com outra crise: a do desemprego. Milhões estão sendo condenados a serem desempregados estruturais. Quer dizer, não irão mais ingressar no mercado de trabalho, sequer ficarão como exército de reserva do processo produtivo. Serão simplesmente dispensáveis. Que significa ficar desempregado permanentemente senão uma lenta morte e uma desintegração profunda do sentido da vida? Acresce ainda que estão prognosticados até àquela data fatídica cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos.
O relatório feito por 2.700 cientistas "State of the Future 2009" (O Globo de 14.07/09) diz enfaticamente que devido principalmente ao aquecimento global, por volta de 2025, cerca de três bilhões de pessoas não terão acesso à água potável. Que significa dizer isso? Simplesmente que esses bilhões, se não forem socorridos, poderão morrer por sede, desidratação e outras doenças. O relatório diz mais: metade da população mundial estará envolvida em convulsões sociais em razão da crise sócio-ecológica global.
Paul Krugman, prêmio Nobel de economia de 2008, sempre ponderado e crítico quanto à insuficiência das medidas para enfrentar a crise sócio-ambiental, escreveu recentemente: "Se o consenso dos especialistas econômicos é péssimo, o consenso dos especialistas das mudanças climáticas é terrível"(JB 14/07/09). E comenta: "se agirmos da mesma forma como agimos, não o pior cenário, mas o mais provável, será a elevação de temperaturas que vão destruir a vida como a conhecemos".
Se provavelmente assim será, minha preocupação pelos netos se transforma em angústia: que mundo herdarão de nós? Que decisões serão obrigados a tomar que poderão significar para eles vida ou morte?
Comportamo-nos como se a Terra fosse só nossa e de nossa geração. Esquecemos que ela pertence principalmente aos que ainda virão, nossos filhos e netos. Eles têm direito de poder entrar neste mundo, minimamente habitável e com as condições necessárias para uma vida decente que não só lhes permita sobreviver mas florescer e irradiar.
Os cenários referidos acima nos obrigam a soluções que mudam o quadro global de nossa vida na Terra. Não dá para continuar ganhando dinheiro com a venda do direito de poluir (créditos de carbono) e com a economia verde. Se o gênio do capitalismo é saber adaptar-se a cada circunstância, desde que se preservem as leis do mercado e as chances de ganho, agora devemos reconhecer que esta estratégia não é mais possível. Ela precipitaria a catástrofe previsível.
Para termos futuro devemos partir de outras premissas: ao invés da exploração, a sinergia homem-natureza, pois Terra e humanidade foram um único todo; no lugar da concorrência, a cooperação, base da construção da sociedade com rosto humano.
Dão-me alguma esperança os teóricos da complexidade, da incerteza e do caos (Prigogine, Heisenberg, Morin) que dizem: em toda a realidade funciona a seguinte dinâmica: a desordem leva à auto-organização e à uma nova ordem e assim à continuidade da vida num nível mais alto. Porque amamos as estrelas não temos medos da escuridão.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Correa y Fidel


Un profundo intercambio de impresiones se produjo en la mañana del pasado 21 de agosto entre el líder de la Revolución cubana, Fidel Castro Ruz, y el Presidente de Ecuador, Rafael Correa Delgado, acerca de la actualidad revolucionaria de ambos pueblos en la búsqueda de una mayor equidad y justicia social.

En un diálogo amplio y sincero, se refirieron a los avances obtenidos por la Revolución ciudadana que impulsa Correa, en particular en las materias económica, de educación y salud.

Fidel expresó su admiración por el impresionante trabajo que se realiza en la Misión «Manuela Espejo» para el pesquisaje de los discapacitados en la hermana nación, y la organización de la atención más eficiente a estos desde el punto de vista social y médico.

En el fraternal encuentro, que se extendió por varias horas, Fidel y Correa analizaron importantes asuntos de la actualidad internacional, intercambiaron sobre temas culturales e históricos y pusieron de manifiesto la estrecha amistad entre nuestros dos países.

sábado, agosto 22, 2009

ALBA aborda agenda social.


A Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) instaurou nesta sexta-feira um conselho ministerial da área social na Bolívia em que se advogou pela criação de empresas transnacionais que favoreçam projetos de educação e saúde nos países membros do bloco.

quarta-feira, agosto 19, 2009

La Comparsa


Os pianistas cubanos Bebo Valdés e Chucho Valdés, pai e filho, fazem um duo excelente neste video.

terça-feira, agosto 18, 2009

Michael Moore em Cuba

Trecho de um video de Michael Moore sobre o sistema de atendimento médico hospitalar em Cuba.
http://video.google.com/videoplay?docid=-8478265773449174245&hl=pt-BR

