quarta-feira, maio 06, 2009

El dia de los pobres del mundo






Fidel Castro Ruz (Granma) - 30/04/2009

Mañana es el Día Internacional de los Trabajadores.

Carlos Marx convocó a la unión: "Proletarios de todos los países, uníos", aunque muchos pobres no eran proletarios. Lenin, más amplio todavía, llamó también a los campesinos y a los pueblos colonizados a luchar unidos bajo la dirección del proletariado.

La fecha de la celebración se escogió como homenaje a los mártires de Chicago cuando el 1ro. de Mayo de 1886 iniciaron una huelga, en un país capitalista cuya masa trabajadora sufría el desempleo y otras calamidades asociadas a las crisis económicas, inseparables del sistema. Sus derechos no se reconocían y los sindicatos eran vistos por la burguesía cual si fuesen organizaciones terroristas enemigas del pueblo de Estados Unidos.

Los capitalistas acudieron posteriormente a sus mejores armas: la división y el economicismo para desmontar la lucha revolucionaria. El movimiento obrero se dividió y las demandas sindicales, para muchos en medio de la pobreza reinante, eran el objetivo principal, más que el cambio de la sociedad.

Estados Unidos se convirtió en el país capitalista con mayores diferencias entre los ingresos de los ricos y los pobres. A la sombra de su hegemonía, América Latina se convirtió, a su vez, en el área del Tercer Mundo donde las desigualdades entre ricos y pobres eran más profundas. Los ricos disfrutaban de niveles de vida, comparables con los de las burguesías de los países desarrollados de Europa. La noción de Patria había desaparecido en las capas más ricas de la población.

Era inevitable el choque de la gran potencia del Norte y la Revolución Cubana. La heroica resistencia del pueblo de nuestro pequeño país fue subestimada.

Hoy están dispuestos a perdonarnos si nos resignáramos a volver al redil cual esclavos que, después de conocer la libertad, aceptaran de nuevo el látigo y el yugo.

Hoy el planeta se debate entre crisis económicas, pandemias, cambios climáticos, peligros de guerras y otros problemas concurrentes. La tarea política se vuelve más compleja, y existen todavía los que se hacen ilusiones de que los pueblos pueden ser manejados como títeres.

No puede decirse todavía la última palabra sobre la evolución futura de la actual administración norteamericana. Hay elementos nuevos, tanto de carácter objetivo como subjetivo. Estudiamos y observamos cuidadosamente cada uno de sus pasos. No somos incendiarios como algunos imaginan, pero tampoco tontos que se dejan engañar fácilmente por los que creen que lo único importante en el mundo son las leyes del mercado y el sistema capitalista de producción. Estamos todos en el deber de luchar por la paz; no existe otra alternativa. Jamás, sin embargo, el adversario debe hacerse la ilusión de que Cuba se rinda.

Esperamos que cada Primero de Mayo miles de hombres y mujeres de todos los rincones del planeta compartan con nosotros el Día Internacional de los Trabajadores, que durante 50 años hemos venido celebrando. No en vano, mucho antes del Primero de Enero de 1959 habíamos proclamado que nuestra Revolución sería la Revolución de los humildes, por los humildes y para los humildes. Los éxitos de nuestra Patria en las esferas de la educación, la salud, la ciencia, la cultura y otras ramas, y en especial la fuerza y la unidad del pueblo, lo están demostrando, a pesar del bloqueo despiadado.

A janela dos outros








Marta Medeiros

Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.

Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.

Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu- se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.

Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.

A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.

Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios. E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise. É o triunfo da dúvida.

terça-feira, maio 05, 2009

A esquerda e a crise



José Luis Fiori
A esquerda keynesiana interpreta de forma mais ou menos consensual a nova crise econômica mundial que começou no mercado imobiliário americano e se alastrou pelas veias abertas da globalização financeira. Seguindo o argumento clássico de Hyman Minsky[1], sobre a tendência endógena das economias monetárias à "instabilidade financeira", às bolhas especulativas e à períodos de desorganização e caos provocados pela expansão desregulada do crédito e do endividamento, quando se faz inevitável a intervenção publica e o redesenho das instituições financeiras[2], sem que isto ameace a sobrevivência do próprio capitalismo. Por isto, apesar de suas divergências a respeito de valores, procedimentos e velocidades, todos os keynesianos acreditam na eficácia, e propõem, neste momento, uma intervenção massiva do Estado para salvar o sistema financeiro e reativar o crédito, a produção e a demanda efetiva das principais economias capitalistas do mundo[3].
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segunda-feira, maio 04, 2009

O poder desarmado







Heloneida Studart

Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal de sua casa, para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou 'vestígios himenais dilacerados' e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor para 'se esquecer do mundo'. Esqueceu, morrendo tuberculosa.