domingo, agosto 16, 2009

Carta do Presidente Chávez a seus homólogos da UNASUL




En nombre del espíritu de Libertad y Justicia de esta suprema época de grandeza que nos convoca en este luminoso presente, quiero extenderles a todos y todas, mi más sincero y fraterno saludo.
Comenzaré recordando que un 10 de agosto de 1809, fue pronunciado por el valeroso Pueblo ecuatoriano, el Primer Grito de su anhelada Independencia en Quito. La misma ciudad en la que hoy, a 200 años de emprendido nuestro incesante proceso de Independencia, nos hemos reunido en razón de responder a un compromiso ineludible y una esperanza concreta: honrar el esfuerzo de toda una generación de libertadores, que trazó el camino de las nuevas repúblicas de Nuestra América.
A la luz y sombra de este germen libertario esparcido por nuestros predecesores en estas imponentes tierras de la Abya Yala, se reanimó la idea de la unión de repúblicas, planteada por El Libertador, durante toda su vida política.
El mismo Bolívar que nos dejara estas premonitorias palabras el 6 de septiembre de 1815, en su Carta de Jamaica, la cual fue dirigida en respuesta al ciudadano Henry Cullen, un súbdito británico residenciado en Falmouth; como una grandiosa bitácora ideológica que por oportuna y verdadera, me permito incluir en estas líneas: Seguramente la unión es la que nos falta para completar la obra de nuestra regeneración. Sin embargo, nuestra división no es extraña, porque tal es el distintivo de las guerras civiles formadas generalmente entre dos partidos: conservadores y reformadores. Los primeros son, por lo común, más numerosos, porque el imperio de la costumbre produce el efecto de la obediencia a las potestades establecidas; los últimos son siempre menos numerosos aunque más vehementes e ilustrados. De este modo la masa física se equilibra con la fuerza moral, y la contienda se prolonga siendo sus resultados muy inciertos. Por fortuna, entre nosotros, la masa ha seguido a la inteligencia.
Revelaba el Padre Bolívar, una de sus grandes angustias: ver unidas a las naciones todas de nuestro ancho y largo continente en la Patria Grande.
El espíritu de la nación de Colombia, se expresó por vez primera en la Angostura bañada por nuestro indómito Orinoco, allá en el año de 1819. Surgida de los sueños de Miranda, Colombia fue hecha realidad por nuestro Bolívar aquél año y aunque fue desmembrada, su ánimo, hoy más que nunca, debe expresarse para darnos constancia de que nunca se perderá.
Nuestra Unión era para Bolívar, un pródigo fin, al que se llegaría únicamente a través de efectos sensibles y esfuerzos bien dirigidos. Y hoy, -a 200 años de aquella enorme gesta histórica-, el nacimiento de Unión Suramericana de Naciones (UNASUR), es la fiel muestra de que el proceso de liberación de nuestras naciones continúa imponiéndose con más vigor que nunca.
Sin embargo, y trayendo al presente toda esta síntesis histórica, debo decir con absoluta desazón que la unión y la independencia de nuestros países, constituye una amenaza para quienes aspiran seguir controlando nuestras riquezas naturales, nuestras economías y nuestra voluntad política, es decir, nuestra soberanía.Es evidente que, ante los avances progresistas y democráticos en nuestro continente, el imperio norteamericano -que en los últimos cien años ejerció su hegemonía sobre la vida de nuestras repúblicas- ha iniciado una contraofensiva, antihistórica y retrógrada con el propósito de revertir la unión, la soberanía y la democracia en nuestro continente, e imponer la restauración de la dominación imperial en todos los ámbitos de la vida de nuestras sociedades.
En este sentido, compartimos la visión de muchos en Latinoamérica y el mundo: esta contraofensiva se inició el 28 de junio de este año, con el perverso Golpe de Estado cometido en la hermana Patria hondureña. Dicen los militares golpistas de Honduras, y los poderosos voceros conservadores de Washington, que esta operación contra el presidente Zelaya, fue una maniobra pensada en función de destruir la Alianza Bolivariana de los Pueblos de Nuestra América (ALBA).
Una alianza que es un proyecto de paz, de justicia social, de unión solidaria, de democracia participativa con y para las mayorías de nuestros países; y a la vez es un proyecto independentista guiado por liderazgos legítimos de los humildes de hoy.
Este infame golpe, ha sido respondido dignamente por el Pueblo hondureño, enfrentando la represión y demostrando que son dignos herederos del heroico Morazán que, pasados 200 años, aun vigila.
Por ello, en función de la unidad que nos ha convocado desde siempre, y también siguiendo los acontecimientos de estos últimos tiempos, me permito hacerles un llamado de atención.
Compañeros y compañeras: desde mi Gobierno estamos real y profundamente preocupados, por la situación de tensión con la hermana República de Colombia, frente a la instalación de, al menos, siete bases militares norteamericanas en ese entrañable y hermano territorio suramericano.
Queremos denunciar, aquí y ahora, que este hecho es parte de un plan político y militar, orquestado para acabar con el proyecto de la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR), además de ser la más grande amenaza en este momento histórico, para las infinitas riquezas que yacen en nuestro continente, esto es: el oro negro, nuestro petróleo; el oro azul, las grandes reservas acuíferas; el oro verde, nuestra amazonía.
En los últimos años, hemos denunciado un acoso permanente contra nuestro país y nuestra Revolución Bolivariana, por parte de las elites que dirigen el imperio estadounidense. Nuestro Pueblo ha derrotado, -ante el asombro de la opinión internacional- Golpes de Estado, saboteos económicos y la embestida de un descarnado terrorismo mediático de alcance nacional e internacional. Hermanos y hermanas de Suramérica: la justificación política y mediática del gobierno de Colombia y los jefes de estas bases militares, son una amenaza concreta a la paz, la independencia y los derechos del Pueblo de Venezuela.
En los últimos días, hemos recibido las manifestaciones de preocupación y de solidaridad de los Pueblos y gobiernos del continente; así como también, de un importante sector de la sociedad colombiana. Creen quienes nos amenazan que pueden detener el curso de la nueva y heroica historia que hoy escribimos en paz: hacernos respetables es la garantía indestructible de vuestros afanes ulteriores por conservarles, dijo José Gervasio Artigas.
Pero, así como hace 200 años, nuestros Pueblos hicieron retroceder el decadente imperio español, hoy contamos con superiores condiciones morales y políticas para neutralizar a estos sectores guerreristas y así garantizar que nuestro continente sea una tierra de paz, sin amenaza militar.
Sería un error grave pensar que la amenaza es sólo contra Venezuela; va dirigida a todos los países del Sur del continente, sentencia el compañero Fidel en sus reflexiones tituladas “Siete puñales en el corazón de América”. Geopolíticamente, estamos al Sur de la hegemonía, y es una realidad que, trascendiendo la tendencia política de los gobiernos del mundo, el problema de la guerra concierne a la humanidad entera.
Nunca nuestras angustias han sido secretas, y de esa verdad eterna dio muestra el Apóstol de América, José Martí, al dejar en 1884, para éste nuestro tiempo, una incógnita vigente: ¿Qué somos, General (Máximo Gómez)? ¿Los servidores heroicos y modestos de una idea que nos calienta el corazón, los amigos leales de un pueblo en desventura, o los caudillos valientes y afortunados que con el látigo en la mano y la espuela en el tacón se disponen a llevar la guerra a un pueblo, para enseñorearse después de él?
No podemos ocultar el clamor de todo el Pueblo colombiano y su deseo de alcanzar la paz en su país. Siete décadas de guerras al interior de Colombia, sólo hallarán resolución en una salida política y negociada que respete las garantías y goce del respaldo de toda Suramérica.
El pueblo de Colombia tiene derecho a la paz. No puede pretender una elite servil, cuyo negocio es la guerra en el hermano país, expandir e imponer su conflicto armado con la pretensión de estigmatizar y desestabilizar a los movimientos progresistas y revolucionarios que de manera legítima, democrática y pacífica avanzamos con los sueños y banderas de los libertadores, a cumplir las tareas aun pendientes de unión, justicia e independencia.
No creemos en una sociedad carente de conflictos, eso sería una entelequia, pero entendemos que estamos llamados a asumir mejores conflictos, a reconocerlos y contenerlos, de vivir no a pesar de ellos sino productiva e inteligentemente con ellos. Sólo un pueblo escéptico, maduro para el conflicto, es un pueblo maduro para la paz, parafraseando a nuestro hermano colombiano Estanislao Zuleta.
Y si queremos una paz verdadera, debemos responder a tiempo con claridad y valentía a las necesidades más sentidas de nuestros Pueblos.
Llegó la hora de Suramérica, la hora de UNASUR, confiamos en la capacidad política de nuestra naciente unión para enfrentar en la actualidad esta amenaza, que compromete el porvenir de nuestras repúblicas, el porvenir de nuestros Pueblos y el porvenir de toda la humanidad.
Sigamos, pues, compañeras y compañeros la máxima de Bolívar, constituyamos ese gran Pacto Americano que formando de todas nuestras repúblicas un cuerpo político, presente la América al mundo con un aspecto de majestad y grandeza sin ejemplo en las naciones antiguas. La América así unida, si el cielo nos concede este deseado voto, podrá llamarse la reina de las naciones y la madre de las repúblicas.
Fraternalmente,

Hugo Chávez Frias - 10 de agosto 2009

Chávez promulga nova Lei de Educação na Venezuela



O presidente venezuelano recebeu das mãos da presidenta da Assembléia Nacional, Cilia Flores, a lei aprovada.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, promulgou este sábado a nova lei Orgânica de Educação aprovada na quinta-feira passada pela Assembléia Nacional deste país e com a que se busca resgatar a moral e identidade do país nos centros educativos da nação.

Operação pandemia

Vídeo “Operação pandemia” (Legendado) sobre a origem da gripe A e os interesses econômicos em torno dela.

http://www.youtube.com/watch?v=CcgCBiyGljM

O jornalismo dos patrões


Mino Carta


A mídia nativa tem, às vezes, o poder de me espantar. Ou, por outra, me obriga a meditar sobre a serventia do jornalismo e as responsabilidades que daí decorrem.
Leio o primeiro editorial da página 3 do Estadão de terça 11, intitulado “Mais um escorregão de Dilma” (quais foram os anteriores?), a ministra-chefe da Casa Civil que “o prestimoso presidente (...) ungiu como sucessora em potencial”. Miram os obuses em Dilma Rousseff, contra Lula, portanto. A ministra teria pedido, ainda em 2008, à então secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, para agilizar a auditoria do Fisco nas empresas da família Sarney.
O editorial foi altamente representativo do comportamento de toda a mídia em relação ao caso e lhe concedo a primazia em nome da antiguidade e da importância das baterias. Decretam os senhores midiáticos que dona Lina era, e é, o rosto da verdade, e o Estadão, naquele texto simbólico, alinhavou à larga as razões do seu veredicto. Atendia às conclusões gerais dos demais integrantes da comunidade jornalística, a bem do pensamento dos frequentadores do privilégio e do ódio de classe.
“Mais um escândalo, enfim, que o lulismo tentará abafar.” Últimas palavras, famosas, do editorial do Estadão. A leitura forçou-me a perguntar aos meus insubstituíveis botões: serei eu um lulista ao tentar uma análise isenta do episódio, conforme o dever, creio, de todo jornalista? Por exemplo, uma análise que parta da avaliação honesta das atitudes de dona Lina e de dona Dilma. Era do conhecimento até dos paralelepípedos da antiga rua Augusta, célebre artéria paulistana hoje asfaltada, que quem acusa deve provar.
Ocorre que dona Dilma nega in totum a acusação de dona Lina, e não estamos a lidar com as alegres comadres de Windsor. Proclama o Estadão: ao demitir a secretária da Receita, seu superior, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria confessado cumprir ordem que “veio de cima”. Disse mesmo? Ou é dona Lina quem diz? E por que, de todo modo, em cima estaria dona Dilma?
A mídia, seus patrões e editorialistas, colunistas, perdigueiros da informação, não se permitiram e não se permitem exames de consciência em ocasiões múltiplas e diversas. Cabe, desde 2003, semear pedras no caminho de Lula e, desde 2007, de sua ungida a “sucessora em potencial”. Vale então outra pergunta: a favor de quem?
O governo Lula, na opinião de CartaCapital, não foi aquele que esperávamos, mesmo assim saiu-se melhor do que os demais na pós-ditadura, e bastariam a eleição e a reeleição do ex-metalúrgico para assinalar um divisor de águas na história do País. Não é por acaso que o presidente é o mais popular desde a fundação da República. Aos olhos da maioria pouco importa o que Lula faz, importa quem ele é.
Em contrapartida, dona Dilma não é ex-operária. Se for candidata, os demais concorrentes também não serão. Observem, contudo, como é apresentada a possível, ou mesmo provável, candidatura da ex-ministra e senadora Marina Silva. Ganha o transparente, simpático apoio da mídia, como a incentivá-la a tomar a decisão final. Por quê? Para significar um contraponto à candidatura Dilma e gerar uma profícua confusão na área.
CartaCapital sempre manifestou profundo respeito e apreço pela senadora Marina, e lamentou sem meias palavras sua saída do governo. Trata-se, na nossa opinião, de uma verdadeira dama em luta pelas melhores causas. Na Presidência, inalcançável, acreditamos, nas condições atuais, honraria o Brasil. Não se enganem, entretanto: sua candidatura será trombeteada por quem se empenha pelo retorno do tucanato.
Quanto à presença de um passado mais ou menos burguês (não é o caso da senadora) no currículo dos possíveis sucessores de Lula, este é, para todos eles, um ponderável motivo de preocupação.

sexta-feira, agosto 14, 2009

O perigo da utopia


José Luis Fiori

Se as utopias de esquerda levaram - em muitos casos - ao totalitarismo, a utopia liberal e sua permanente negação do papel do poder e da preparação para a guerra, na história do capitalismo e das relações internacionais, leva, com freqüência, os intelectuais e dirigentes destes países mais fracos, à uma posição de servilismo internacional.

"...a geopolítica do equilibro de poderes e a prática do imperialismo explícito deixaram de fazer sentido devido a uma série de novos fatos históricos [...], esta abordagem das relações internacionais não tem mais espaço no mundo em que vivemos, do pós-colonialismo, da globalização, do sistema político global, e da democracia [...] com a globalização, todos os mercados estão abertos e é inimaginável que um país recuse vender a outro, por exemplo, petróleo a preço de mercado..[...] Resulta ainda daqueles fatos que a guerra entre grandes países tambem não faz mais sentido [...] No século XX, as guerras entre as grandes potências não faziam sentido porque todas as fronteiras já estavam definidas?"

LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA, "O mundo menos sombrio", Jornal de Resenhas, nº 1, 2009, USP, p:7.

Na segunda metade do Século XX, em particular depois de 1968, tornou-se lugar comum a crítica dos "novos filósofos" europeus, que associavam a utopia socialista ao totalitarismo. Mas não se ouviu o mesmo tipo de reflexão, depois da década de 80, quando a utopia liberal se tornou hegemônica e suas idéias tomaram conta do mundo acadêmico e político. Logo depois da Guerra Fria, Francis Fukuyama popularizou a utopia do "fim da história" e da vitória da "democracia, do mercado e da paz". E apesar dos acontecimentos que seguiram, suas idéias seguem influenciando intelectuais e governantes, sobretudo na periferia do sistema mundial.

Basta ver a confusão causada pelo anúncio recente da decisão norte-americana de ampliar sua presença militar na América do Sul. Com a instalação ou ampliação de sete bases militares no território colombiano, que deverão servir de "ponto de apoio para transporte de cargas e soldados no continente e fora dele".( FSP,5/8/09) O governo norte-americano justificou sua decisão com objetivos "de caráter humanitário e de combate ao narcotráfico". A mesma explicação que foi dada pelo governo americano, por ocasião da reativação da sua IV Frota Naval, na zona da América do Sul, no ano de 2008 : "uma decisão administrativa, tomada com objetivos pacíficos, humanitários e ecológicos" (FSP, 9/0708).

Uma das funções dos diplomatas é participar deste jogo retórico que às vezes soa até um pouco divertido. E cabe aos jornalistas o acompanhamento destes debates sobre distâncias, raio de ação dos aviões, ameaça das drogas, etc. Todavia os intelectuais têm a obrigação de transcender este mundo da retórica e dos números imediatos, e também, o mundo das fantasias utópicas, o que as vezes não acontece, e não se trata - evidentemente - de um problema de ignorância. Pense-se, por exemplo, na utopia liberal do "fim das guerras" que já não fariam mais sentido entre os grandes países, e contraponha-se esta tese com a história passada e a história do próprio século XX e XXI.

Segundo a pesquisa e os dados do historiador e sociólogo norte-americano, Charles Tilly: "de 1480 a 1800, a cada dois ou três anos iniciou-se em algum lugar um novo conflito internacional expressivo; de 1800 a 1944, a cada um ou dois anos; a partir da Segunda Guerra Mundial, mais ou menos, a cada quatorze meses. A era nuclear não diminuiu a tendência dos séculos antigos a guerras mais freqüentes e mais mortíferas [ alias] , desde 1900, o mundo assistiu a 237 novas guerras, civis e internacionais.. [enquanto.] o sangrento século XIX contou 205 guerras" (Charles Tilly, Coerção, capital e Estados europeus , Edusp, 1996, p. 123 e 131.) Mesmo na década de 1990, durante os oito anos da administração Clinton, que foi transformado na figura emblemática da vitória da democracia, do mercado e da paz, os EUA mantiveram um ativismo militar muito grande. E ao contrário da impressão generalizada, "os Estados Unidos se envolveram em 48 intervenções militares, muito mais do que em toda a Guerra Fria, período em que ocorreram 16 intervenções militares". (Bacevich, 2002: p:143). E mais recentemente, os "fracassos" militares dos EUA, no Iraque e no Afeganistão - ao contrário do que dizem - aumentaram a presença militar dos EUA na Ásia Central e o cerco da Rússia e da China, envolvendo, portanto, preparação para a guerra entre três grandes potências.

Em tudo isto, fica clara a dificuldade intelectual dos liberais conviverem de forma inteligente, com o fato de que as guerras são uma dimensão essencial e co-constitutiva do sistema mundial em que vivemos, e que portanto não é sensato pensar que desaparecerão. Ao contrário do que pensam os liberais, a associação entre a "geopolítica do equilíbrio de poderes" e as guerras, não se restringe ao século XIX, ( já havia sido identificada na Grécia), e o sonho do "governo mundial" das grandes potências, já existe pelo menos desde o Congresso de Viena, em 1815, sem que isto tenha impedido o aumento do numero dos estados e das guerras nacionais.