Tais episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres. Antes, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas.

Transformaram os seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte-americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem a moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria dos estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico, tão bem representado por pistolas, revólveres, punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é espada. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam lata d'água e trouxa de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram crianças. Ao seu dorso que engrossou, porque ela carrega o país nas costas.

São mulheres que imporão um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e corações.

Augusto Boal




Augusto Boal (1931-2009)

Teatro brasileiro perde uma de suas mais rebeldes figuras.


Pedaços de mim







Marta Medeiros

Eu sou feito de
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
amor e carinho constante
distraída até o bastante
não para por instante

Já
tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não prometidas

Muitas vezes eu
desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
de pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
mas continuo vivendo e aprendendo.

sábado, maio 02, 2009

Bien Pudiera Ser...












Alfonsina Storni (Argentina)



Bien Pudiera Ser..

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido
No fuera más que aquello que nunca pudo ser,
No fuera más que algo vedado y reprimido
De familia en familia, de mujer en mujer.

Dicen que los solares de mi gente, medido
Estaba todo aquello que se debia hacer…
Dicen que silenciosas las mujeres han sido
De mi casa materna…Ah, bien pudiera ser…

A veces en mi madre apuntaron antojos
De liberar-se, pero se le subió a los ojos
Una honda amargura, y en la sombra lloró.

Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba en su alma encerrado,
Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.
***
Bem Pudera Ser...

Bem pode ser que tudo em que meu verso hei sentido
Não seja mais que aquilo que nunca pode ser,
Não seja mais do que algo vedado e reprimido
De família em família, de mulher em mulher.

Dizem que nos solares dos meus, sempre medido
Estava tudo aquilo que tinha a fazer...
Silenciosas dizem que as mulheres hão sido
Em meu materno lar... Ah, sim, bem pode ser...

Às vezes minha mãe terá sentido o anseio
De liberar-se, e logo viu subir-lhe do seio
Uma funda amargura, e na sombra chorou.

E tudo de mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava em sua alma guardado,
Creio que sem querer fui eu quem libertou.

sexta-feira, maio 01, 2009

Gustavo Rosa


Nasceu na cidade de São Paulo em 1946. Artista Plastico. Abandona a atividade publicitária, em 1966, para dedicar-se exclusivamente à pintura. Realiza a sua primeira exposição individual na Galeria Alberto Bonfiglioli em 1970. Estuda gravura em 1974, com o norte-americano Rudy Pozzati, no MAB/Faap. Em 1994, lança uma grife com o seu nome em Nova Iorque (Estados Unidos). Em 1998, passa a desenvolver capas para cadernos escolares da Tilibra.

A borboleta







Adélia Prado

A borboleta pousada
ou é Deus
ou é nada...

Galo de Rinha












Ednodio Quintero (Venezuelano)

Meu tio tinha um jovem galo de rinha que se alimentava de lacraias vivas. Num Domingo de Ramos, o galo amanheceu cantando, batendo as asas, eufórico, alvoroçado, como se festejasse algum sonho agradável. Meu tio ficou contagiado pela alegria do galo. Examinou-lhe as patas – que lhe transmitiram uma onda de calor – e, olhando para o céu sem nuvens, decidiu que o dia era propício para por à prova a capacidade guerreira daquele soberbo animal de asas negras, peito tigrado e esporas de marfim.

No galpão turbulento, a figura do jovem galo impressionou os apostadores, que se movimentavam inquietos em seus bancos de madeira enquanto meu tio aguardava, desafiante, no centro da arena. Da primeira fila se levantou um velho de suíças compridas, olhos esbraseados, chapéu inclinado, que segurava entre as mãos um belo galo que parecia uma águia. Com voz rouca, estrondeante, dirigiu-se ao meu tio: “Meu veterano contra seu jovem, dom Marcos, sem examinar bem e sem igualar as esporas”.