Neste tipo de sistema mundial, por outro lado, é muito difícil acreditar na possibilidade do "fim do imperialismo", e ainda menos, neste início do século XXI, em que as grandes potências - velhas e novas - se lançam sobre a África, e sobre a América Latina, disputando palmo a palmo o controle monopólico dos seus mercados e das fontes de energia e matérias primas estratégicas. E soa quase ingênua a crença liberal nos "mercados abertos", num mundo em que todas as grandes potências impedem o acesso às tecnologias de ponta, não aceitam a venda de suas empresas estratégicas, e protegem de forma cada vez mais sofisticada seus produtores industriais e seus mercados agrícolas.

Neste ponto, chama atenção a facilidade com que os economistas liberais confundem os mercados de petróleo, armas e moedas, por exemplo, com os mercados de chuchu, queijos e vinhos. Em tudo isto, o importante é que a utopia liberal também pode ter conseqüências nefastas, sobretudo para os países que não estão situados nos primeiros escalões da hierarquia de poder do sistema mundial. Se as utopias de esquerda levaram - em muitos casos - ao totalitarismo, a utopia liberal e sua permanente negação do papel do poder e da preparação para a guerra, na história do capitalismo e das relações internacionais, leva, com freqüência, os intelectuais e dirigentes destes países mais fracos, à uma posição de servilismo internacional.

Fidel completa 83 anos em plena vigência

Com 83 anos, mais que estadista ou revolucionário, mais que um personagem sempre atual na vida dos cubanos e no pensamento de latino-americanos, Fidel Alejandro Castro Ruz é um idealista, um homem de história que vive e continua deixando marcas. Na realidade, um homem que é história.

De tudo já se falou e se escreveu sobre Fidel, e o curioso é que não deixa de ser um personagem admirável apesar da profusão de material biográfico a favor ou contra.

Milhares de enciclopédias o retratam, centenas de sites falam de sua longa existência. O que nos deixa a revisão de tanta informação, a percepção de um homem que deixou uma marca indelével nos últimos cinquenta anos.

E mais além de detratores ou defensores, está uma questão não tão simples: se já era difícil iniciar uma revolução, o mais duro foi mantê-la. "Como conseguiu?".

Há alguns fatos já conhecidos: todos os organismos internacionais, desde as Nações Unidas até o Banco Mundial, reconhecem ao uníssono que a população de Cuba é a única do Terceiro Mundo que alcançou um nível de desenvolvimento humano comparável ao dos países mais avançados. A ilha tem uma expectativa de vida mais elevada e a taxa de mortalidade infantil mais baixa do Terceiro Mundo (inclusive mais baixa do que a dos Estados Unidos). A Unicef certifica que Cuba é a única nação da América Latina que erradicou a desnutrição infantil.

Mas, para além dessas conquistas, está a figura do político, histórico e espiritual que soube se manter vigente, apesar de não estar na vida pública desde julho de 2006.

Fidel demonstrou que depois de mais de oito décadas de vida, sua lucidez e inteligência não mínguam e, através da Internet, segue presente.

As "Reflexões" que escreve desde março de 2007 servem como termômetro de sua inesgotável capacidade de análise e constitui prova fidedigna de que sua opinião, em quase 250 artigos publicados e reproduzidos ao redor do mundo, ainda é imprescindível.

Fidel Castro, o companheiro, o comandante, o líder, o pensador, completa 83 com estatura histórica fortalecida e desafiante. É a vigência plena de ideias e atitudes que pouquíssimos conseguem.

Fidel pode ser lido em
www.cubadebate.cu

Homenagem a Fidel Castro em seus 83 anos


Fidel Alejandro Castro Ruz







Solo los grandes !

Sólo los grandes son capaces de estampar el ejemplo,
De incendiar madrugadas
Atropellando silencios,
De iluminar la vida con sonido estridente,
De justicia en la tierra.
Sólo los grandes, digo
Y al decirlo te nombro
Como arquetipo vivo de la historia de un tiempo
Que es tu tiempo y el mío.
Sólo los grandes andan escalando la aurora,
Como tú, Comandante,
Como tú y la Victoria!

Ingrid Storgen
_____________________________________
Cuba

Martí, Che e Ruz:
Baluarte, força moral,
farol, fanal, luz
Carlos Henrique de Pontes Vieira

quinta-feira, agosto 13, 2009

Deslealdade


H.S.Liberal


"Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça". A frase de Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, embora pareça chula, dá a dimensão exata do que se pode esperar de sete bases militares ianques encravadas em nosso continente. A justificativa alegada pela Colômbia e pelos EUA, o combate ao narcotráfico, esbarra nas estreitas relações do governo da Colômbia com produtores e traficantes de drogas.

É bom lembrar que o Obama candidato, atendendo aos apelos de centrais sindicais dos EUA, barrou a entrada da Colômbia na Alca. Motivo: os assassinatos sistemáticos de lideranças sindicais e populares pelo governo de Álvaro Uribe. E mais: a aliança do governo colombiano com forças paramilitares e narcotraficantes cuja representação parlamentar de mais de 60 congressistas foi processada e/ou trancafiada pela Suprema Corte colombiana.

O cenário que desponta nesses acordos militares reproduz a estrutura consagrada no outro lado do mundo, onde o Império se associa militar e politicamente a Israel, um estado belicoso por excelência, para fazer frente ao “terrorismo” palestino. Aqui, o Império é o mesmo, e o sócio, por sua natureza nazi-fascista, não é diferente. Se não há as famosas armas de destruição em massa, servem os lança-foguetes suecos em mãos das Farc.

É, portanto, feliz e responsável a posição brasileira de não aceitar a versão dos Estados Unidos, por seu assessor de Segurança Nacional, general Jim Jones, sobre as bases militares que o país quer usar na Colômbia. Trata-se, é bom estarmos alerta, do país de perfil histórico mais agressivo e arbitrário que se conhece e de maior insubmissão às decisões de organizações multilaterais como a Organização das Nações Unidas. Pergunte-se ao Iraque.

Onde os Estados Unidos põem as botas, vidas, culturas, tradições são destroçadas em nome do ultrapassado “american way of life”, ou da falsa superioridade da cultura ocidental cristã. Por isso, o povo colombiano e da nossa América não pode deixar de temer que as bases de Malambo, Palanquero, Apiay, Tolemaida, Larandia, Cartagena e Bahía Málaga sejam transformadas em uma grande Guantánamo espalhada pelas terras da Colômbia.

O consenso condenatório dos governos sul-americanos a essa suspeita parceria tem base em dossiê divulgado em abril, em seminário militar. No documento, a Força Aérea dos EUA defende o uso de uma base no centro da Colômbia como plataforma de longo alcance. O fato preocupa por contradizer a versão “franciscana” dos dois paises envolvidos de que não há objetivos estratégicos para aumentar a presença intimidativa no continente.

Razão tem o ex-presidente cubano Fidel Castro ao qualificar de “deslealdade” o acordo de Uribe. Para Fidel, é “um insulto à inteligência” do povo latino-americano os argumentos esgrimidos por Colômbia e EUA, pois “o verdadeiro objetivo é o controle dos recursos econômicos, o domínio dos mercados e a luta contra as mudanças sociais”. Senão, para que tanto navio da IV Frota e tanto avião moderno de combate, como pergunta o velho líder.

Estas informações/opiniões não apareceram – ou não mereceram o devido destaque – nos “jornalões”, revistas semanais e blogs mais difundidos. O objetivo é fornecer, ou destacar, contrapontos à tendência ideológica da grande mídia. Assim, estimular o debate democrático do que acontece no mundo e no Brasil.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Ode ao Rio de Janeiro

Pablo Neruda, 1956
O poema de Pablo Neruda , "Ode ao Rio de Janeiro", num momento de ternura, começa como um cântico de amor e deslumbramento pela cidade, aos poucos se transforma em lamento pelo contraste entre a beleza do lugar e a miséria do seu povo. Neruda, que escreveu o poema em 1956, depois de uma viagem ao Brasil, percebeu o quanto são poucos os que conseguem realizar as fantasias que ela desperta e promete à primeira vista.Por isso chamou-a de "porta delirante de uma casa vazia..." Neruda também percebeu e registrou a sensualidade difusa, uma tensão erótica, e chamou-a de "Antigo Pecado", "Salamandra Cruel", "Sodoma". E termina com um apelo poético para que um dia os filhos da "cidade maravilhosa", sejam elevados à mesma dignidade da sua beleza. (José Eduardo O. Bruno)

Rio de Janeiro, a água
é a tua bandeira,
agita as tuas cores,
sopra e retine no vento,
cidade,
negra náiade,
de claridade sem fim,
de abrasadora sombra,
de pedra com espuma
é o teu tecido,
o cadenciado balanço
da tua rede marinha,
o azul movimento
dos teus pés areentos,
o aceso ramo
dos teus olhos.
Rio, Rio de Janeiro,
os gigantes
salpicam a tua estátua
com pontos de pimenta,
deixaram
na tua boca
dorsos do mar, barbatanas
perturbadoramente mornas,
promontórios
da fertilidade, tetas da água,
declives de granito,
lábios de ouro,
e entre as pedras quebradas
o sol marinho
iluminando
rutilantes espumas.
Ó Beleza,
ó cidadela
de pele fosforescente,
romã
de carne azul, ó deusa
tatuada em sucessivas
ondas de ágata negra,
da tua nua estátua
um aroma de jasmim molhado
se desprende, vem no suor, um ácido
pegajoso
de cafezais e de frutarias
e pouco a pouco sob o teu diadema,
entre a dupla maravilha
dos teus seios,
entre cúpula e cúpula
da tua natureza
aparece o dente da desgraça,
a cancerosa cauda
da miséria humana,
nos montes leprosos
o cacho inclemente
das vidas,
pirilampo terrível,
esmeralda
extraída
do sangue,
o teu povo estende-se
até aos confins da selva
num rumor abafado,
passos e surdas vozes,
migrações de esfomeados,
escuros pés com sangue,
o teu povo,
para lá dos rios,
na densa
amazônia,
esquecido,
no Norte
de espinhos,
esquecido,
com sede nos planaltos,
esquecido,
nos portos mordido
pela febre,
esquecido,
à porta
da casa de onde o expulsaram,
pedindo-te
apenas um olhar,
esquecido.
Noutras terras,
reinos, nações,
ilhas,
a cidade capital,
a coroada,
foi colméia
de trabalhos humanos,
amostra do azar
e do acerto,
fígado da pobre monarquia,
cozinha da pálida república.
Tu és a espelhante
montra
de uma sombria noite,
a garganta
coberta
de águas marinhas
e ouro
de um corpo
abandonado,
és a porta
delirante
de uma casa vazia,
és
o antigo pecado,
a salamandra
cruel,
intacta
na fogueira
das longas dores do teu povo,
és
Sodoma,
Sim,
Sodoma
deslumbrante,
com um fundo sombrio
de veludo verde,
rodeada
de crespa sombra, de águas
ilimitadas, dormes
nos braços
da desconhecida
Primavera
dum planeta selvagem.
Rio, Rio de Janeiro,
quantas coisas tenho
para te dizer. Nomes
que nunca esquecerei,
amores
que amadurecem o seu perfume,
encontros contigo, quando
do teu povo
uma onda
agregue ao teu diadema
a ternura,
quando
à tua bandeira de águas
subam as estrelas
do homem,
não do mar,
não do céu,
quando
no esplendor
da tua auréola
eu veja
o negro, o branco, o filho
da tua terra e do teu sangue,
elevados
até à dignidade da tua formosura,
iguais na luz resplandecente,
proprietários
humildes e orgulhosos
do espaço e da alegria,
então, Rio de Janeiro,
quando
alguma vez
para todos os teus filhos,
e não somente para alguns,
abrires o teu sorriso, espuma
de morena náiade,
então
eu serei o teu poeta,
chegarei com a minha lira
para cantar em teu aroma
e na tua cintura de platina
dormirei,
na tua areia
incomparável,
na frescura azul do leque
que tu abrirás no meu sono
como as asas de uma
gigantesca
borboleta marinha.

Carta da ASC à UNASUL

ASC = Aliança Social Continental
Carta entregue pela ASC aos presidentes de UNASUL, acerca das bases militares dos Estados Unidos na Colômbia.

LUIZ INACIO LULA DA SILVA
Presidente da República do Brasil
RAFAEL CORREA
Presidente da República do Equador
HUGO RAFAEL CHAVEZ FRIAS
Presidente da República Bolivariana da Venezuela
MICHEL BACHELET
Presidenta da República de Chile
CRISTINA KIRCHNER
Presidenta da República de Argentina
EVO MORALES
Presidente da República de Bolívia
TABARE VASQUEZ
Presidente da República de Uruguai
FERNANDO LUGO
Presidente da República de Paraguai
ALAN GARCIA
Presidente da República de Peru
BHARRAT JAGDEO
República da Guiana
RONALD VENETIAAN
República de Suriname

Nos dirigimos aos senhores para manifestar-lhes nossas inquietações sobre os acontecimentos recentes que em nossa opinião afetam a estabilidade do continente e as perspectivas de integração materializadas em processos como o da UNASUL.

O governo de Álvaro Uribe Vélez, da Colômbia, anunciou recentemente a decisão de outorgar às tropas dos Estados Unidos a permissão de operação sobre 7 bases militares no território nacional, em um acordo que permitiria qualquer tipo de operações no interior e exterior do país. Isso significa, juntamente com o deslocamento da IV Frota, o incremento da presença militar dos Estados Unidos na região estratégica a partir da qual podem lançar operações sobretudo no continente. A Colômbia, ao assinar esse acordo, dará imunidade aos militares e contratistas estadunidenses, com o qual têm garantia de impunidade e os coloca fora do alcance e controle judiciais nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, o uso das bases significa uma intervenção nos assuntos internos da Colômbia e uma ameaça contra os processos democráticos em toda a região. Por exemplo, a presença da base militar Soto Cano em Honduras tem sido utilizada pelos golpistas desse país para demonstrar o apoio estadunidense ao golpe militar.

Essa utilização, que dá amplas facilidades ao exército estadunidense, se constitui em uma interferência aos processos de integração, um estímulo às correntes que querem desestabilizar os processos democráticos e uma fonte de conflitos em uma região que tem avançado na conquista de sua autonomia e na busca de caminhos próprios para seu desenvolvimento. As declarações no Brasil do assessor de segurança da Casa Branca de que "nossa missão é ajudar no treinamento de suas forças de fronteira" e sobre que o governo da Venezuela não fez muito para combater a presença das FARC em dito país, demonstram o propósito dos Estados Unidos de interpor-se nas diferenças e contradições entre os países da região.

A presença dessas bases tem sido justificada com o pretexto de luta contra o terrorismo e o narcotráfico; porém, na realidade, representam uma peça do dispositivo militar global dos Estados Unidos e patrocinam um enfoque militar e unilateral desses problemas, impedindo o tratamento social, político, autônomo e multilateral de tais problemas. Enfoques que, com o Plano Colômbia e com a Iniciativa Mérida, têm demonstrado sua ineficácia e seu alto potencial de desestabilização regional e cuja aplicação na Colômbia e nas zonas fronteiriças tem contribuído para agravar a crise humanitária, ambiental e social de vastas regiões.

Essas bases, juntamente com os Tratados de Livre Comércio, constituem-se em novos obstáculos para o avanço da integração sulamericana tão almejada pelos povos da região.

A postura do governo de Uribe sobre que a UNASUL não tem competência para analisar esse problema não é mais do que outra iniciativa desse governo para sabotar qualquer esforço de Integração Latinoamericana e facilitar a interferência dos EUA nos processos da região.

Pelo contrário, consideramos que a próxima reunião da UNASUL deve pronunciar-se a respeito, rechaçar a instalação dessas e de qualquer outra base militar na América do Sul, condenar a interferência nos assuntos da integração regional e avançar na busca de soluções políticas através do diálogo dos diferentes assuntos em controvérsia entre os países dentro do espírito de convivência pacífica, ajuda mútua e respeito à soberania, a qual se vulnera ao entregar o território colombiano às operações militares estadunidenses e não com a discussão fraternal no seio da UNASUL.