O combate foi breve e durou para sempre na memória dos espectadores, pois nos primeiros movimentos das asas do galo jovem começaram a brotar lacraias que num instante devoraram o veterano. Na confusão que antecedeu a debandada, brilharam punhais, garrotes e algum revólver de cano enegrecido. Escutou-se o ruído seco de um disparo, e meu tio desmoronou, ao comprido e pesado, como um cedro das montanhas. Gritos, arquejos, maldições. Depois o silêncio. E do bico e das asas e da cauda reluzente do jovem galo continuaram brotando lacraias, que comiam os portões e as vigas, as árvores da praça, a ponte pênsil, as estátuas.

La Esperanza





Carlos Enrique Ungo (Panamenho)

Ella siempre ha estado allí
acurrucadita entre nosotros
escondida y en silencio como niña traviesa
al acecho solamente
y ansiosa porque la descubra

***

Ela sempre esteve aí
encolhida entre nós
escondida e em silêncio como menina travessa
tão somente à espreita
e ansiosa para ser descoberta.

O "ponto Deus" no cérebro



Leonardo Boff


Uma frente avançada das ciências hoje é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência.

A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (quociente de inteligência) ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A Segunda é a inteligência emocional popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard, David Goleman, com seu conhecido livro “A inteligência emocional” (QE= quociente emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminado em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos dez anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (Qes = quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz igual excitação de 40 herz.

Por esta razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de “o ponto Deus”.

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro, o instrumento que capacita o ser humano perceber a presença de Deus que sempre estava lá, embora não percebível conscientemente. A existência deste “ponto Deus” representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse “ponto Deus”.

Amigo




Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.

Vinicius de Moraes

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.


quarta-feira, abril 29, 2009

O "New Deal" de Roosevelt




Blanchard Girão

O gangsterismo imperava; falências se acumulavam; Wall Street sucumbia. Suicídios eram cenas comuns nas grandes cidades norteamericanas. Neste cenário dantesco, nos princípios dos anos 30, um homem, numa cadeira de rodas, assumia a presidência dos Estados Unidos, uma nação literalmente arruinada.

Leio artigo escrito num jornalzinho maçônico pelo empresário José Lourenço de Araújo Farias, homem atualizado com o seu tempo. Farias aborda, com riqueza de detalhes, a passagem de Franklin Delano Roosevelt pela Casa Branca, revelando como o seu gênio político conseguiu retirar seu país da bancarrota e transformá-lo, em alguns anos, na mais poderosa potência.

O programa de Roosevelt ganhou a denominação de “New Deal”, que, ao pé da letra, significa nova partilha. Entendeu o estadista que aquela caótica realidade tinha origem numa impressionante concentração de renda. Era necessário, urgentemente, mudar as regras do jogo para soerguer a Nação e retirar milhões de pessoas do desemprego e da humilhante fila do sopão que o governo distribuía a cada fim de tarde.

Escreve Lourenço: “Roosevelt assumiu a presidência em janeiro de 1933 e só encontrou escombros para administrar – 56% das indústrias paradas, 80% dos bancos quebrados e o povo americano no filão da sopa. Era o caos. O caos de mais um ciclo capitalista que se exauria. Roosevelt conhecia muito bem os problemas do país e assumiu a presidência conduzindo o seu New Deal, uma nova visão política. Tinha o diagnóstico: concentração de renda. E sabia como resolver o problema: desconcentrar para eliminar o desemprego”.

A mão de ferro do Estado caiu firme, através do imposto de renda, sobre as grandes fortunas concentradas em algumas empresas e poucas pessoas físicas. “Quem ganhava até US$50 mil por ano, desconto de 31%; e para quem tinha rendas superiores a US$5 milhões por ano, as taxas alcançavam 75%.”