Solicitamos-lhes também que recebam uma delegação dos movimentos sociais do continente para expressar-lhes essas inquietações e permitir que o processo de constituição da UNASUL conte com a opinião dos mesmos.

Aliança Social Continental
Enrique Daza
Secretaria

segunda-feira, agosto 10, 2009

Fidel Castro: "El objetivo de las bases es el control de los recursos económicos"

El líder de la Revolución cubana, Fidel Castro, expresó que los argumentos utilizados para el establecimiento de siete bases aeronavales en Colombia es un insulto a la inteligencia y asegura que verdadero objetivo es el control de los recursos económicos, el dominio de los mercados y la lucha contra los cambios sociales.

En un nuevo artículo intitulado "Las bases yanquis y la soberanía latinoamericana", Fidel Castro afirma que el argumento de la lucha contra las drogas es un pretexto para establecer bases militares en todo el hemisferio y seguidamente se cuestiona: ¿Desde cuándo los buques de la IV Flota y los aviones modernos de combate sirven para combatir las drogas?

El líder revolucionario afirma además que "la historia no perdonará a los que cometen esa deslealtad contra sus pueblos, ni tampoco a los que utilizan como pretexto el ejercicio de la soberanía para cohonestar la presencia de tropas yankis".Añade que "si como consecuencia de tales acuerdos promovidos de forma ilegal e inconstitucional por Estados Unidos cualquier gobierno de ese país utilizara esas bases, como hicieron Reagan con la guerra sucia y Bush con la de Iraq, para provocar un conflicto armado entre dos pueblos hermanos, sería una gran tragedia".Difícilmente -puntualiza- el pueblo combativo, valiente y patriótico de Colombia se deje arrastrar a la guerra contra un pueblo hermano como el de Venezuela.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Filme de Oliver Stone sobre Chàvez será exibido em Veneza

Um documentário do diretor americano Oliver Stone centrado na figura do presidente venezuelano, Hugo Chávez, “como campeão vigoroso nas mudanças da América Latina" será exibido em setembro no Festival Internacional de Cinema de Veneza. Foi o que informou nesta quinta-feira a imprensa italiana.
O documentário, South of the border, será apresentado fora de competição no festival italiano, que será realizado de 2 até 12 de setembro na cidade de Veneza. O trabalho cinematográfico de Stone, que visitou a Venezuela em várias ocasiões de maneira privada e também pública, a mais recente em janeiro, se centra em Chávez e em seu papel de "campeão vigoroso e cabal das mudanças na América Latina", indicou Agencia Bolivariana de Noticias (ABN).

O veículo afirmou que o diretor americano, que já recebeu três Oscar, "filmou na casa da família do presidente venezuelano, localizada em Sabaneta de Barinas", e "participou de diferentes reuniões de trabalho" junto ao líder da Revolução Bolivariana.

“Ao compartilhar estas experiências e de seu contato direto com o presidente, Stone concluiu que Chávez é um homem de energia embriagadora, grandes ideias e líder de mudanças mundiais que estão se estendendo por todas as partes, aspectos que destaca no documentário", afirmou a ABN.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Chàvez: o novo Allende?


"La historia es nuestra y la hacen los pueblos" (Salvador Allende)
Carlos Henrique de Pontes Vieira

Como Salvador Allende Gossens, presidente do Chile (1970-73), o presidente da Venezuela, Hugo Chàvez Frias, é um homem que dialoga com o seu povo, pretende implantar o Estado Social, a democracia participativa e usa a maior riqueza do seu país, o petróleo (no Chile é o cobre), para financiar a justiça social.

Chàvez, para manter este diálogo permanente com o povo, usa a televisão e se apresenta diariamente num programa chamado “Alô, presidente!”. Quanto a nós, se quisermos ouvi-lo discursar é só assistir em nosso computador, pela internet, a Telesul (Telesur em espanhol) cujo endereço eletrônico é
http://www.telesurtv.net/noticias/canal/senalenvivo.php, onde podemos ter notícias de toda a América Latina a partir de uma perspectiva e profundidade bem diferentes das da grande mídia hegemônica.

Em um de seus discursos recentes disse que a revolução bolivariana é uma revolução pacífica. De fato, um dos elementos característicos da Constituição Bolivariana "converte a Venezuela em zona de paz".

Os grandes jornais escritos e televisados, formadores da opinião da nossa classe média, por enquanto hegemônicos, o tratam como um ditador, mas o que vemos é um presidente que não desgruda da Constituição de seu país, ele a leva no bolso e não se cansa de mostrá-la, advertindo que ela é o seu guia e que é fundamentado nela que tem ampliado o espaço da soberania popular, princípio basilar de todas as Constituições modernas.

Ademais, não temos notícias de que haja por lá presos políticos e, no que diz respeito à política de direitos humanos, a recente Constituição da Venezuela, de dezembro de 1999, determina em seu artigo 23 que “Os tratados, pactos e convenções relativos a direitos humanos, subscritos e ratificados pela Venezuela, têm hierarquia constitucional e prevalecem na ordem interna, na medida em que contenham normas sobre o gozo e exercício mais favoráveis às estabelecidas nesta Constituição e nas leis da República, e são de aplicação imediata e direta pelos tribunais e demais órgãos do Poder Público”.

Dois episódios que os grandes jornais têm mostrado sem nenhuma profundidade: o primeiro relacionado ao fim das concessões de emissoras de rádio. A maioria dos veículos não explicou direito que estas emissoras estavam irregulares perante a lei de radiodifusão. Algumas delas seguiam funcionando mesmo depois que os legítimos possuidores da concessão já haviam falecido. Segundo a lei venezuelana, isso não é possível.

A mídia não informa claramente que as freqüências, que funcionavam de forma ilegal e que foram retomadas pelo Estado, passarão por nova licitação para que voltem a apresentar o caráter público que deviam ter. Segundo o ministro de Obras Públicas y Vivienda, Diosdado Cabello, a anulação das concessões se deu não só naquelas em que o titular já havia falecido, mas também nas que estavam com a validade da concessão vencida e sequer compareceram ao órgão responsável por esta questão, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), durante o período que havia sido indicado através de correspondência, demonstrando completo descaso com a lei. É o que nos informa Elaine Tavares em seu artigo “Venezuela recupera rádios para o serviço público” postado neste blog no seguinte endereço eletrônico http://incasbr.blogspot.com/2009/08/venezuela-recupera-radios-para-o.html .

O segundo episódio se refere às sete bases militares americanas instaladas no território vizinho, na Colômbia, como se fosse normal esse fato em tempos de paz. Quase todos os presidentes da região estão incomodados. Imaginem se fosse a Venezuela que estivesse cedendo o seu território para uma outra potência instalar bases militares, a polvorosa que seria desencadeada pela notícia nos grandes jornais.

É bom abrirmos os olhos e ficarmos atentos em relação às essas sete bases militares instaladas na Colômbia. Uma grande parcela do povo colombiano está reclamando vigorosamente. Reclamam também os povos de outras nações sulamerianas. Nós, brasileiros, se não estamos ainda, talvez seja por falta de informação, já que uma das bases está situada a apenas 50 kms de nossas fronteiras. O povo venezuelano, com mais razão, está inquieto, pois teme que a história chilena da década de 70 se repita com o desfecho do assassinato de seu presidente e a implantação de uma perversa ditadura de direita, agora no seu país.

Criação literária

A literatura não muda o mundo, mas sim as pessoas. E as pessoas mudam o mundo (Mário Benedetti)

Frei Betto

Como sublinha Bartolomeu Campos de Queiros, tudo que existe - esta publicação, o computador, a cadeira em que me sento, o cômodo no qual me encontro - foi fantasia na mente humana antes de se tornar realidade. Daí a força da literatura de ficção. Também ela foi fantasia na mente do autor e remete o leitor a uma realidade onírica que lhe possibilita encarar a vida com outros olhos. A fantasia impulsiona todos os nossos gestos, atitudes e opções.