Com a arrecadação desse tributo, Roosevelt instituiu um programas de grandes obras, criando dezenas de milhões de empregos. A nação americana saiu da fila do sopão e foi trabalhar. Passou a ser, em curto período, um país de pleno emprego e, décadas depois, a potência líder do mundo.

terça-feira, abril 28, 2009

Guayasamin







Considerado um dos mestres do modernismo do continente, o equatoriano Oswaldo Guayasamin destaca-se entre outros grandes artistas como Portinari, Wifredo Lam e Diego Rivera. Guayasamin possui uma trajetória notável, com uma obra que fala pelo povo, em suas questões sociais. É a temática marcante de desenhos, gravuras e pinturas do equatoriano. Nascido em Quito, o artista captou o cotidiano das camadas mais humildes da sociedade, especialmente a dos indígenas, trazendo para seus trabalhos a influência da tradição milenar da arte equatoriana. Olhos, dentes, ossos e lágrimas saltam das telas e chamam a atenção de quem as observa. Raros são os artistas que conquistaram a intensidade no traço e a força de expressão como Guayasamin.


segunda-feira, abril 27, 2009

Cultivo Una Rosa Blanca






JOSÉ MARTÍ (1853–1895) — Patriota cubano, pan-americanista. Como poeta, foi precursor do Modernismo, com grande influência nas letras hispano-americanas. Entendia a literatura como “expresión y forma de la vida de un pueblo”, defendendo uma poesia com “raíz en la tierra, y base de hecho real”.

Cultivo Una Rosa Blanca

Cultivo una rosa blanca,
en julio como en enero,
para el amigo sincero
que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca
el corazón con que vivo,
cardo ni ortiga cultivo:
cultivo una rosa blanca.

***

Cultivo uma rosa branca
em julho como em janeiro,
para o amigo verdadeiro
que me dá sua mão franca

E para o cruel que me arranca
o coração com que vivo,
cardo, urtiga não cultivo:
cultivo uma rosa branca.

domingo, abril 26, 2009

Alessandra Leão

Este é o primeiro trabalho autoral desta musicista e compositora recifense que, para este projeto, direcionou suas composições para o samba de roda e o coco. “Observar, entender e estabelecer uma relação entre esses dois gêneros e tomá-la como ponto de partida para novas composições e arranjos é um trabalho bastante desafiador e instigante em busca de uma estética musical nova e ao mesmo tempo profundamente ligada à tradição.”
Arruda e Sossego
( Alessandra Leão-Juliano Holanda-Mavi Pugliese)
Quando o vento do ciúme me cortar
Meu cabelo, vou balançar
Um banho quente pra tirar
O gosto amargo que ele deixou
Quando o vento do ciúme balançar
Meu cabelo, vou cortar
Um banho quente pra tirar
O gosto amargo que ele deixou
Levanta, toma, tira
Meu ciúme de volta
Banha de arruda e sossego
Tira da boca amargada
Balança, manda, solta
Meu ciúme de volta.
Para acessar o site de Alessandra e escutar essa música: www.myspace.com/alessandraleao

sábado, abril 25, 2009

Botero














Fernando Botero é um pintor colombiano, nascido em 1932, na cidade de Medellin. Suas obras destacam-se sobretudo por figuras rotundas, o que pode sugerir a estaticidade da humanidade. Há de se perceber uma crítica social, especialmente no que diz respeito à ganância do ser humano. Nos anos 50 estudou em Madri, onde acrescentou os mestres espanhóis a seu interesse por arte pré-colombiana, colonial espanhola e pelos temas políticos do muralista mexicano Diego Rivera. Sua primeira mostra foi em 1951, em Bogotá, mas sua formação para valer teve início em 1953, quando ingressou na Academia de San Marco (Florença), para estudar técnicas de afresco e assimilou algo da arte renascentista. Botero também foi um grande escritor de crônicas.

quinta-feira, abril 23, 2009

América Aracnídea

Um livro muito original, que tenta compreender como o Brasil buscou seu lugar dentro do continente americano na época da publicação do suplemento “Pensamento da América”, que integrou o jornal A Manhã, de agosto de 1941 a fevereiro de 1948. A idéia do suplemento era estimular a aproximação cultural entre as nações americanas e refazer a imagem da América, aproximando-a dos brasileiros que, sob o Estado Novo, viam-se bombardeados por um novo país. Ana Luiza Beraba, a autora, apresenta aqui um estudo rico e muito interessante desse jornal que trançava lirismo e ideologia, ficção e realidade. E que tentava criar uma identidade nova para os brasileiros, até então acostumados com as referências européias.

terça-feira, abril 21, 2009

Novo Modelo de Sociedade


Frei Betto


Ao participar do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, a 15 de abril, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado?

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