A ficção funciona como um espelho que faz o leitor transcender a situação em que se encontra. O texto desvela o contexto e impregna o leitor de pretextos, de motivações que o enlevam, aquele entusiasmo de que falavam os gregos antigos, estar possuído de deuses, de energias anímicas que nos devolvem ao melhor de nós mesmos.

Toda ficção, narrativa ou poética, é des-cobrimento, revelação. Somos múltiplos e, ao ler, uma de nossas identidades emerge por força do encantamento suscitado pela quintessência da obra ficcional: a estética.

A literatura ficcional não tem que ser de esquerda ou de direita. Tem que ser bela. Fazer da ficção um palanque de causas é aprisioná-la numa camisa de força, transformando-a num espelho que não reflete o leitor, reflete o autor e seu proselitismo.

A ficção não tem de ser engajada, o escritor sim, tem o dever ético de se comprometer com a defesa dos direitos humanos neste mundo tão conflitivo e desigual.

No prólogo do evangelho de João, um dos textos mais poéticos da Bíblia, só comparável ao Cântico dos Cânticos, diz que "o Verbo se fez carne". Na arte literária a carne - a criatividade do autor - se faz verbo. Instaura a palavra, que organiza o caos.

No Gênesis, Javé cria o Universo pelo poder da palavra. Ele se faz palavra, manifestação que nos remete, como na obra ficcional, à transcendência (o autor sobrepassa a cotidianeidade ou lhe imprime novo caráter), à transparência (o texto reflete o que está contido nas entrelinhas), a profundência (a narrativa ou o poema nos convida a algo mais profundo do que percebemos na superfície da realidade).

Ler ficção é uma experiência extática - estar em si e fora de si. Somos alçados ao imaginário, induzidos à experiência da catarse, de modo a oxigenar a nossa psiquê. A estética nos imprime um novo modo de encarar as coisas. Como lembra Mário Benedetti, a literatura não muda o mundo, mas sim as pessoas. E as pessoas mudam o mundo.

A estética literária nos envia ao não dito, à esfera do desejo, suscitando-nos sonhos, projetos, utopias, do encontro com o príncipe encantado (Branca de Neve) ao reencontro amoroso com a opressiva figura do pai (A metamorfose, de Kafka, e Lavoura arcaica, de Raduan Nassar). Como assinala Aristóteles, a poética completa o que falta à natureza e à vida. A arte não se satisfaz com o estado factual do ser. Convida-nos à diferença, à dessemelhança, ao tornar-se.

Suscitar em crianças e jovens o hábito da leitura é livrá-los da vida rasa, superficial, fútil, e educá-los no diálogo frequente com personagens, relatos e símbolos (a poesia) que haverão de dilatar neles a virtude da alteridade, de uma relação mais humana consigo mesmo, com o próximo, com a natureza e, quiçá, com Deus.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Siete puñales en el corazón de América

Fidel Castro Ruz
El líder de la Revolución cubana, Fidel Castro, se refirió este miércoles a la instalación de bases militares estadounidenses en territorio colombiano, y aseguró que no sólo son una amenaza para Venezuela, sino que "va dirigida a todos los países del Sur del continente. Ninguno podrá eludir el tema y así lo han declarado varios de ellos".

En su artículo intitulado "Siete puñales en el corazón de América", el compañero Fidel expresó: "No se arma Venezuela contra el pueblo hermano de Colombia, se arma contra el imperio, que intentó derrocarlo ya y hoy pretende instalar en las proximidades de la frontera venezolana sus armas sofisticadas".

Leo y releo datos y artículos elaborados por personalidades inteligentes, conocidas o poco conocidas, que escriben en diversos medios y toman la información de fuentes no cuestionadas por nadie.

Los pueblos que habitan el planeta, en todas partes, corren riesgos económicos, ambientales y bélicos, derivados de la política de Estados Unidos, pero en ninguna otra región de la tierra se ven amenazados por tan graves problemas como sus vecinos, los pueblos ubicados en este continente al Sur de ese país hegemónico.

La presencia de tan poderoso imperio, que en todos los continentes y océanos dispone de bases militares, portaaviones y submarinos nucleares, buques de guerra modernos y aviones de combate sofisticados, portadores de todo tipo de armas, cientos de miles de soldados, cuyo gobierno reclama para ellos impunidad absoluta, constituye el más importante dolor de cabeza de cualquier gobierno, sea de izquierda, centro o derecha, aliado o no de Estados Unidos.

El problema, para los que somos vecinos suyos, no es que allí se hable otro idioma y sea una nación diferente. Hay norteamericanos de todos los colores y todos los orígenes. Son personas iguales que nosotros y capaces de cualquier sentimiento en un sentido u otro. Lo dramático es el sistema que allí se ha desarrollado e impuesto a todos. Tal sistema no es nuevo en cuanto al uso de la fuerza y los métodos de dominio que han prevalecido a lo largo de la historia. Lo nuevo es la época que vivimos. Abordar el asunto desde puntos de vista tradicionales es un error y no ayuda a nadie. Leer y conocer lo que piensan los defensores del sistema ilustra mucho, porque significa estar conscientes de la naturaleza de un sistema que se apoya en la constante apelación al egoísmo y los instintos más primarios de las personas.

De no existir la convicción del valor de la conciencia, y su capacidad de prevalecer sobre los instintos, no se podría expresar siquiera la esperanza de cambio en cualquier período de la brevísima historia del hombre. Tampoco podrían comprenderse los terribles obstáculos que se levantan para los diferentes líderes políticos en las naciones latinoamericanas o iberoamericanas del hemisferio. En último término, los pueblos que vivían en esta área del planeta desde hace decenas de miles de años, hasta el famoso descubrimiento de América, no tenían nada de latinos, de ibéricos o de europeos; sus rasgos eran más parecidos a los asiáticos, de donde procedieron sus antepasados. Hoy los vemos en los rostros de los indios de México, Centroamérica, Venezuela, Colombia, Ecuador, Brasil, Perú, Bolivia, Paraguay y Chile, un país donde los araucanos escribieron páginas imborrables. En determinadas zonas de Canadá y en Alaska conservan sus raíces indígenas con toda la pureza posible. Pero en el territorio principal de Estados Unidos, gran parte de los antiguos pobladores fueron exterminados por los conquistadores blancos.

Como conoce todo el mundo, millones de africanos fueron arrancados de sus tierras para trabajar como esclavos en este hemisferio. En algunas naciones como Haití y gran parte de las islas del Caribe, sus descendientes constituyen la mayoría de la población. En otros países forman amplios sectores. En Estados Unidos los descendientes de africanos constituyen decenas de millones de ciudadanos que, como norma, son los más pobres y discriminados.

A lo largo de siglos esa nación reclamó derechos privilegiados sobre nuestro continente. En los años de Martí trató de imponer una moneda única basada en el oro, un metal cuyo valor ha sido el más constante a lo largo de la historia. El comercio internacional, por lo general, se basaba en él. Hoy ni siquiera eso. Desde los años de Nixon, el comercio mundial se instrumentó con el billete de papel impreso por Estados Unidos: el dólar, una divisa que hoy vale alrededor de 27 veces menos que en los inicios de la década del 70, una de las tantas formas de dominar y estafar al resto del mundo. Hoy, sin embargo, otras divisas están sustituyendo al dólar en el comercio internacional y en las reservas de monedas convertibles.

Si por un lado las divisas del imperio se devalúan, en cambio sus reservas de fuerzas militares crecen. La ciencia y la tecnología más moderna, monopolizada por la superpotencia, han sido derivadas en grado considerable hacia el desarrollo de las armas. Actualmente no se habla solo de miles de proyectiles nucleares, o del poder destructivo moderno de las armas convencionales; se habla de aviones sin pilotos, tripulados por autómatas. No se trata de simple fantasía. Ya están siendo usadas algunas naves aéreas de ese tipo en Afganistán y otros puntos. Informes recientes señalan que en un futuro relativamente próximo, en el 2020, mucho antes de que el casquete de la Antártida se derrita, el imperio, entre sus 2 500 aviones de guerra, proyecta disponer de 1 100 aviones de combate F-35 y F-22, en sus versiones de caza y bombarderos de la quinta generación. Para tener una idea de ese potencial, baste decir que los que disponen en la base de Soto Cano, en Honduras, para el entrenamiento de pilotos de ese país son F-5; los que suministraron a las fuerzas aéreas de Venezuela antes de Chávez, a Chile y otros países, eran pequeñas escuadrillas de F-16.

Más importante todavía, el imperio proyecta que en el transcurso de 30 años todos los aviones de combate de Estados Unidos, desde los cazas hasta los bombarderos pesados y los aviones cisterna, serán tripulados por robots.

Ese poderío militar no es una necesidad del mundo, es una necesidad del sistema económico que el imperio le impone al mundo.

Cualquiera puede comprender que si los autómatas pueden sustituir a los pilotos de combate, también pueden sustituir a los obreros en muchas fábricas. Los acuerdos de libre comercio que el imperio trata de imponer a los países de este hemisferio implican que sus trabajadores tendrán que competir con la tecnología avanzada y los robots de la industria yanki.

Los robots no hacen huelgas, son obedientes y disciplinados. Hemos visto por la televisión máquinas que recogen las manzanas y otras frutas. La pregunta cabe hacerla también a los trabajadores norteamericanos ¿Dónde estarán los puestos de trabajo? ¿Cuál es el futuro que el capitalismo sin fronteras, en su fase avanzada del desarrollo, asigna a los ciudadanos?

A la luz de esta y otras realidades, los gobernantes de los países de UNASUR, MERCOSUR, Grupo de Río y otros, no pueden dejar de analizar la justísima pregunta venezolana ¿Qué sentido tienen las bases militares y navales que Estados Unidos quiere establecer alrededor de Venezuela y en el corazón de Suramérica? Recuerdo que hace varios años, cuando entre Colombia y Venezuela, dos naciones hermanadas por la geografía y por la historia, las relaciones se volvieron peligrosamente tensas, Cuba promovió calladamente importantes pasos de paz entre ambos países. Nunca los cubanos estimularemos la guerra entre países hermanos. La experiencia histórica, el destino manifiesto proclamado y aplicado por Estados Unidos, y la endeblez de las acusaciones contra Venezuela de suministrar armas a las FARC, asociadas a las negociaciones con el propósito de conceder siete puntos de su territorio para uso aéreo y naval de las Fuerzas Armadas de Estados Unidos, obligan ineludiblemente a Venezuela a invertir en armas, recursos que podían emplearse en la economía, los programas sociales y la cooperación con otros países del área con menos desarrollo y recursos. No se arma Venezuela contra el pueblo hermano de Colombia, se arma contra el imperio, que intentó derrocarlo ya y hoy pretende instalar en las proximidades de la frontera venezolana sus armas sofisticadas.

Sería un error grave pensar que la amenaza es solo contra Venezuela; va dirigida a todos los países del Sur del continente. Ninguno podrá eludir el tema y así lo han declarado varios de ellos.

Las generaciones presentes y futuras juzgarán a sus líderes por la conducta que adopten en este momento. No se trata solo de Estados Unidos, sino de Estados Unidos y el sistema. ¿Qué ofrece? ¿Qué busca?

Ofrece el ALCA, es decir, la ruina anticipada de todos nuestros países, libre tránsito de bienes y de capital, pero no libre tránsito de personas. Experimentan ahora el temor de que la sociedad opulenta y consumista sea inundada de latinos pobres, indios, negros y mulatos o blancos sin empleo en sus propios países. Devuelven a todos los que cometen faltas o sobran. Los matan muchas veces antes de entrar, o los retornan como rebaños cuando no los necesitan; 12 millones de inmigrantes latinoamericanos o caribeños son ilegales en Estados Unidos. Una nueva economía ha surgido en nuestros países, especialmente los más pequeños y pobres: la de las remesas. Cuando hay crisis, ésta golpea sobre todo a los inmigrantes y a sus familiares. Padres e hijos son cruelmente separados a veces para siempre. Si el inmigrante está en edad militar, le otorgan la posibilidad de enrolarse para combatir a miles de kilómetros de distancia, "en nombre de la libertad y la democracia". Al regreso, si no mueren, les conceden el derecho a ser ciudadanos de Estados Unidos. Como están bien entrenados les ofrecen la posibilidad de contratarlos no como soldados oficiales, pero sí como civiles soldados de las empresas privadas que prestan servicios en las guerras imperiales de conquista.

Existen otros gravísimos peligros. Constantemente llegan noticias de los emigrantes mexicanos y de otros países de nuestra área que mueren intentando cruzar la actual frontera de México y Estados Unidos. La cuota de víctimas cada año supera con creces la totalidad de los que perdieron la vida en los casi 28 años de existencia del famoso muro de Berlín.

Lo más increíble todavía es que apenas circula por el mundo la noticia de una guerra que cuesta en este momento miles de vidas por año. Han muerto ya, en el 2009, más mexicanos que los soldados norteamericanos que murieron en la guerra de Bush contra Irak a lo largo de toda su administración.

La guerra en México ha sido desatada a causa del mayor mercado de drogas que existe en el mundo: el de Estados Unidos. Pero dentro de su territorio no existe una guerra entre la policía y las fuerzas armadas de Estados Unidos luchando contra los narcotraficantes. La guerra ha sido exportada a México y Centroamérica, pero especialmente al país azteca, más cercano al territorio de Estados Unidos. Las imágenes que se divulgan por la televisión, de cadáveres amontonados y las noticias que llegan de personas asesinadas en los propios salones de cirugía donde intentaban salvarles la vida, son horribles. Ninguna de esas imágenes procede de territorio norteamericano.

Tal ola de violencia y sangre se extiende en mayor o menor grado por los países de Suramérica. ¿De dónde proviene el dinero sino del infinito manantial que emerge del mercado norteamericano? A su vez, el consumo tiende también a extenderse a los demás países del área, causando más víctimas y más daño directo o indirecto que el SIDA, el paludismo y otras enfermedades juntas.

Los planes imperiales de dominación van precedidos de enormes sumas asignadas a las tareas de mentir y desinformar a la opinión pública. Cuentan para ello con la total complicidad de la oligarquía, la burguesía, la derecha intelectual y los medios masivos de divulgación.

Son expertos en divulgar los errores y las contradicciones de los políticos.

La suerte de la humanidad no debe quedar en manos de robots convertidos en personas o de personas convertidas en robots.

En el año 2010, el gobierno de Estados Unidos empleará 2 200 millones de dólares a través del Departamento de Estado y la USAID para promover su política, 12% más que los recibidos por el gobierno de Bush el último año de su mandato. De ellos, casi 450 millones se destinarán a demostrar que la tiranía impuesta al mundo significa democracia y respeto a los derechos humanos.

Apelan constantemente al instinto y al egoísmo de los seres humanos; desprecian el valor de la educación y la conciencia. Es evidente la resistencia demostrada por el pueblo cubano a lo largo de 50 años. Resistir es el arma a la que no pueden renunciar jamás los pueblos; los puertorriqueños lograron parar las maniobras militares en Vieques, situándose en el polígono de tiro.

La patria de Bolívar es hoy el país que más les preocupa, por su papel histórico en las luchas por la independencia de los pueblos de América. Los cubanos que prestan allí sus servicios como especialistas en la salud, educadores, profesores de educación física y deportes, informática, técnicos agrícola, y otra áreas, deben darlo todo en el cumplimiento de sus deberes internacionalistas, para demostrar que los pueblos pueden resistir y ser portadores de los principios más sagrados de la sociedad humana. De lo contrario el imperio destruirá la civilización y la propia especie.